domingo, 30 de junho de 2019

[Miniconto] Amizade Crescente

Toni e Caio se conheciam do Facebook, através do gosto em comum pela leitura de livros e quadrinhos, seriados e filmes.

Um dia, resolveram conversar melhor sobre determinado lançamento e descobriram que moravam na mesma cidade e em bairros próximos.

Entusiasmados, combinaram de se ver no melhor shopping da cidade. Assim, trocariam ideias pessoalmente. O papo fluiu tão  bem que pareciam velhos amigos, tamanha afinidade.

Estava tarde. Toni perdeu o ônibus, mas ganhou uma carona para casa no carro de Caio. Lá chegando, tomaram banho juntos, se tocaram, se acariciaram, se encontraram no quarto e, após a explosão da realização mútua, dormiram lado a lado. Dois anjos companheiros, duas almas gêmeas que se reencontraram.

Depois daquele momento, Caio procurou por Toni, várias vezes, sem êxito. Ele não  respondeu mais  suas mensagens. Ambos frequentavam os mesmos grupos e páginas das redes sociais, tinham vários  amigos em comum, viam as novas postagens no perfil, um do outro. 

E Caio só queria entender o que levou uma intimidade tão  gostosa torná-los, novamente, dois estranhos.

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AMIZADE CRESCENTE
autor: Fabiano Caldeira 

terça-feira, 25 de junho de 2019

[Livros] Entrelaços - Bávara Coelho


Eis uma leitura cativante que me prendeu atenção a tal ponto que li as mais de cem páginas em dois tempos. A narrativa da autora, Bávara Coelho, é bem simples e de fácil compreensão. Parece até que eu acompanhava alguém me contando alguma coisa. 

Li "Entrelaços - A Vida Que Eu Não Vivi" em formato digital, mas agora já está disponível em livro físico o qual pode ser adquirido no Clube de Autores (clique aqui). Fico feliz com o investimento de Bávara, pois bem sei que nesse meio há muitos autores e nem todos se arriscam na publicação física, então só tenho que parabenizá-la pelo passo à frente e desejar que seja apenas o começo de uma bela trajetória com muito sucesso, prosperidade e felicidades.

A história fala de Luísa: uma mulher marcada por um trauma que, diante de um acontecimento inesperado, se vê na oportunidade de mudar o momento daquela tragédia que tanto marcou sua vida. O que Luísa não percebeu é que a ânsia de seu desejo de "consertar tudo" alteraria o curso de todos os outros que conhecia. Esse tipo de ação tem um nome: efeito borboleta, que até é citado na trama. 

O que eu achei legal na narrativa de Bávara foi que li "Entrelaços" completamente no escuro, ou seja, sem maiores detalhes do que se tratava. No começo, pensei que tinha pego um conto "hot", pois tudo indicaria que haveria um lance bem quente entre Luísa e Leonardo, após tanto se estranharem. Ah! Eu queria ver como ela escreveria as cenas de pegação, os corpos se juntando, o que ele faria com ela...  Uh! Delícia! Porém, a direção foi mudando tanto que, quando Luísa sofreu o tal imprevisto, que é o gancho determinante, saquei então que era um romance espírita e achei até legal, pois já li alguns títulos desse gênero e guardo boas sensações. Todavia, fui surpreendido de novo ao me dar conta do tal efeito borboleta, peça chave na evolução. Vocês não passarão por essa mudança de sensação, pois agora já sabem do que se trata. rsrs...

Eu me emocionei com a determinação de Luísa e confesso que fiquei curioso quando li que ela tinha conseguido mudar aquele ponto tão dramático, pois era lógico que o destino dos demais iria mudar. Não se altera um acontecimento tão importante e que envolve terceiros sem haver nenhuma consequência.

Considero a obra apropriada para todas as idades, pois a ambientação é toda familiar, do começo ao fim, apesar do final apresentar um detalhe bem sério.

Para comprar no Clube de Autores, clique no link abaixo:


A versão digital você consegue no site da AMAZON  



segunda-feira, 24 de junho de 2019

[Livros] Capas Interessantes - Portais dos Horizontes


A editora Selo Jovem, através do Selo Talentos, está com vários lançamentos que podem ser conferidos em seu site. Destaquei este por causa da capa interessante que nos remete ao belo cemitério formato jardim, o céu "anuviado" (é assim que diziam meus avós: "anuviado". kkk...) em meio as imagens de anjos e almas. Até o Cristo marcou sua Grandiosa Presença. Viva Jesus! 

