terça-feira, 28 de abril de 2020

[Reflexão] Livros, Desenhos e a Questão do Domínio Público

Em conversa com um prezado amigo, soube que o Mickey Mouse cairá em domínio público. Ele ainda enfatizou que eu, como desenhista, poderia desenhá-lo e até criar novas tirinhas sem o medo de ser processado. E eu achava que já pudesse fazer isso por meio das fanfics, já que os termos "fanfic" e "fanart" são atribuídos a alguma criação de algo que já existe e foi feita por quem é fã. Fui pesquisar a respeito e, mesmo na "fanfic" existe um perigo enorme do carinha que a elabora ser processado, porque ele está produzindo material com base na criação que já existe. Ele não teve autorização nenhuma para usar determinados personagens ou universo fictício. E se ele vender essa sua obra de fã, aí configura de fato o crime de infração aos direitos autorais aos verdadeiros responsáveis legais.

Um exemplo: sou muito fã de Patópolis, então farei uma historinha com meus personagens preferidos em uma Patópolis futurista. Se eu vender essa historinha a alguém (não interessa quanto), estou cometendo crime de infração aos direitos autorais que pertencem à Disney ou à família de Carl Barks (o pai dos patos), pois o dinheiro não irá para nenhum deles. Ficará comigo. Eu fiz. Eu produzi. Fiquei meses e meses nesse projeto e o vendi. Então o dinheiro é meu. Não deles. É aí que o bicho pega, pois Patópolis já existe e não foi criada por mim. O que fiz foi apenas uma nova história usando Patópolis. 

Outro exemplo: ainda que meu intuito não seja o de vender. Vamos supor que, de repente, resolvi que não quero um tostão furado. Afinal, é só uma fanfic. Sou fã e quis fazer uma historinha diferente. Foi só uma diversão. Mas, olhe, que interessante! Conheço outros fãs como eu. E minha vontade é que esse material que produzi chegue até eles, porque, sabe, tenho certeza de que vão gostar tanto, mas tanto, que vão até abaixar as calças pra mim. Não ganho um tostão, mas eles vão ler minha obra e vão achar muito foda. Sinto dizer que o processo também vale para esse caso. Apesar de não estar comercializando, estarei disseminando um conteúdo a terceiros. Um conteúdo que eu fiz, com minhas ideias, mas sobre Patópolis. Patópolis não foi criada por mim. Não tenho nenhuma responsabilidade sobre Patópolis. Então, mesmo de graça, não posso criar um conto de Patópolis e sair distribuindo por aí.

Acontece que estamos no Brasil e aqui as coisas costumam ter seus "poréns". Ainda que haja leis, dependendo da situação, ninguém vai querer perder tempo processando artista pobre que não tem onde cair morto e ocupa o tempo desenhando  o que gosta em vez de se masturbar ou fazer alguma coisa mais importante em casa. Devido a isso, E SÓ POR ISSO, é que muitas fanfics, fanarts (seja lá o que nome que deem ao trabalho de fã) são toleradas e até vistas com bom olhos, principalmente quando são bem simples, apenas um desenho, uma folha ou poucas páginas contando algo, pois elas visam a real e única intenção de homenagear um personagem ou um universo que o artista gosta.

Se eu fizer uma historinha do Bidu e sair compartilhando ela por aí, entende-se que é uma homenagem aos quadrinhos do Mauricio de Sousa. A equipe do Mauricio de Sousa pode compreender minha paixão e meu gesto de fã que cria. Quis ocupar meu tempo produzindo esse material por amor, porque cresci lendo os gibis da turminha. Mas a equipe também pode não entender nada disso e exigir que eu não mostre a ninguém o que fiz. Então, como veem, essa é uma situação bem delicada e complexa.

Para concluir a postagem, eu me lembrei que as obras de monteiro Lobato entraram em domínio público. Ele é lembrado, principalmente, pela turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Pesquisando na Internet, averiguei que já faz um ano que suas obras estão à disposição. Porém, o que eu não sabia é que o domínio público é válido para as obras existentes e não para criação de novas. Eu poderia reproduzir páginas e mais páginas de alguma historinha do Sítio, por algum motivo qualquer, e tudo bem. Não me acontecerá nada. Mas eu não poderia criar uma historinha nova do Sítio. Pelo menos, foi isso que entendi no conteúdo que li e que disponibilizo logo abaixo. O texto, na íntegra, foi retirado do site de Monteiro Lobato (veja). Um abraço!


