sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

[Livros] Capas Interessantes - CAPTURE-ME - Ana Zaires


Minha primeira leitura do ano é este e-book da Ana Zaires que esteve na promoção do livro gratuito na Amazon. Confesso que nunca tinha ouvido falar, mas peguei porque gostei da capa; muitas vezes, sou assim mesmo: quando uma capa me chama muito a atenção, algo me faz querer conhecer o que tem ali. Sempre foi assim com gibis e agora tem sido com livros também.

A intenção é compartilhar somente a capa mesmo. Não é falar do livro, mas adianto que eu não fazia a menor ideia de que tipo de enredo me aguardava, pois eu me lembro que baixei o livro gratuito e deixei lá, guardadinho, sem verificar mais nada. Comecei a ler antes de ontem e já me surpreendi com algumas cenas quentes entre Yulia e Lucas Kent. Aliás, devo dizer que foram as melhores NARRATIVAS de cenas quentes de tudo o que já li até hoje. Fiquei com vontade de provar aquela brutalidade toda do glutão Kent. Meu Deus!!! 

Quando terminar a leitura, venho dizer se foi pra mim, tá bom? Posso dizer que já fiquei meladão.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Feliz Dia do Quadrinho Nacional - Pra quem mesmo?

Hoje é o Dia do quadrinho nacional e e estou sem saco para postar algo bonitinho sobre o assunto. Eu poderia colocar uma foto da sala do escritório onde elaboro minhas HQs, para que vocês vejam como é legal meu espaço de criação, mas lembrei-me de que não tenho um. Uso papel que iria para o  lixo para fazer minhas HQs. Muitas vezes, são receitas de medicamentos onde o verso está limpinho e é nele que desenho e, depois, o bom editor de imagens tira todo e qualquer vestígio de que a folha foi reaproveitada. E a minha casa é velha e feínha, e a mesa é muito boa, de mármore, a única da cozinha que usamos para quase tudo e é nela que faço meus desenhos. É. A pobreza é feia mesmo. Mas eu encaro de frente e ainda sorrio com meus dentinhos tortos, porque é um reflexo das escolhas que fiz.

Hoje fiquei o dia todo para fazer uma página de HQ dos Barbados: um nicho voltado para adultos gays. O dia todo, não. Cerca de umas quatro horas. Antes, escrevi um conto o qual ainda reescreverei algumas vezes, no processo de revisão. Não vou dizer que é um saco reler tudo oque escrevo, porque eu sou meu maior fã e, se seu pudesse, faria amor comigo mesmo, mas é um procedimento que atrasa um pouco a demanda produtiva, porém, necessário. Estou com AS COBRAS NÃO AMAM na Amazon e já descobri vários erros de digitação nele, mesmo após eu tê-lo relido duas vezes. O resultado foi que fiz uma nova versão, mas ainda está em fase de acabamento. O início da trama foi todo modificado contendo mais de cem páginas completamente inéditas até o gancho chegar no que já está feito. Quando vou substituir o que está na Amazon? Não sei. Ainda neste ano. Enquanto isso, deixe a versão antiga lá, com os erros de digitação mesmo. Afinal, a trama é belíssima com um protagonista "humano" que nos faz pensar através dos erros e acertos dele. Sem falsa modéstia, eu crio muito bem. Esse é o bom de ser um esquisofrênico não diagnosticado. A gente vai fantasiando as coisas muito bem.

Estou escrevendo feito louco. Além deste "Reboot" d´AS COBRAS, tenho mais dois romances sendo construídos e mais meia dúzia de contos eróticos os quais serão inseridos aos poucos na Amazon. Também tem um projeto querido de ilustração que me apareceu no fim do ano e que vou pegar firme de agora em diante, pois quero mais é terminá-lo o mais rápido possível. Vai ser moleza! Só falta começar! 