O livro contém 126 páginas e hoje custa apenas R$16,99 (dezesseis reais e noventa e nove centavos). Não sei por quanto tempo o preço se manterá, por isso recomendo que visite o site, informe-se sobre tudo o que deseja no título e fique atento ao valor e despesas de frete.

Vale destacar que a obra está classificada como romance espírita. Entretanto, as 'infos' nos remete a um suposto teor doutrinário. Sendo assim, não é possível saber se o termo "romance" foi colocado porque todo livro com cerca de 100 páginas ou mais é automaticamente classificado como tal, ou se realmente trata-se de uma trama de ficção.

O autor, Reinaldo Alves Vasconcelos, é escritor bem conhecido e com várias obras em sua biografia.

Saiba mais sobre este e outros lançamentos no link abaixo:


sexta-feira, 14 de junho de 2019

[Livros] O curioso tipo de leitor de clássicos que dificulta que tenhamos novos leitores no Brasil

autores brasileiros de hoje, esperando reconhecimento

Tenho participado de alguns grupos literários de redes sociais. Não importa qual é o teor da postagem, os comentários são, na maioria, repletos de pessoas que sempre se expressam como a literatura brasileira anda em baixa e ainda não superou os clássicos. E eu fico me perguntando, quais clássicos que a literatura atual não superou? Nunca se escreveu tanto. Não é possível que algo não agrade a ninguém, que todas as bilhares de páginas que surgiram ao longo desses últimos meses sejam meramente comparadas a nada ou a algo repulsivo. Expressar esse tipo de coisa, além de não ser verdade, dificulta ainda mais a projeção das obras atuais no mercado.

Para alguns leitores, só os clássicos que contam como boa literatura. Eles se derretem. Eles não se cansam de expor como os clássicos é que são bons. Será mesmo que existe uma fórmula tão insuperável nesses títulos? Vejamos alguns exemplos:

Uma moça que esbanja sedução e erotismo em um povo de vida difícil. Seduz os homens da vizinhança, mexe com a fantasia geral, desde os garotinhos até os marmanjos que já estão casados. Então a moça, segundo os costumes locais da boa e tradicional família brasileira, cai em desgraça, mancha a honra dos pais e vai embora, inconformada por ser alvo de tamanha injustiça. Décadas depois, retorna às origens com o objetivo oculto de se vingar de todo mundo. No meio dessa vingança, ela tem a oportunidade de reviver uma grane paixão, um grande amor do passado. O cenário envolve cultura regional de fé religiosa, miséria e machismo. Um grande amor que, após, tantos anos, volta e supera tudo isso. Gostou da história? Você leria isso de um escritor atual? Esta história é de Jorge Amado e se chama Tieta do Agreste.

Um cara poderoso, empresário endinheirado descobre que tem uma doença grave. Não obstante, ele tem um gênio controlador, mandão e possessivo. O mundo e as pessoas só existem para seus mandos e desmandos. Sua esposa, uma gostosa com bem menos idade que ele e de saco cheio daquele relacionamento conhece um cara qualquer, super gente boa e que a faz se sentir importante, amada e desejada como nunca sentira antes. O figurão acaba descobrindo e quer destruir o carinha. A gente vai acompanhando a briga de mocinho coitadinho e vilão poderoso-chefão, ao mesmo tempo que vemos a mocinha sendo torturada com essa relação que não existe mais e não a deixa livre de uma vez. Ela precisa largar tudo para viver sua grande paixão. Seu carrasco nunca vai deixá-la viver esse grande amor, porque ela é um objeto dele, e ele ainda tem uma grave doença para lidar. A obra está repleta de palavras como "cu", "filho da p..." e outros palavrões. Você leria esse clichê bem açucarado se fosse escrito por um escritor atual? Esta história é de João Ubaldo Ribeiro e se chama O Sorriso do Lagarto.

O cenário, como muitas vezes é, mostra tristeza, miséria, escassez, humildade... Um certo capitão conhece um mulher chamada Ana. É uma história de amor nesse cenário triste, sempre enaltecendo o contraste de um homem com poder e autoridade e a moça de origens simplórias. Esse livro tem dois nomes: Um Certo Capitão Rodrigo ou O Tempo e o Vento. 