ESCLARECIMENTO  DE DOMINIO PUBLICO

Lei de Direitos Autorais

O Art. 41 da Lei de Direitos Autorais: "Os direitos patrimoniais do autor perduram por setenta anos, contados de 1º de Janeiro do ano subsequente ao do seu falecimento, obedecida a ordem sucessória da Lei Civil."

Art. 7º “São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: I - os textos de obras literárias, artísticas ou científicas”

Isso quer dizer que a Lei de Direitos Autorais protege as obras intelectuais, textos, desenhos, músicas, projetos, fotografias de um autor por 70 anos. Apos este período a obra - texto, desenhos, musica, etc cai em dominio publico.

No caso da obra de Monteiro Lobato isso acontece em 1/1/2019.

O que é o Domínio Publico de uma obra ?

O Domínio Público é quando não incidem mais os direitos autorais sobre uma obra e a reproduçao desta obra passa a ser gratuita, ou seja, pode ser utilizada por qualquer pessoa sem receio de que seja penalizada, ou recaiam sobre ela sanções de caráter econômico, pois não estará mais violando qualquer Lei de Direito Autoral. Mesmo assim e’ sempre necessário citar o nome do autor original.

O que pode se utilizado da obra de Monteiro Lobato apos 1/1/2019 ?

Somente a obra original - o texto da maneira exata como foi escrito - por Monteiro Lobato pode ser reproduzida e utilizada sem que haja penalizaçoes.

As ilustrações não fazem parte da obra, foram criadas por outros artistas como J.U. Campos (Jurandir Ubirajara Campos), Nino, Andre Le Blanc, Belmonte, Jean Gabriel Villin, Voltolino, Kurt Wiese, entre outros e não caíram em domínio publico ainda.

Assim, é vedada a criação de novas ilustrações e aplicação aos textos originais de Monteiro Lobato que ja houverem caído em domínio publico e a sua publicação poderá vir a ser caracterizada como cópia ou semelhante a obra derivada/personagens criada e produzida pela TV Globo, o que significa que nestes caso haverá infração de direitos. Os infratores serão processados.

As obras derivadas feitas para televisão vão para domínio publico ?

Não, as obras derivadas produzidas pela TV Globo serie ou desenho animado e seus personagens tem um período de proteção de 70 anos a partir da primeira exibição destes, 1977, 2002 e 2012 em desenho animado.

domingo, 26 de abril de 2020

[Quadrinhos] OS ANOS DE OURO DE MICKEY 1933-1934

Hoje quero compartilhar um pouco dessa publicação que se chama "OS ANOS DE OURO DO MICKEY". A data 1933-1934 refere-se ao ano em que o material foi publicado pela primeira vez em algum lugar do mundo. Para mim, mesmo tendo sido lançando em 2018, é inédito, já que nunca tinha visto nada desse conteúdo antes.

O bom de ter muitos gibis é poder escolher qual deles quero dar uma olhada quando estou de bobeira. Qualquer dia eu posto as capas dos encadernados de luxo que tenho da linha Disney, mas já aviso que não são muitos.

Lembro que adquiri esse e mais dois, logo após ter feito a coleta de sangue no Hospital das Clínicas - um procedimento padrão, necessário, cerca de duas a três vezes ao ano.

Muita linda essa apresentação. É uma pena que tenho que diminuir a resolução das fotos para colocar aqui, pois o banco de imagens do Google não cobra espaço nas imagens com menos de 2048 pixels no lado maior. Então a qualidade dos traços nos desenhos e balões, por exemplo, acabou ficando aquém do que realmente se vê de verdade, mas eu sei que é possível obter uma excelente visão do produto. Por isso fiz questão de compartilhar.

O que segue são páginas informativas a respeito do que se encontra nas tirinhas, explicando o conteúdo histórico, como o cavalo Tapioca, por exemplo, que é difícil de ser adestrado porque ele não está nem aí com nada. Dois golpistas o venderam para o Mickey fazendo-o crer que ganharia corridas, mas o pobre bichinho não é nem de longe um animal com preparo para tal. A ideia dessas tirinhas foi inspirada em uma animação curta-metragem que é onde aparece esse cavalo. Confesso que nem sabia desse desenho animado. 