Às vezes fico pensando no que eu fiz de minha vida ao dispensar um grupo empresarial que beijava meus pés, disposto a investir em mim... e agora, por estar há mais de uma década com uma pessoa que precisa de mim porque tem suas limitações e especificidades a serem cuidadas, sendo que quando ela for com Deus, daqui a uns 20 anos, eu estarei um caco e não herdarei nada, porque essa pessoa não tem nem onde cair morta. Fui eu quem a trouxe para o meu mundo. Não porque eu estava apaixonado, mas porque senti que era o melhor a ser feito. E aí, o que será de mim? Eu me resignei e me resigno de tanta coisa e tudo isso tem seu preço. Fico só pensando onde tudo isso vai dar e no que será de mim amanhã. Todas as pessoas com as quais me importei estarão mortas e eu não tenho nada em que apoiar. Como não sou nenhum santo, eu vejo meu final bem parecido com o Irlandês de Robert De Niro: vou pagar meu pecados sendo cuidado por aí, em algum lugar qualquer onde eu nunca pensaria passar o resto dos meus dias. E com a sorte que eu tenho, ainda terei muito pra viver. Bom, chega de drama. Se houvesse um serviço de psicologia decente no SUS, eu não precisaria escrever tudo isso aqui para vocês lerem, pois eu sei que ninguém tem nada a ver com isso.  

Tenho descoberto blogs muito legais de leitura. Eu comento neles, mas não tenho feedback. Não sei o que aquelas pessoas pensam de mim comentando em seus blogs. Parece que não sou ninguém ali, que nem se importam com meu comentário, com minha existência. Dá vontade de nem comentar. Mas eu comento porque sou teimoso e sei que todo dono de blogue quer ler comentários. Um abraço para essas pessoas lindas que descobri a pouco tempo dos blogs Prefácio, Capítulo Treze e Parágrafo Cult. Um abraço também com gratidão pela visita do Blog do Neófito.

Um abraço a todos e feliz dia do quadrinho nacional.

domingo, 26 de janeiro de 2020

[Quadrinhos] Pateta n° 9 homenageia Agatha Christie e Pokémon Go

Olá, pessoal! Vou compartilhar agora minhas impressões da revista do Pateta n° 9 ( e n° 97 de acordo com a série anterior, assim dizem). Esta edição é publicada pela Culturama, contém 68 páginas no total e o preço de R$ 6,00 (seis reais).
O que eu tenho a dizer é que gosto muito dos quadrinhos com Donald e toda a família pato, assim como o universo do Mickey e do Pateta. Não vejo mais a Disney apostando neles com algo realmente bom. Fizeram alguns curta-metragens há uns três anos (muito legais), mas ainda prefiro vê-los em quadrinhos. 

Também quero dizer, agora sobre a revista, que ela tem duas aventuras grandes e muito legais: A INVENÇÃO DO CUCO e O MISTÉRIO DO MONTE FRAGA. Esta última, com o Superpateta no meio de vários outros super-heróis duvidosos que foram convidados para uma festa em uma mansão que se localizava em um lugar bem distante de tudo. No meio desse jantar, as pessoas começam a desaparecer do nada e a pista é um poema. Quem leu Agatha Christie, ao ler que o anfitrião se chama Sr. Marple, vai sacar as referências. A historinha dá uma pincelada na obra dos dez negrinhos. A trama anterior traz Mickey e Pateta voltando à época da invenção do relógio-cuco. Mais uma das viagens do tempo promovidas por Prof. Zapotec e Marlin. Gostei muito de eles terem que corrigir a alteração que fizeram meio sem querer e também quero deixar claro que, a exemplo do Pateta, adoro bolo Floresta Negra. 
Essas duas aventuras, a meu ver, já pegam a edição, pois me divertiram bastante. O que segue são mais quatro historinhas curtas sendo: 

O HÓSPEDE INCÔMODO - Pateta às voltas com uma mosca dentro de casa. Fraquerrérrima porque substimam o coitado do Pateta e é bem óbvio. Mas é claro que deve funcionar com as criancinhas que leem turma da Mônica.

A EXCURSÃO - Gag de uma página. Não para esperar muito dessas tirinhas. Cumpriu com a função. Foi divertida e conheço gente assim, que leva o mundo inteiro quando vai viajar daqui a ali.

REALIDADE VIRTUAL - Adorei ver Chiquinho e Francisquinho (sobrinhos do Mickey, há muito sumidos) interagindo com Pateta e fazendo com que ele jogue aquele game de celular que caça Pokémon (claro que eles não citam, mas acredito que seja essa a referência: Pokémon Go).