No tempo da escravidão e dos Barões poderosos, o filho de um deles se apaixona por uma escrava branca. Ela era branca, diferente dos tantos negros que viviam (infelizmente) como animais irracionais e verdadeiros burros de carga daquela fazenda, sempre apanhando com chicotadas e levados ao serviço difícil até a exaustão e sem direito a nada, nem pagamento, nem décimo terceiro, nem férias, nem feriado, nada. Só tinham um grande galpão para dormirem e alimentação porque, senão, morreriam mesmo, pois, se fosse possível, nem isso teriam. O amor do figurão só cresce, mostrando um cenário de intolerância, preconceito e discriminação dentre os poderosos. A escrava branca não tem o menor apoio para viver seu grande amor, pelo contrário: é humilhada e chega até a ter sua integridade ameaçada. Pior ainda são os demais escravos sofrerem cada vez mais, porque toda a fúria desse romance agora respingava indiretamente contra eles. Essa história é muito interessante pelo cunho histórico sobre o fato da escravatura e nos faz refletir no quanto é importante que os negros sejam cada vez mais respeitados como seres humanos iguais a todo mundo, afinal, tirando a cor da pele, não há diferença. Agora, cá entre nós, você daria toda essa importância a uma história como essa se ela fosse escrita por um autor contemporâneo? Você a leria com os mesmos olhos, a mesma consideração? Existe uma história que retrata de uma forma até mais impiedosa essa época escravocrata. Ela se chama Sonhos Vermelhos e é do autor Dan M. Eu a tenho em e-book. Mas, na verdade, eu me referi ao clássico A Escrava Isaura, de José de Alencar.

Vidas Secas, de Graciliano Ramos, mostra pessoas vivendo em situação agonizante em determinada região do país. Ela tem um conteúdo didático, se for ver, porém, não é uma trama que busca surpreender, prender a atenção do leitor, despertar grandes sentimentos de euforia. 

Então você vê que os tais clássicos tão admirados e citados nesses grupos de redes sociais são histórias boas e com conteúdo até interessante, mas que não são tão imortais pelas suas páginas em si, pois, em algumas, a narrativa nem é lá tão estimulante. Em outras, beira o teor de livros considerados "hot"  tão desconsiderados e vaiados. 

Os clássicos serão sempre os clássicos. Ninguém vai tirar a magnitude e o prestígio conferido a um clássico. Não há esse poder em nenhuma criatura pensante. E a questão nem é buscar que esse tipo de coisa aconteça. É claro que não! Os clássicos servem como referência e alicerce para a casa das ideias estar sempre aberta às novas obras. Os clássicos servem para representar o que há de melhor nesse mundo literário, para a consolidação da nossa cultura literária, o que é mais importante, pois são os clássicos quem representam o rosto, a face, o berço e o desenvolvimento literário de nosso país. 

O que me incomoda não são os clássicos. São as pessoas. As pessoas que não leem e fingem que leem, e ficam com esse comportamento pseudo-culto, disseminando como elas são, achando que estão enaltecendo a boa literatura quando, na verdade, estão afastando leitores que gostam de ler outras praças, outras coisas. Esses leitores tem suas vontades eliminadas, sugadas covardemente por esses vampiros, esse tipo de leitor que nem leitor é, pois só falam de clássicos, então, como podem ser leitores se não leem mais nada?  Essa postura esnobe, metida e "entrona" de pessoas ignorando todo e qualquer conteúdo novo que apareça. Sempre fazendo questão de comentar mais do mesmo. Sempre a mesma coisa, como se nada existisse além. Já sabemos que os clássicos são ótimos. Guarde para si essa sua opinião tão valiosa.

Ontem mesmo, vi uma postagem que falava assim:

"Que autor você chamaria para um café?"
Os comentários, como sempre, bem interessantes, mostrando pessoas colocando Drummond, Machado de Assis, Paulo Coelho (este não é considerado clássico, mas tem visibilidade), alguns filósofos... poucos se atreviam a citar um autor de agora, qualquer um. Então a gente fica sem saber o que pensar. Alguns autores lá citados foram boêmios, viveram na putaria com DST´s, alcoolismo, violência, outros morreram na miséria e na sujeira, alguns tinham um temperamento um tanto duvidoso a ponto de usarem de práticas sadomasoquistas para torturarem suas parceiras sexualmente.  Então eu ficava lendo aqueles comentários e pensava: "Jura mesmo, coleguinha, que você chamaria este autor para um café?" Será que pessoa sabe mesmo sobre o autor referido? Será que não existe em 2019 nenhum outro autor que seja mais legal, agradável ou interessante pelas suas obras?