Então vemos bastante informação dos personagens que aparecem, com datas de produção e créditos de autoria (ou publicação inicial), trazendo também algumas curiosidades. Por exemplo: o Donald já foi impresso com penas amarelas nas publicações dominicais de um jornal italiano que fazia isso porque era acostumado a usar cores alegres e vivas em suas impressões e, por isso, não se sentiam motivados a seguirem à risca a colorização padrão dos personagens. Naquela época, as luvas dos personagens não precisavam aparecer brancas e estava tudo bem porque aquele meio de comunicação, afinal, era assim.
Agora, não tenha dúvidas de que o melhor desse encadernado são mesmo as tirinhas, todas muito lindas e colorizadas, o que achei maravilhoso, pois eu gosto assim - bem mais alegre e divertido. Olha só, que belezura, o Mickey e a Minnie barrigudinhos! Os braços e pernas são bem magrelos e as situações vividas não se parecem nada com as de hoje em dia. Aliás, o Mickey foi o personagem que mais mudou em termos de comportamento. Atualmente, nos quadrinhos, Mickey é um morador de modos exemplares em um bairro de Patópolis, distante de Donald e toda a família pato. Por isso seu convívio é com Minnie, Pateta, Clarabela, Horácio, João Bafo-de-Onça, etc. Mas esqueça tudo isso, pois aqui vemos os seus primórdios, sua composição mais pura quando ainda nem existia cidade alguma de gibi.

Aqui, Mickey é bem mais atrevido e audacioso, comportamento típico ao roedor o qual lembra sua imagem. Nesta página, por exemplo, ele recebeu um dinheiro e quer levar Minnie para passear. Ela acha prudente que ele poupe a grana, pensando no amanhã, mas o rato quer porque quer se divertir com ela.  Tentando convencê-la de que não gastará tudo em bobagens, ele a convida para irem a um parque, mas decidem pular um muro alto em vez de entrarem como todo mundo. Um guarda os aborda e quer saber porque escalam a cerca. Ambos ficam temerosos e, em seguida, ficam sabendo que a entrada é gratuita. A última tirinha mostra o casal já se divertindo em uma barraca de adivinhações. Mickey precisa adivinhar em qual das três conchas se esconde a pérola. Ele escolhe a do meio e o homem, de praxe, começa a lamentar porque ele escolheu errado. Entretanto, Mickey, antes do homem, levanta as duas conchas laterais de uma só vez e então diz: "Não está na pontas... Então só pode estar na do meio!". O último quadrinho mostra ele saindo com o dinheiro do prêmio e o homem da barraca contrariado porque quis se meter a espertinho, mas Mickey era, de fato, um rato.
As duas páginas seguintes mostram quando Mickey conversa com Minnie sobre o prêmio da corrida de cavalos. Dois trambiqueiros ouvem tudo e se aproveitam ao apresentarem o pangaré como se fosse um campeão. Mickey acredita e faz negócio com eles, porém, ele não consegue preparar o cavalo da maneira que tinha imaginado. Trata-se daquela historinha que mencionei no começo da postagem, sobre o cavalo Tapioca e que foi inspirada em um desenho animado. 
Essas páginas eu cliquei de forma aleatória, só para mostrar como é esse encadernado por dentro. São aventuras em forma de tirinhas. E pode acreditar: são muitas e muitas páginas porque, como se vê na foto do índice, há várias aventuras. Bem que eu poderia ter fotografado uma quantidade maior, mas, no momento, este é o material que compartilho agora. Foi bem legal trazer essa edição toda especial pra cá. Estou muito feliz por ter esses quadrinhos comigo.

terça-feira, 21 de abril de 2020

[Poesia] Arroz, Feijão e Ovo

Após o pão com margarina, vem o arroz com feijão, meu prato mais querido. Assim, juntos, em complemento.

E não é feijão com arroz. É arroz com feijão. Feijão com caldo. Caldo de bacon

E o ovo! Delícia! De novo!
Uma coisinha branca com amarelo cremoso e salgadinho, do jeito que eu gosto.

Como a tua pele no fim do dia, antes do banho, quando eu te provo.

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Autor: Fabiano Caldeira

domingo, 19 de abril de 2020

[Filme] O POÇO - Minha interpretação - COM SPOILERS


Vamos lá! Quero dizer aqui o que achei deste filme. Já aviso que terá SPOILER, então, se você não viu o filme, não leia esta postagem (a não ser que você não se importe e até goste). 

Quero falar aqui para quem já conhece, já viu a coisa toda. É foda, né? É muito foda você se candidatar voluntariamente a um lugar que sequer sabe como funciona, mas acha que sairá de lá uma pessoa melhor. Daí você percebe a cilada em que se meteu e que talvez tenha acabado com sua própria vida.