SUPER ESCOTEIROS - Gilberto, o sobrinho crânio do Pateta, também faz parte de um grupo de escoteiros mirins. Essa galerinha sai à procura de executar boas ações. Acontece que eles roubaram os superamendoins da árvore do Pateta e, com isso, todos eles viraram super escoteiros mirins. HQ divertia e curiosa, curtinha, indo direto ao ponto, sem enrolar. Adorei rever o Gilberto após tanto tempo "esquecido". Eu me lembrei da época em que era pequenininho e quis roubar tomatinhos cereja na pequenina moita, na casa de uma vizinha. Fui colocando tudo na boca, até não caber mais. Ao mastigar, só senti aquele calor súbito e uma dor que ia aumentando mais e mais, como se, de repente, minha boca estivesse toda queimando por dentro. Não eram tomatinhos cereja. Eram pimentas. Corri que nem um peido pra minha casa, em busca da torneira do jardim. Ali ganhei mniha primeira boqueira. rsrs...

Enfim, adorei esta revista. A capa do Marco Palazzi é ótima! Até agora, o material publicado pela Culturama tem sido ótimo, Exatamente como era nos últimos tempo da Abril.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

[Filmes] "O Limite da Traição" e "Versões de um Crime" - com SPOILERS

CONTÉM SPOILER

Oi, pessoal! É da minha vontade comentar o que achei do filme "O Limite da Traição", tão bem comentado nos grupos da Netflix do Facebook. O filme é bom? Sim. O filme é bom para aquelas pessoas que gostam de um romance água com açúcar. Grace é uma mulher madura que está detida e, mesmo querendo ser condenada à prisão perpétua, a advogada que foi designada para cuidar do caso resolve levá-la ao julgamento. Para isso, Grace conta à advogada o que aconteceu. Nós vamos acompanhando tudo e, depois, vamos torcendo para que ela seja inocentada porque sabemos que ela não merece tal penalidade. A questão é que muita gente tem falado que o filme é imprevisível, é incrível... Não é nada disso!


Logo de cara, no comecinho do filme, somos levados a conhecer Sarah, que se apresentou como grande amiga de Grace, mas observei nas entrelinhas que ela nunca moveu um músculo para mudar a situação de Grace. Sarah sempre parecia se emocionar muito ao se lembrar da amiga, mas apostei no puro fingimento porque percebo postura corporal. Ela simulava tristeza e até certo pranto, mas seus olhos não se avermelhavam, não inchavam, a postura estava sempre sob controle a ponto de ela não deixar a advogada contemplar sua face, mas isso poderia ter sido apenas coisa da minha cabeça. Ainda tinha muito filme pela frente, mas essa Sarah e seu amor imenso me fez ficar de olhos bem abertos a cada piscadela. 

Minhas impressões se confirmaram quando Grace contou que escondeu o corpo do homem que ela achou que tinha matado e, para não ser pega em flagrante, fugiu sem rumo, mas foi informada por Sarah de que não tinha mais nenhum corpo naquele lugar da casa e que o filho dela (de Grace) tinha aparecido lá, para visitá-la e, por isso, se encontrassem de fato um corpo, ele acabaria sendo incriminado por ter entrado na casa e deixado seus vestígios. Pois é! Sarah disse que o filho de Grace esteve na casa da mãe. SARAH DISSE. Em nenhum momento eu vi o filho atuando em consonância, além do que foi apresentado na versão de Sarah. 

Então eu pensei: 

"Ela está mentindo! O filho de Grace não foi visitar a mãe." 

"E mentiu por quê? Porque foi ela quem entrou na casa, mas Grace não poderia saber." 

E por que Grace não deveria saber que foi ela quem entrou na casa? Por que ela tinha alguma ligação com o cara que Grace matou. Provavelmente, os dois agiram juntos."

Grace, no desespero, acreditou na mui amiga e resolveu se apresentar à polícia para que não incriminassem seu filho. 

BINGO! Sarah era mãe do homem que extorquiu Grace. Apesar de machucado, ele estava vivinho da silva. Foi socorrido pela mãe. Agiram juntos, o tempo todo, e o dinheiro extorquido de Grace estava na conta dela.



"Versões de um Crime" é bem parecido. Um tribunal e o julgamento de um rapaz introvertido acusado de matar o próprio pai. O jovem traumatizado se recusava a falar, então fomos ficando a par dos fatos de acordo como foram apresentados na audiência. Keanu Reeves fez o advogado de defesa do moleque, mas ele se via incapaz de atuar com a devida competência porque, segundo enfatizava, precisava que o próprio réu fizesse seu depoimento. Por isso, resolveu pedir ajuda de uma jovem parceira, para ajudá-lo a resolver a situação a favor de seu cliente, pois ele era inocente. 

