quinta-feira, 9 de julho de 2020

[Séries] DARK e THE SINNER - duas surpresas

A série DARK é mais uma produção da Netflix que chegou causando alvoroço porque muita gente anda comentando que ela tem uma pegada profunda e reflexiva sobre a vida. Assisti a todas as temporadas e te digo uma coisa: não é lá tudo isso, não. 
Começamos vendo um homem cometer suicídio. Ele deixa uma carta que traz uma revelação bombástica a seu filho que, inconformado com sua morte, convence a si mesmo de que voltará ao passado para impedir seu pai cometa tamanha loucura. Daí você pode me perguntar "que história é essa de ele mudar o passado? Como é que ele fará isso?". Existe um lugar que transporta as pessoas para diferentes tempos. 

Bom... A coisa fica muito complexa ao longo dos episódios, porque ele descobre que é preciso muito mais do que sua ideia inicial, principalmente quando uma novidade lhe é revelada no momento mais inesperado: existe a realidade alternativa onde sua, digamos, "namorada" acaba se tornando a protagonista dessa outra realidade no sentido de que cabe a ela mudar alguma coisa lá, para que esse mundo dela seja "consertado". Então vemos duas questões paralelas a serem mexidas, cada qual com seu presente, passado e futuro a ser explorado. E como foram explorados!! Eu me senti exausto e com vários nós se formando em minha cabeça. 

O final é até bem simples, prático e preciso. E exatamente por isso fiquei me perguntando porque precisaram enrolar a gente por tantos episódios seguidos sendo que poderiam ter apresentado esse desfecho logo na primeira temporada. Achei uma enrolação que só fez com que víssemos um monte de encheção de linguiça à toa. A série é muito bem produzida, cheia de efeitos especiais, adorei os atores, especialmente a Cláudia com sua cachorrinha chamada Gretchem (sim, a cabela tem o nome da nossa rainha do bumbum), mas achei muito confete e serpentina para pouco conteúdo real. Uma pena.

Uma série que gostei bastante e assisti logo após DARK é THE SINNER. Também produção da NETFLIX, assisti a ela toda e gostei de tudo, principalmente do protagonista, pois eu sempre associei o Bill Pulman àqueles atores de comédia romântica e filmes de sessão da tarde. Nunca percebi o grande potencial que ele tinha para tramas mais sérias. Por isso me surpreendi anos-luz com sua atuação a qual achei fantástica e colocou o ator em uma patamar muito bom, segundo meu conceito. Ele é tão grandioso como um Robert de Niro. Cada temporada é um caso diferente. Não sei qual delas é a melhor, pois gostei de todas. 
Há quem possa torcer o nariz e dizer: "Poxa! Mais uma série de investigação! Já existem tantas! É sempre a mesma coisa", pois é, mas eu gosto do que dá certo. Às vezes, uma produção mais simples e cheia de clichês acaba sendo de mais agrado àquela cheia de pretensões cujo entendimento exige uma masturbação mental. Porque, quando estou na frente da TV, quero descansar a mente, não quero ter que ficar analisando como faço para fazer com que a soma dos catetos seja igual à hipotenusa e nem como resolver a equação de log com colog. Aliás, hipotenusa deveria ser nome de alguma personagem bela e sensual na TV, quem sabe uma Vera Fisher, em seu auge, daria uma boa Hipotenusa. Teria sido mais interessante do que o fiasco que ela fez, chamado "Mandala". Que venham mais produções como THE SINNER, pois eu gosto muito.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

[Miniconto] João e Mariazinha - Você É Meu Sol


Mariazinha chamou João e permaneceu esperando-o ali, diante do sóbrio e imponente portão de ferro.

Assim que a porta se abriu, João surgiu. Era um menino de nove anos com pele clara de se enferrujar a cara, óculos grandes e de lentes grossas que usava roupas sóbrias. Mais parecia um adulto miniatura que fechava o portão tão logo se viu na calçada.

A caminho da pracinha mais próxima onde havia alguns brinquedos de parquinho para brincarem, em certo ponto da caminhada, Mariazinha se pôs a comentar:

-- Pensei que nem fosse te ver hoje.

-- Ora! Mas, por que, se combinamos ontem?

-- É que ouvi minha mãe falar com a amiga dela que seus pais brigaram... e que foi feio... teve até agressão física.... a maior violência! E que, por casa disso, eles vão se separar. Está todo mundo na rua falando nisso, mas é porque sentem pena. Nós gostamos de vocês e não desejamos nada de mau.