A pergunta: Quem é o louco que vai ficar nesse tipo de lugar? Bem... Nada mais me surpreende neste mundo. Partindo do princípio de que é um local misterioso e não há muitas informações como funciona, acredito que muita gente tenha curiosidade. Mesmo sabendo que, uma vez dentro, não será possível desistir, terá que cumprir com a missão, haja o que houver. Na verdade, esse tipo de coisa até instiga. 

E só vi verdades neste filme. Principalmente com o fato: Não fale com os de cima. Quem está lá em cima pouco se importa com os de baixo. Não fale com os debaixo, porque eles estão lá embaixo. Uma porcaria de pensamento facilmente contestável para lacradores de redes sociais. Porém, uma grande verdade para quem gosta de refletir sobre a vida como ela é. 


Fiz a postagem apenas para compartilhar meu entendimento dessa obra. A primeira vez que assisti, achei tudo muito diferente, meio louco e esse impressionismo me impediu de degustar a trama como deveria. Olhei como um filme impactante. Na segunda vez, já sabendo do efeito impressionista, consegui me atentar mais à situação, à trama, aos detalhes do roteiro que antes não foram absorvidos por causa do efeito visual. Então tive uma outra conclusão dessa história. Vou compartilhar as duas:

Na primeira vez - O filme deixa claro que crianças não são aceitas naquele lugar. Mas surge uma menina no último nível. Em momento nenhum sabemos como ela foi parar lá, nem há quanto tempo. Concluí que a menina tinha sido colocada ali, um pouco antes de eles chegarem. Afinal, eles eram monitorados o tempo todo. Tanto que havia penalidade quando alguém decidia pegar uma fruta para comer mais tarde. Era permitido comer apenas enquanto a plataforma estivesse ali.

A comida jamais chegava àquele nível. Então era tecnicamente impossível que uma criança sobrevivesse muito tempo ali. Mesmo com Baharat e Goreng se empenhando ao máximo para que toda a alimentação da plataforma chegasse a todos os níveis, quando atingiram aquele, a única coisa que tinha era uma panacota. Uma pequena panacota, que é um tipo de pudim gelatinoso.

Na segunda vez - Aquela criança nunca existiu. Baharat e Goreng não chegaram ao último nível. Isso porque, um pouco antes, houve uma tremenda briga com uns caras que já se encontravam em um grau elevadíssimo de selvageria. Eles precisavam comer para sobreviver. Por isso não aceitaram o regime imposto e mataram os dois. Vi quando Baharat foi cortado. Goreng morreu em seguida, estrangulado.

Sendo assim, não sabemos se a panacota realmente foi preservada (provavelmente, não), nem quantos níveis, afinal, havia de fato. Tudo o que aconteceu depois daquela luta foi mera ilustração da consciência de Goreng, de como ele gostaria de ter se safado daquela situação e concluído a missão. É uma pena, mas acabei chegando a essa conclusão. 

O filme tem tido várias interpretações. Achei isso positivo. O que eu gostei mesmo foi daquela plataforma indo e vindo sem um cabo de aço, sem uma engrenagem, nada. Achei sensacional. Quem explica? E precisa explicar? Ela é assim. Acabou! Um chute no estômago de quem procura lógica e explicações. Adorei. kkkk..

Tenho gostado da Netflix. É verdade que tem muita coisa ruim. Aliás, ruim é pouco! Tem uns filmes lá, que dá vontade de esmurrar o diretor, de tão besta. Mas há dias que também estou assim tão besta, então tá tudo certo. Na verdade, eu não sabia que a produção espanhola tinha mais a oferecer do que Pedro Almodôvar. Gosto dos rostos diferentes, do padrão um tanto "aquém" à atmosfera norte-americana ou britânica. Dia desses vi a série Toy Boy, também espanhola, e me diverti com o clima a la Usurpadora. Talvez, se tivessem levado nos moldes de blockbuster, não teria sido tão legal. 

E o melhor de tudo é que Netflix me faz lembrar dos tempos em que ia à locadora e ficava vendo aquela tantada de filmes e séries à disposição. Muitos deles inúteis, mas eis que a gente encontra algo que talvez interesse. rsrs... Bem que poderiam criar um balconista de inteligência artificial pra conversar com a gente e dar dicas, ressuscitar um pouco os que trabalhavam nas locadoras. Seria bem legal se tivéssemos essa opção.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