Bom... era evidente que não tinha sido o rapaz quem matara o próprio pai, pois o filme já começou focando isso. Então a lógica era acontecer algo que o inocentasse. O homem assassinado era um pé no saco, fetichista violento que gostava de exibir suas estranhezas perversas pela sua mansão e de agir com desrespeito com a própria mulher na frente de todo mundo. Não se cansava de humilhá-la e de usá-la como objeto para suas depravações na frente do próprio filho e de quem quer que fosse.

A questão era que a história não tinha elementos. Tudo se focava na esposa e no rapaz. Por um momento, o filme nos lança uma suspeita sobre um vizinho amigo. Só que eu considerei estranho uma história onde o advogado mantinha presença constante na mansão da família. Não apenas por isso, mas o fato de que ele só aparecia à vontade quando estava ao lado da mulher do Brucutu. Aquilo me levantou a lebre, pois você, leitor(a), sabe que devemos estar atentos aos detalhes. Como havia o lance do vizinho, achei que era coisa da minha cabeça esse envolvimento do advogado, porém, o que confirmou minha suspeita foi quando a parceira dele resolveu interrogar informalmente a esposa do assassinado, que percebeu logo de cara que estava sendo interrogada e deu-lhe um coice. Em seguida, o advogado encontra sua parceira e diz que a mulher tinha acabado de ligar para ele e dito o quanto se sentiu ofendida e pediu que ele a demitisse do caso. Pronto! essa foi a cereja do bolo. Nenhum cliente chega no advogado e dá ordens para que ele demitia seu parceiro... a não ser que fosse alguém íntimo. Nesse exato momento, a ficha da advogada parceira caiu e a minha também. Mas ele só foi desmascarado mais tarde.

Como disse, são bons filmes. Mas não são imprevisíveis. "Visões de um Crime" me surpreenderia se fosse o próprio filho que realmente tivesse matado o pai; ou a tal da advogada parceira que, então, tivesse um passado obscuro revelado. E "O Limite da Traição" me surpreenderia se  filho de Grace estivesse por trás de tudo, apenas para ficar com a grana da mãe. Pode parecer ridículo, mas seria possível acontecer. 

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

[Miniconto] Quando Você Me Viu


Autor: Fabiano Caldeira


É.  Mais uma vez eu me sinto preterido.  A folha da árvore que é  jogada fora de seu galho porque já está  seca e não é  mais interessante mante-la entre as vigorosas. 

Eu vi você se encaminhando ao cinema.  Também  te vi um pouco antes, comprando doces e biscoitos naquela loja famosa pelas promoções de guloseimas. E te vi subindo para o piso superior, na escada rolante. 

Tão  superior quanto você  mesmo se julga quanto a mim. 

Porque, se não  fosse isso, não me viraria a cara quando, na escada, ao olhar para os lados, inevitavelmente me viu no piso onde há  pouco estivera. 

E me viu olhando você  subir. 

E eu estava contente porque você  estava subindo.  Eu queria subir também. Mas seu olhar subitamente desviado me cortou a emoção. Você estava subindo, sim. E já tinha até  chegado ao nível superior. Mas não queria que eu subisse.

Não  me queria ali, no mesmo nível que você.  Pra falar a verdade, seu gesto foi tão visivelmente grosseiro que eu percebi que não me queria nem ali embaixo.  

Você não  queria me ver. 

Em nível nenhum. 

E andou às  pressas, acolhido no nível superior, porque estava com medo. Com medo de me encontrar chegando até  você. De que eu também subisse e chegasse aonde você  estava. 

Porque você  sabe: às  vezes estou lá  embaixo, às  vezes, lá  em cima. Às  vezes, caminho à  direita. Às  vezes, vou para a esquerda. Vou onde me sinto confortável. Onde me é  possível. 

Era possível subir por aquela escada e ir onde você  estava. Mas eu não quis. Preferi a distância.  Preferi até  mesmo a diferença de níveis entre nós.  

E assim o vi sumir das minhas vistas. Eu vi que estaríamos no mesmo nível. Eu vi que estaríamos lado a lado. Porém eu me dei conta de que não estaríamos juntos, nem que fosse por um reles segundo.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

[Séries] DRÁCULA - NETFLIX


Fui surpreendido positivamente por essa série que tem apenas três episódios de uma hora e meia (cada um) que são três FILMES muito bem feitos.

Adorei a primeira temporada, por me lembrar muito do filme do Coppola.

Adorei a segunda temporada, Dracula mostrando-se impiedoso em uma alto mar.