-- É verdade. Mas, o que isso tem a ver com nós dois aqui e agora?

-- Achei que você não fosse ter vontade de sair de casa. Que estivesse mal.

-- Tá certa! Tô mal! Ficar naquela casa, agora, não seria nada bom. E estar com você me faz bem. Por Isso, apesar de tudo o que aconteceu com meus pais e de eu estar triste, eu prefiro estar com você na pracinha.

Caminharam alguns segundos em silêncio até chegarem a uma rua que deveria ser atravessada. Mariazinha lhe deu sua mão e assim prosseguiram chegando à praça.

Tão logo sentiram-se seguros e confortáveis por terem chegado onde queriam, João olha Mariazinha e diz:

-- Toda vez que eu estiver triste, quero estar com você. Porque você pra mim é como o Sol.

-- E quando for minha vez de ficar triste? Você vai ser meu Sol?

-- Não, Mariazinha. Eu vou ser aquela nuvem onde você vai guardar toda tua tempestade. Porque, aí, eu jogo toda ela fora, pra bem longe, e você volta a brilhar pra mim.

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Autor: Fabiano Caldeira

Pinterest


domingo, 5 de julho de 2020

[Quadrinhos] O Planeta Sughis Mundus

Cascão é detestado pelo sua sujeira. Ele cheira mal, não toma banho e foge o quanto pode de água, seja ela da torneira, do chuveiro ou da chuva. Aliás, ao sinal de nuvens nebulosas, ele corre pra casa. Há casos extremos onde o vemos como apreciador da poluição e chegando a considerar poética a imundície que vai chegando e tomando conta de tudo. Sendo esse traço de sua personalidade um caso de demência, transtorno ou apenas capricho, eu o tenho como personagem mais interessante da turma da Mônica, criada pelo Mauricio de Sousa.

Gosto dessa distopia toda que chega a ser uma forma de rebeldia e transgressão ao sistema que todos adotam como normal. O fato de que nem todo mundo segue as regras do jogo como são propriamente ditas. Nem todo mundo quer ser como todo mundo. E está tudo bem. Pelo menos no desenho, está tudo bem ser diferente dos coleguinhas. Em contraponto, é explícito o preço a se pagar (amiguinhos passando mal quando estão perto demais ou fugindo para não abraçá-lo no calor, falando mal, querendo limpá-lo à força) por viver sob suas intensas convicções e fazer questão de não se render ao lugar comum de todo mundo. Também vemos que isso não o fez um eremita e que, apesar de nem sempre ser tão bem-vindo assim em determinadas situações, os amigos aprendem a conviver com ele exatamente do jeitinho que ele é. E até gostam. 

Nos dias de hoje não existe mais esse Cascão. Ele agora toma banho, sai na chuva e fala como é bom um mundo sem sujeira. Aliás, muita coisa foi mudada na turma toda, em quase todos os núcleos de criação do Mauricio de Sousa. Confesso que aprecio o material de antes. 

É no material de antes que aprendemos a lidar com as diferenças e, ao mesmo tempo, encarar as escolhas que fazemos e com o que somos. A Mônica, mesmo intolerante e bruta, era símbolo de força e resistência contra a opressão. A Magali era o sonho de todo mundo: poder comer o mundo e não engordar. O Cebolinha era o menino que se achava perfeito, por isso tirava onda com todos, principalmente com a Mônica (cuja aversão, na verdade, era paixão enrustida) e o Cascão. Cebolinha sempre se achava o máximo, o mais inteligente, o mais legal, o mais tudo...sendo que era apenas um moleque chato e à toa. Titi era namorador. Bem jovem, tinha a Aninha como namorada oficial, e também todas as outras que caíam em sua rede. Pipa, Thuga e Dona Cebola eram gordas. Rolo era enrolado e Rubão era conservador e machista. Enfim, eu gosto é dessa diversidade toda. Por isso aprecio as produções anteriores ao ano 2000.


A história que vou compartilhar se chama "O PLANETA SUJHIS MUNDUS", está completa, tem 18 páginas e foi publicada pela primeira vez na abertura da revista Cascão n° 14, da Editora Globo, em Julho de 1987, ou seja, há exatos 33 anos. Olha que idade bonita!