Esses grupos são muito importantes e são criados para dar a oportunidade das pessoas divulgarem e conhecerem novos textos, novas obras, novos autores. Mas está ficando cada vez mais difícil prestar atenção a esses novos talentos. E fico aqui com o raciocínio a esquentar meus poucos miolos: O que é preciso fazer para que as obras, os livros, os textos, os autores atuais ganhem alguma notoriedade real? Quando que as pessoas, em geral, verão que há muita coisa a ser descoberta além dos clássicos? Quando vamos ter referências de leituras, de histórias de outras pessoas que não se enquadram em clássicos ou autores famosões? Quando? Como fazer isso acontecer de maneira que sejam recomendações como testemunhos de apreço, admiração, empolgação e afeto pela leitura, e não mera divulgação comercial?
um café e uma boa ideia

terça-feira, 4 de junho de 2019

[Quadrinhos] Geração 12 - Confira divulgação do número 0 de graça na Amazon


Olá, pessoas, pessoinhas e pessouonas! A MSP - Mauricio de Sousa Produções está divulgando nas redes sociais a primeira imagem de "Geração 12" e, de quebra, já anunciou que o número 0 está disponível  de graça na Amazon. 

Isso mesmo! O número 0 desse novo projeto de HQs da Turma da Mônica está gratuito para ser baixado para ler no aplicativo Kindle. Esse app pode ser baixado gratuitamente em qualquer celular Android. Eu mesmo tenho o meu há algum tempo, pois venho lendo livros por ele. 

Parece que repaginaram totalmente o universo da turminha. Confesso que estou curioso. Como será?


sábado, 1 de junho de 2019

[Quadrinhos] Cascão em: O Dia dos Abraços


Essa história começa com Cascão todo animado porque é o dia de seu aniversário. Ele diz que até acordou mais cedo para encontrar os amigos e abraçá-los, pois só em datas como aquela é que os amigos aceitavam chegar tão pertinho dele por causa de sua sujeira e mau cheiro. 

Ele vê um vulto da Mônica ao longe e, ao chamá-la, Mônica sai correndo. Em seguida, encontra uma turminha jogando futebol no campinho, mas todos fogem. Ele vai até a casa do Cebolinha, mas quem atende é a mãe dele, que dá uma desculpa esfarrapada sem a menor chance de aproximar os dois. O mesmo acontece com Maria Cascuda, fazendo com que ele fique cansado de procurar pessoas e ser rejeitado. 

Triste, ele começa a pensar no que fazer, então lembra-se de alguém que não se importaria de passar o dia todo com ele assim, do jeitinho que ele é: o Capitão Feio. Ele vai no esgoto, morada do Capitão, e fala com ele sobre sua rejeição. O velho tio fica sensibilizado e está pronto para lhe dar um grande abraço, mas a sujeira impregnada no corpo dele é tamanha que nem mesmo o Cascão suporta. Ele faz o que os amigos fizeram com ele: sai correndo. 

Chegando à conclusão de que o jeito era ficar sozinho, ele resolve partir para longe, se isolar de todo mundo. Ele começa a andar sem parar e sem saber se já se afastou muito de casa, mas logo o céu começa a fechar e ele se esconde para não se molhar. A chuva cai. Ele está abrigado dentro de uma grande árvore oca. Lá, ele pega no sono e não percebe que uma cobra enorme começa a se enrolar toda em seu corpo. Ele começa a sonhar que os amiguinhos estão todos vindo abraçá-lo, que os abraço vão se tornando cada vez mais intensos e fica feliz por se sentir tão querido e amado por todos eles, ignorando completamente que aquela sensação, na verdade, é a cobra que está matando ele. Ele começa a suar de emoção e também porque o abraço está muito apertado, fazendo com que a cobra sinta seu cheiro podre e, com isso, desista de matá-lo, sumindo dali. 

Cascão acorda e se dá conta de que nada daquilo foi real. A chuva já tinha passado e ele volta a andar, encontrando a turminha. Ele fica nervoso e expõe sua tristeza por ter sido rejeitado por todo mundo, mas o pessoal vai pra cima dele e o enche de abraços e carinhos e mimos, fazendo-o sentir-se a pessoa mais importante do mundo. 

Cascão vai embora emocionado e realizado por ter recebido tanto afeto dos amigos. Quando a turma percebe que ele já está bem longe, começa a agradecer ao Franjinha. Então a gente vê cada um se despindo de uma fantasia deles mesmos que o Franjinha tinha conseguido fazer, para que assim não se sujassem ao ficarem juntinhos do Cascão. 

Eu ri muito com esse final, até que ponto chega a imaginação do autor em fazer com que o Franjinha produzisse roupas especiais deles mesmos para ficarem perto do Cascão, também o fato do Cascão não ter percebido nada, pois ele abraçou todo mundo, ficou bem pertinho deles e não percebeu que a pele era de mentira, que o rosto era uma máscara, absurdos que uma história de quadrinhos nos traz e que torna a situação bem divertida. 

A HQ está completa para quem se interessar. Divirta-se!

Cascão n° 231, Editora Globo, Novembro de 1995
36 págs, RS 1,00 (um real) - Mauricio de Sousa Produções