Adorei a terceira temporada, o lance do cemitério, da cremação e o que acontece com o espírito.

Adorei também terem colocado a Van Helsing mulher. Achei os dois personagens o par perfeito, uma coexistência que deu muito certo. 

Adoraria vê-los de novo. Ah! Como adoraria! Foram adoráveis juntos.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

[Quadrinhos] Capas Interessantes - Almanaque de Férias do Cascão


Nestes dias quentes aqui de Ribeirão Preto, compartilho esta capa interessante porque, antigamente, mesmo nos dias de muito Sol e quentura, Cascão não se rendia à água. Detalhe que ele está tomando refrigerante, ou seja, ele bebe água e derivados, mas tem aversão a tudo sobre água que remete à limpeza e banho.

O Cascão de hoje ainda aparece sujinho, mas não tem mais histórias com o pessoal se afastando dele por causa do mau-cheiro, não o vemos mais à vontade na imundície com latas de lixo e moscas, nem a grande aversão à água. Pelo contrário: nesta edição da Panini (veja abaixo), Cascão aparece andando na chuva e ainda trocando ideia com a Mônica debaixo do maior pé d´água. Isso seria impossível antes.

Compreendo que a turma (super educativa) da Mônica, hoje em dia, queira tirar os maus exemplos de seus personagens principais. Acontece que personagens sem defeitos são chatos e não despertam interesse. Cascão era o melhor personagem dessa turma. A gente sabia que ele era um mau exemplo e o víamos sofrer com isso, mas gostávamos de acompanhar porque aprendíamos a não ser como ele e nos compadecíamos dele. Víamos lições de inclusão e tolerância com quem era diferente, pois seus amiguinhos o amavam, mesmo sujinho. Sem falar que todo mundo adoraria viver em um mundo onde não seria preciso ficar limpando e lavando, pegando em vassoura, rodo e pano de chão. Limpamos porque é necessário, mas é chato mesmo.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

[Reflexão] Sobre Porta dos Fundos e Carlos Vereza

Começamos o ano (ainda) com o assunto do Especial Porta dos Fundos, que gerou polêmica ao abordar com deboche de péssimo nível um dos pontos mais sofríveis de Cristo. Não vi esse especial e não pretendo tomar conhecimento tão cedo. Acontece que o barulho tem sido tão grande que é impossível não saber a causa: uma zombaria de Jesus como homossexual no tempo em que se encontrava no deserto, como se houvesse no filho unigênito de Deus uma necessidade imensa de satisfação sexual que o faria perder o discernimento sobre sua própria sexualidade
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Em 1998 eu era Mormon e fui missionário da Missão Porto Alegre Sul. Morávamos em duas duplas e um dos colegas encontrou uma fita k7 de rádio, aparentemente esquecida por algum missionário (dentre tantos) que morou lá anteriormente. Essa fita estava repleta de comentários maldosos de elderes debochando dos membros da Igreja; as gracinhas, aos poucos, foram tomando tom libidinoso e o alvo, que antes eram algumas garotas e mulheres casadas, passou a ser Cristo. Isso mesmo: começaram a fazer piadinhas e suposições sobre a vida sexual de Jesus Cristo. Fizeram muita infâmia, muita difamação e acharam muito engraçado. Eu me lembro, como se fosse hoje, de alguém falando: "Imagine Jesus Cristo fazendo um 69". Estávamos só nós quatro. Poderíamos ter feito a mesma coisa: ter rido e levado tudo na brincadeira, mas o que aconteceu foi que ficamos, os quatro, bastante surpresos e sem a menor ideia do que fazer com o conteúdo daquela fita. Tentávamos entender aonde estava a graça naquilo tudo. E o fato de ter sido um grupo de missionários como nós, causou-nos espanto e até raiva. 

Hoje, em 2020, lá vem o Porta dos Fundos fazer o mesmo tipo de bobagem. Um grupo que teria condições de produzir qualquer outra coisa, mas escolheu debochar de Cristo e ainda utilizando a homossexualidade. Fico me perguntando qual é o fundamento? Qual o propósito? Qual foi a linha de pensamento, a teoria conspiratória que serviu de base para realizarem esse tipo de produção? Parece que nenhuma dessas questões podem ser respondidas, porque o objetivo foi apenas um: a comédia pela comédia, sem nenhum outro fundamento, apenas porque acharam engraçado.