[Quadrinhos] Magali e Sua Revista de Aniversário

Remexendo nos meus gibis antigos, escolhi essa revista da Magali para ler e qual foi minha surpresa ao me deparar com uma edição de aniversário. Essa Magali n° 13 é da segunda série (após chegarem ao número 100, a numeração se reiniciou) e na página 2 tem um informativo sobre a revista do Cebolinha que passou a conter 84 páginas. Esse informativo foi colocado em todos os títulos dos gibis da turminha que foram às bancas em Maio de 2016. Curioso que a tirinha que tradicionalmente encerra a revista também foi comemorando o fato da revista do Cebolinha ter mais páginas. E a contracapa, em vez de alguma propaganda, foi um desenho de continuação ao da capa, fazendo com que os dois juntos formassem uma piadinha. Isso eu achei legal.
A edição começa pela longa HQ "Um Aniversário Cheio de Surpresas", onde Magali acha que receberá muitos cumprimentos, mas leva um ignore total dos coleguinhas. Ela chega a pensar que aquilo fazia parte de uma festinha surpresa, que eles estavam apenas fingindo, mas logo ela se abala com a frieza deles e começa a ficar triste. Uma fadinha que não conseguiu ser escalada para ser a Sininho do Peter Pan (por ser o oposto do perfil) fez sua pontinha nessa HQ, fazendo com que pessoas desconhecidas procurassem pela Magali e a envolvessem em uma missão importante onde ela ganhava alguns acessórios que tinham uma finalidade específica até encontrar uma menina agente que receberia seu pacote e o entregaria a uma suposta rainha. O pacote guardava um par de óculos novos e, ao ser questionada da importância daquilo, a menina agente falou que a rainha precisaria deles para ler novas histórias aos meninos da Terra do Quase Nunca. Aquela em que não verá um tostão de royalties da MSP. Magali volta para a casa, tão cansada das coisas estranhas naquela missão, que até se esqueceu de seu aniversário. Ao entrar, levou uma baita susto quando viu o povo todo reunido em uma festa surpresa. Magali ficou muito feliz e, enquanto a festa corria normalmente, alguém a chama lá fora. Ela vai ver quem é e se depara com uns garotinhos estranhos e logo deduz que são as crianças da Terra do Quase Nunca que estão perdidas (mas na verdade vieram forrar o estômago, já que não receberam os royalties). 

Essa coisa dos royalties não existe na historinha, foi uma brincadeirinha minha, já que a MSP vive forrando suas revistas com "homenagens" a outros universos de personagens sem gastar um centavo nisso, pois são meras "homenagens". Mas vai VOCÊ fazer um desenho mal feito e colocar em frente ao seu cachorro-quente, pra você ver. Eles te processam. É um direito deles, mas usaram referências à fábula de Peter Pan para o desenvolvimento integral dessa HQ, então eu não quis perder a piada. Só isso.

Outra HQ de aniversário tem apenas uma página e é com a Magali, Cebolinha, Cascão, Mônica e Denise em volta do bolo na hora do Parabéns. Tem apenas três quadrinhos. Eles cantam parabéns, Mônica pede para ela fazer um pedido ao apagar a velinha e o último quadrinho mostra ela dizendo que o pedido já foi atendido, toda satisfeita porque comeu o bolo inteiro de uma vez. Essa é a Magali. Legal!

Agora, uma HQ que achei interessante foi "Mordidinhas", que é com o Mingau dando mordidinhas nas pessoas. O leitor vai aprendendo que os gatos fazem isso, geralmente, porque estão felizes. Achei uma boa ideia ensinar esse tipo de coisa, já que cães e gatos possuem comportamentos distintos e muita gente espera que os gatos deem os mesmos sinais que os cães. A arte está maravilhosa, coisa linda de se ver. Mérito de Altino O. Lobo (desenhos) e Marcos P. da Silva (arte-final).

Outra que gostei muito foi "Insuportável", também com Mingau mostrando que os gatos, às vezes, ficam atacados. O que é isso? É um grau de euforia que os bichanos tem, como se fosse uma descarga de adrenalina. Então eles necessitam fazer alguma coisa. E a questão é que essa "alguma coisa" nem sempre é boa para a família. Na historinha, ele atrapalhava Magali a montar o quebra-cabeças. Seria bom se ela tivesse a mesma arte da outra historinha dele, mas a arte dessa também foi legal, dentro dos padrões atuais.

Mais uma que gostei bastante foi "O Docinho Que Criei Pensando Em Você", onde Magali está na panificadora da família do Quinzinho, seu namoradinho gordinho e bobinho. De repente, o pai dele revela que o menino criou um docinho em homenagem a ela, deixando-o sem-graça. Magali até tenta, mas não consegue adivinhar qual é. Quinzinho acaba tendo que ajudar o pai e, quando volta, Magali tinha comido uma porção de docinhos que estavam contados para uma encomenda. Então ela descobre que aqueles eram os docinhos que ele tinha criado, mas não curtiu muito o nome: "esganadinhos". 