Cascão é apresentado aos leitores com suas características de imundície e por isso é menosprezado e até hostilizado por muitos. Em uma circunstância curiosa, ele é descoberto por seres extraterrestres e levado para ser o líder do planeta deles -- o planeta SUGHIS MUNDUS que tem uma população de porcos antropomórficos que se encontra em um momento político e social complicado, pois há um grupo de pessoas querendo se rebelar contra o sistema estipulado pelo líder atual que preza pelo controle de todos através de ordens e normas que promovem cuidados ao meio ambiente e com a saúde. Esse grupo radical tem a certeza de que Cascão é o líder de que seu povo precisa e por isso o levam ao seu planeta onde é empossado rei e dá início ao sistema com liberdade total, colocando por terra todas as medidas anteriores. 

No início, a novidade é bem aceita. A população se convence de que aquele novo sistema é o ideal, pois eles vivem sem se preocuparem com a importância devida de que é necessário focar em respectivas coisas. Não importa o quão sujo, bagunçado e insalubre esteja se tornando o ambiente em que vivem, desde que eles sejam livres. Em pouco tempo, esse conceito anarquista mostra suas consequências. A qualidade de vida das pessoas cai, algumas ficam estressadas sem causa aparente, doentes e começam aparecer aquelas que se machucam porque caem, escorregam e se ferem com tanta bagunça e desordem.

Cascão começa a ser cobrado. A população quer ter garantida sua liberdade de sorrir e ser feliz a todo momento, mas somente às custas do sistema, ou seja, o governo que tem que se virar para garantir um ambiente propício para que vivam bem, sem que eles sequer se preocupem com as noções mais básicas e particulares como arrumar a própria casa, cuidar de manter limpo onde vivem e transitam. É tudo muito unilateral, sem conscientização de que todo mundo é um pouco responsável pelo bem-estar uns dos outros e que a verdadeira liberdade anda de mãos dadas com a responsabilidade. 

Cascão vai embora, praticamente um fugitivo do povo, isentando-se dos compromissos que dele eram esperados. Leva consigo seus ministros que, como ele, se recusavam em adotar medidas e estratégias para o bem da população. O planeta volta ao sistema de antes e, dessa vez, com total apoio da população que entendeu o seguinte: liberdade com anarquia é uma fria; liberdade com responsabilidade é uma vida de verdade.

A historinha tem seu final feliz. Cascão volta para casa. Os ministros porcos ficam com ele porque sabem que ele é sujo, então vão se sentir bem ao seu lado. Porém, os três aparecem (no último quadrinho) sendo obrigados a limparem toda a sujeira que proporcionaram.

Nessa trama vi um planeta onde os seres não tem consciência do que é senso crítico e bem-estar coletivo. Tiveram que chegar ao extremo do caos para darem-se conta de que estiveram errados em se rebelar contra um sistema que só queria um pouco de ordem, que os cuidados básicos com a saúde são essenciais para  manutenção da vida e que é com cada um fazendo a sua parte que se constrói algo melhor para todos. O radicalismo pode ser muito atraente, mas não é a solução. E não adianta ter o melhor governo se o povo não tem conscientização.

 

Essas duas propagandas eu quis compartilhar porque elas estiveram presentes em muitas edições. Tanto a Labra quanto o Instituto Universal Brasileiro eram anunciantes frequentes nas revistinhas da turminha durante vários anos de publicações delas, desde a Abril. Hoje, recordar essas publicidades é interessante. Um abraços a todos! Boa semana! 

sábado, 4 de julho de 2020

[Quadrinhos] Desfile das Tirinhas

O Desfile das Tirinhas de hoje está um tanto político. Não foi de propósito, quando vi as tiras, percebi que elas conversavam umas com as outra. rsrs... Todas as tirinhas forma tiradas do Pinterest, mas achei por bem colocar links de colegas desenhistas que têm seus sites porque foi o acordo que tive com eles, para exibir seus trabalhos. Bom diversão e bom final de semana a todos!

ANGELI

BICHINHOS DE JARDIM - CLARA GOMES

QUADRINHOS ÁCIDOS - PEDRO LEITE

MENTIRINHAS - FÁBIO COALA

 HENFIL

MAFALDA - QUINO

sexta-feira, 3 de julho de 2020

[Livros] "Dois Garotos Num Navio" e "Um Respingo de Tinta" - Resenha

Olá, pessoal! Minha vontade era colocar uma lista de vários contos que li e dizer algo sobre eles, mas sei que escrevo demais, então essa postagem ficaria muito grande e nem sempre queremos ficar lendo algo tão extenso, não é mesmo? Às vezes, algo mais simples e prático é mais do que bem-vindo. 