Eu, como gay, lembro-me de quando sofria bullying na escola. Um camarada achava legal me incomodar e fazer piadinhas constrangedoras na frente dos outros. Eu era conhecido como a bichinha do Bradesco. Engraçado, né? Só que eu tinha meus 11 ou 12 anos, era excessivamente gordo e não tinha roupas bonitas para usar diariamente na escola, então eu colocava a roupa que era possível. Na minha cabecinha de criança, tinha achado bonita a camiseta branca com o escrito em vermelho: "BRADESCO". Estava furada, toda torta, mas era confortável. Então me doía ser constrangido publicamente, pois eu não tinha roupas melhores. Mesmo quando eu usava outras peças, a bichinha do Bradesco continuava a existir. Essa pessoa começou a achar que era engraçado também me dar uns tapas, passar a mão na minha bunda, até que um dia eu a encurralei contra um armário e a esmurrei sem parar, até o armário de aço entortar.

O que o Porta dos Fundos fez foi a mesma coisa. E ainda usou a homossexualidade para que as pessoas perturbadas agora tenham mais um motivo para torcer o nariz quando vê um gay ou uma lésbica por aí. Ou seja: além de praticarem bullying com o que há de mais sagrado no mundo, promoveu o ódio, a intolerância e a violência contra a população LGBT já tão massacrada. Eu não sei o que o movimento LGBT pensa sobre isso, mas EU NÃO ACHEI LEGAL tratar esse tipo de assunto dessa forma. Na minha visão, esse grupo mexeu em um vespeiro enorme ao ridicularizar de forma maliciosa a fé cristã, que é a que predomina no Brasil e também uma das mais fortes, eu suponho, em boa parte da América Latina, desrespeitando todo mundo sem motivo, apenas porque acham engraçado. Para piorar, ainda fez um desserviço frente a população LGBT que já é violentada demais pela ignorância dos falso-moralistas, já sofreu muito e ainda derrama sangue por aí por causa dessa associação perigosa de homossexualidade e religiosidade.

Eu não gosto de censura. Nunca gostei. Por mais imoral que fosse, sempre defendi que não censurassem uma obra artística, seja ela escrita, desenhada ou encenada. Porém, eu espero que o Sr. Fabio Porchat (a quem assisto seu programa no GNT) tenha o bom senso de retirar esse material das mídias de acesso. E também espero que as pessoas façam como eu: NÃO VEJAM.

Pra completar esses primeiros embalos do novo ano, um vídeo do Carlos Vereza me foi sugerido pelo You Tube. Um vídeo onde ele fala do Porta dos Fundos e esse "especial". Não sei o que pensar do Carlos Vereza. Sinceramente, não sei. 

Em outro vídeo, ele se declara contra ideologia de gênero. É enfático. Mas o exemplo que ele dá, para justificar sua posição, não tem nada a ver com ideologia de gênero. O que o Sr. Vereza exemplificou como ideologia de sexo não passa de um crime de mutilação em uma criança após um diagnóstico de membros genitais atrofiados sugerido por um médico, no mínimo, com intenções duvidosas que se achou no direito de dizer aos pais que bastava retirar o pênis do menino para que ele se tornasse uma menina. Se houvesse real ideologia naquela circunstância, o homem jamais teria se suicidado, pois ele jamais teria seu pênis mutilado quando criança. A ideologia o reconhece como homem que sempre foi, mesmo que seu pênis não cresça, mesmo que ele não funcione, e mesmo depois da mutilação, a ideologia de gênero ainda o considera um homem e apoia que ele viva sendo o homem que sente que é, pois seu espírito, sua consciência, seu psicológico são todos masculinos e não precisam de um pênis. 

Não sei se prestigio sua sinceridade dolorida (já que os atores e cantores de hoje resolveram "estudar" o que declaram por aí, a fim de não perderem seu público) ou se fico assombrado por alguns instantes em que ele se mostra ignorante e equivocado. Eu preciso ver mais vídeos dele, preciso rever alguns, para assimilar direito as coisas que ouvi. Talvez, eu o tenha interpretado mal. Por enquanto, eu me sinto apreensivo, principalmente por ele ser quem é e vir de onde veio. 

Enfim... as pessoas gostam de problematizar. Pra quê mexer em assuntos tão delicados como a fé cristã? E pra quê ficar falando que é contra ideologia de gênero, se a pessoa nem entende o que é? 

Um Feliz 2020 a todos. Saúde, Paz, Luz, Proteção de Deus, Amor no coração. O resto a gente cuida de arrumar.