Tenho visto críticas de amigos, leitores veteranos como eu, e me solidarizo com todos eles. Sei o que sentem e como seria legal mais produções "do nosso tempo". As mudanças recentes não agradaram e temos esses direito. O direito de nos expressar que não gostamos. Porém, a turma da Mônica sempre muda. A própria foi criada em 1963 e, na sua primeira revista, em 1970, já estava diferente. E mudou mais até os anos 80.

A revista tem outras HQs. No geral, é uma edição muito boa. Costumo não apreciar tanto as edições de aniversário, mas gostei dessa. A Magali tem um universo próprio de personagens, o que é bem legal e a diferencia dos demais. Chega a ser como  o Chico Bento em seu mundinho lá na Vila Abobrinha.

Está na cara que a turma da Mônica não é mais para pessoas como eu, com 40 e tantos anos. Uma vez alguém achou lógico a Mônica usar calçados. Lógico? Com um dinossauro filhote com olhos gigantescos filosofando, cachorro azul e outro amarelo em forma de ovo, elefante verde, astronauta que viaja dentro de um círculo gigante e vive encontrando seres extraterrestres? É sério que o amigo quer colocar lógica nesse mundinho? Sou de uma época em que desenhos eram divertidos. Não lógicos.

Talvez a geração de hoje seja completamente diferente. Talvez os novos leitores queiram e exijam a lógica em tudo. Talvez eles queiram o Cascão tomando banho, a Pipa emagrecendo, A Tina cada vez mais jovem e menos reflexiva/conselheira, a Mônica mais boa praça e sem força. Talvez a nova geração esteja adorando tudo isso. Compreendo e até aceito. Afinal, não é mais para mim. 

Porém, existe algo que observo. Já faz algum tempo que essa turminha vive de muletas. Sim. As muletas andam cada vez mais constantes. As muletas as quais me refiro são as tais "homenagens" e "lembranças" de personagens e universos que não são da MSP. A Disney, a DC, a Marvel e vários outros, nenhuma dessas empresas fica "homenageando" a turminha, mas a turminha vive fazendo historinhas com eles e até sobre eles. Espero que turma da Mônica volte a caminhar sem as muletas.


sábado, 11 de abril de 2020

[Livros] Ricardo e Vânia

Publicação de 2019 - Editora Todavia

Achei este livro "escondido" em uma prateleira simplória estrategicamente colocada embaixo de uma das escadas de pouco acesso da biblioteca municipal recém-inaugurada Sinhá Junqueira, que funciona no centro de minha cidade, Ribeirão Preto. A impressão que tenho é que foi colocado lá de propósito. Conheço Ribeirão Preto. As pessoas daqui adoram certas modernidades ao mesmo tempo em que fazem de tudo para esconder outras embaixo de tapetes, de escadas, atrás da porta, em casebres etc.

Achei que encontraria uma historinha de ficção e, de repente, me dou conta de que é um documentário envolvendo uma pessoa conhecida como Fofão da Rua Augusta. O nome verdeiro dele é Ricardo Correa da Silva e o apelido veio dos tempos em decadência onde uma pessoa maldosa o via com frequência na Rua Augusta (bem conhecida em São Paulo) e associou sua face à do Fofão, um personagem extraterrestre da Turma do Balão Mágico. Fofão tinha cabelo chanel, nariz pequeno e bochechas caídas que mais pareciam duas bolas de tênis que se penduravam no rosto. Comparar um ser humano qualquer ao personagem é pejorativo.

O livro tem cento e noventa páginas. Cem delas é com o autor (Chico Felitti, jornalista e escritor) contando como Ricardo Correia (Fofão) cruzou seu caminho meio que por acaso e, intrigado, sentiu-se motivado a investigar mais sua vida. Aquele pobre homem que já tinha sido internado várias vezes como desconhecido porque vivia nas ruas como um Zé Ninguém morava, antes, em Araraquara com sua família e foi para a Capital como um cabeleireiro de sucesso atendendo todo tipo de pessoa e colecionando clientela admirável (uma delas, Ana Maria Braga, nos tempos da Record), sendo muito requisitado na área.