Começo falando de DOIS GAROTOS NUM NAVIO: conto pequeno, direto e poético que me surpreendeu tão logo comecei a leitura. A surpresa, porém, não foi nada entusiasmante. A narração é muito boa e a trama tem seus méritos para um conto gay, porém, comecei sentindo uma atmosfera densa e terminei com uma imensa vontade de morrer, tamanha depressão e melancolia.

Curiosamente, a obra está também no Google Books e no Kobo. E esse conto é o primeiro que tem um subtítulo chamado "POR TODOS NÓS". Existe um segundo: "GAROTOS DO CÉU". Pode ser que seja uma bela obra de arte literária. A questão é que não tenho gosto refinado para leitura.

O outro se chama UM RESPINGO DE TINTA: um conto lésbico cuja sua narrativa já entra mais de acordo comigo e possui uma atmosfera bem mais familiar e agradável de ser absorvida, apesar de que se trata também de uma situação que não se deseja a ninguém, pois narra uma relação desgastada entre duas mulheres e o relacionamento que se desgastou. Curioso foi o momento da ruptura. Apenas a decisão de pintar uma parede causou tudo. Um  tempo depois elas se reencontram e o leitor fica naquela de averiguar se vai rolar uma volta ou não. 

Interessante também constatar que era tanto amor, um sentimento tão intenso, belo e que se dizia para sempre, porém, tão logo se desfez o compromisso, uma das partes já foi logo se aninhando em outra que, por sua vez, me fez questionar se, por ter aparecido em um momento de dor e curar as feridas, ela realmente veio pra ficar ou é algo passageiro?

É isso!... Ambos são dramáticos. Um traz poesia melancólica e o outro narra a coisa mais nua e crua. Um é pesado e melancólico. O outro te faz refletir em uma situação comum entre nós, gays e lésbicas.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

[Livros] O Homem do Beco Medonho - Indicação

Palavras do Autor
Imagine você, após sua balada preferida, a caminho de casa, ser abordado por um homem horroroso que te faz refém em um beco escuro. Não demora muito, você descobre que aquele lugar escroto é a casa dele e que nunca mais se livrará de seu domínio.
Uma trama de vingança, mistério e intriga que não poupa o leitor e o faz querer saber o que vai acontecendo ao longo das páginas.


É com satisfação que venho informar meu novo e-book. O Homem do Beco MEDONHO contém 88 páginas de história e uma capa que eu mesmo preparei e tem tudo a ver com a atmosfera da trama. A Ferrari foi minha inspiração, já que ela é a mola propulsora da aventura que traz uma novidade: três narradores diferentes -- acho importante dizer isso, porque alguns leitores podem não entender e daí não conseguem entrar no clima de suspense, intriga e muita expectativa.

A classificação para maiores de 18 anos é devido a algumas palavras feias e as situações conflitantes de quem está no calor da emoção, com os nervos à flor da pele. Ao contrário de meus outros sete e-books, este não tem aquelas narrações detalhadas de sexo. Achei por bem priorizar a trama no foco principal: a vingança. Cá entre nós, sabemos o quanto é triste e não tem nada de bom o sentimento de vingança, porém funciona demasiadamente bem na ficção. E que bom que temos essa ficção para nos libertarmos um pouco da nossa realidade.

Para terminar, deixo registrada minha gratidão por existir a plataforma do Kinlde/Amazon, que considero o casamento ideal. A gratidão que sinto não é mera palavra, é um sentimento, um estado de espírito. 

O e-book está disponível desde domingo, dia 28 de Junho, e quem tem assinatura do Kindle Unlimited pode adquiri-lo de graça. Quem não tem, é só esperar pela próxima promoção do livro gratuito ou usar aquela sua graninha do cafezinho gostoso da tarde para comprá-lo.

sábado, 27 de junho de 2020

[Quadrinhos] Desfile das Tirinhas

Desfile das tirinhas de hoje sugere um pouco de paz e sossego. Paz, amor, tranquilidade, saúde e proteção. Uma caminha esperta também é muito bom.

Todas as imagens foram pegas no Pinterest. Boa leitura e boa diversão!

CALVIN & HAROLDO - BILL WATTERSON

HAGAR, O HORRÍVEL - DIK BROWNE

RECRUTA ZERO - MORT WALKER

SNOOPY - CHARLES SCHULZ

MAFALDA - QUINO

GARFIELD - JIM DAVIS

GARFIELD - JIM DAVIS