O autor nos conta muita coisa sobre a vida dele em família através de depoimentos recentes dos próprios irmãos. Um deles ainda mora em Araraquara. O outro, o via várias vezes em São Paulo, em uma das várias vezes em que estava internado como desconhecido. Queria levá-lo consigo e oferecer-lhe uma vida menos ordinária, mas as tentativas foram em vão.

As outras noventa páginas focam em pessoas que conheceram Ricardo,  o que elas achavam dele e alguma história que tinham para contar. Gente de Araraquara, São Paulo e até Paris. Pois é! algumas pessoas de Paris conheciam Ricardo de um passado onde viviam a mesma realidade das noites em bares e boates LGBTs nos anos 80 e 90. Uma dessas pessoas é Vânia, que teve um relacionamento de dez anos com ele e subitamente o abandonou, focando em sua operação de mudança de sexo e na permanência em Paris. 

O livro dá a entender que ela foi o grande amor de Ricardo. Na época, ambos eram apenas dois rapazes alegres e muito parecidos um com o outro. Havia quem pensasse que eram gêmeos. Pelo que li, Vânia parece estar muito bem em Paris, atualmente. Bem melhor do que se estivesse no Brasil. Ela não fala em voltar e o autor dá a entender que ela irradia satisfação onde está. Foi triste o momento do documentário em que ela conversou com Ricardo (novamente internado) através de uma chamada de vídeo do celular do autor. Eu sabia que aquela seria a última vez em que se veriam e se falariam. 

Para mim, o livro acabou quando Ricardo morreu. O autor deve ter pensado que cem páginas era pouco para contar a ascensão, apogeu e queda de um grande cabeleireiro que foi levado ao submundo por conta de sua esquizofrenia. O livro é ótimo, chega a emocionar a gente, mas só até a sessão de fotos que, por sinal, é interessante. Aconselho Chico Felitti a reeditar seu livro, retirar essas noventa páginas e inserir os depoimentos de Vânia sem fragmentá-los em mil pedaços. 

De qualquer forma, considero uma grande leitura. Que bom que alguém eternizou nestas páginas a existência dessa pessoa. Eu me emocionei.

domingo, 5 de abril de 2020

[Livros] SALVE ÀS ORCAS

A PORTA DE ENTRADA PARA 
A VIDA ETERNA É A MORTE
Este é um conto triste de uma jovem que deveria fazer tudo nessa vida, mas tem uma mente torta com valores distorcidos que a levam para o abismo. Como há poucas páginas, não direi mais nada. Neste caso, de acordo com a situação que li, não considero desleixo da mãe e nem responsabilizo ninguém a não ser ela própria e (é claro!) quem está por trás dessa onda de baleia azul. 

Deixarei uma sinopse que está no site da Amazon. Francis Graciotto tem Facebook e Instagram onde promove suas obras. Considero que vale a pena segui-lo.

Sinopse: “A porta de entrada para a vida eterna é a morte.”
A mensagem vinda de um número desconhecido no meio da madrugada seria uma piada de mau gosto para a maioria das pessoas, mas Sasha, sobrevivente do jogo baleia-azul, esperava por isso há anos. Esse é o seu chamado para a próxima fase. O mundo está prestes a conhecer o Projeto Orca.


[Quadrinhos] Pateta n° 7 - Culturama

Clique aqui para ver dados técnicos
 de toda a subsérie
Normalmente gosto muito das revistas em quadrinhos do Pateta. Porém essa edição não me empolgou como de costume. Deve ser o efeito quarentena ou devo estar ficando velho e cansado dos quadrinhos que tanto leio. 

Ela abre com a HQ "O LIVRO DA RIQUEZA" que expõe uma boa lição sobre o que devemos considerar tesouro. 

Nessa HQ vemos Pateta atacar de escritor e escrever suas histórias de ficção e relatá-las a Mickey. Essa trama faz parte de uma subsérie intitulada "As Quartas do Pateta", produzida na Itália, em 1995, onde ele sempre escreve uma ficção e nós a lemos em forma de quadrinhos. Essa é a nona história da subsérie e é aí que vou mostrar um fato curioso. Vamos lá!

Esta é uma produção fechada em 34 HQs com cerca de 30 páginas cada. Foi isso que me mostraram os dados onde pesquisei. A nona HQ está nesta edição, mas a oitava nem foi publicada no Brasil. Nem mesmo a sétima. A sexta é que foi colocada pela primeira vez em um Almanaque Disney de 1997 e depois republicada em outro título. Ou seja, uma das partes é publicada e republicada enquanto várias delas permanecem desconhecidas de nós até hoje, 25 anos após. A gente (que é leitor) nem perceberia essas coisas se não fossem sites de dados como o INDUCKS, que nos fornecem os detalhes técnicos dessas historinhas. 

Eu penso que essa subsérie deveria ser colocada na íntegra. De preferência, em uma edição focada nela. Suponho que essas produções italianas não despertem tanto interesse quando as clássicas. Portanto, preparar um especial dessa subsérie seria o mesmo que investir em uma porção de material que ficaria encalhado. Porém, tudo depende de estratégia: se produzirem encadernados de luxo com capa dura, acredito que realmente encalhará. Mas, se fizessem edições modestas como tivemos, por exemplo, os Almanaques Temáticos, que duraram alguns anos e foram bem recebidos pelos leitores, acredito que a aquisição será tão boa que haverá quem espere outros temáticos com mais subséries.

Suponho que seja uma questão de iniciativa. "Alguém" teria que ter essa boa-vontade, o que seria até uma dose de coragem, haja vista que essa editora vem ganhando antipatia dos leitores disneyanos por causa de bobagens. Quem sabe a Panini se interesse em lançar alguma edição decente, o que suponho ser pouco provável porque, como disse, essas historinhas italianas com o Pateta são legais, mas não o suficiente para alavancar vendas. Porém, se ela souber como fazer, quem sabe, obterá um percentual satisfatório. Quem sabe?

"NO MUNDO DA LUA" é a HQ que vem a seguir. é uma típica historinha de miolo que nós, leitores veteranos de gibis, costumamos encontrar nas revistinhas. É legalzinha e com uma arte maravilhosa. Nela, Pateta fica o tempo todo usando um celular e deixar de aproveitar o belo passeio com Mickey.

"INDIANA PATETA E A ASSUSTADORA LENDA INUÍTE" conclui esta edição com um personagem que há quem goste muito: o Indiana Pateta - arqueólogo parente do Pateta que se mete em trapalhadas durante suas expedições. É uma versão debochada de Indiana Jones (Ahhh! Jura? Nem precebi!). Confesso que não li essa trama porque não me senti motivado. Nada nela me atraiu, então não tenho como classificar se é boa ou não. 

É isso. Acredito que há colegas que tenham gostado muito. Para mim, eu gostaria que fosse diferente.

Nesta quarentena eu ando lendo mais do que o habitual. Considero isso como um fato positivo. Porém, não falarei de muitas dessas leituras porque considero que só algumas merecem ser compartilhadas. Portanto, se expus algo aqui, ainda que com críticas, é porque considero que pode ser bom para alguém. Eu posso não gostar, mas outra pessoa pode adorar. É assim que as coisas são.

Desculpem a falta de imagens. Um abraço carinhoso e até a próxima postagem.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

[Quadrinhos] Editora de Quadrinhos tem Atitude Lamentável


Há alguns dias, um amigo me comunicou que a Panini está processando um homem que faz caixas temáticas com personagens de quadrinhos. Essas caixas são feitas para que os colecionadores dessas respectivas revistas pudessem guardá-las. 

Há muitos leitores assíduos de quadrinhos que consomem vários títulos, todos os meses, e essas caixas são muito legais e práticas para acomodarem as revistas. Fui informado de que não existe esse tipo de produção no país. Que esse homem é o único que as fabrica, então, não vi sentido ele ser processado, já que está fazendo um bem a todos os que consomem os quadrinhos da Panini.
Depois foi a vez do Daniel, do site A GIBITECA, anunciar que recebeu um comunicado estranho que pedia para que fosse retirado de seu site todo material referente à Panini. Daniel ficou muito assustado, pois A GIBITECA existe há anos e sua única finalidade é a de ser uma biblioteca de gibis.

O acervo é bom, possui revistas em quadrinhos de várias épocas diferentes e, para que essas revistas entrem para o acervo, há um trabalho árduo de muitos colabores que restauram esses quadrinhos com devido capricho e esmero. Pelo que eu sei, fazem por amor à arte, por paixão aos quadrinhos. Fiquei surpreso e é da minha vontade que A GIBITECA permaneça firme e forte na web, pois ela existe até hoje graças aos colaboradores.

Agora é o Guia dos Quadrinhos que me deixa abismado ao compartilhar publicamente um comunicado oficial da editora. E fiquei mesmo abismado porque, no meu entendimento, o Guia dos Quadrinhos sempre foi uma espécie de arquivo das publicações. Por exemplo, você digita no Google: "Bolinha 57", e logo vem o link do Guia dos Quadrinhos. Você acessa o link e o site te mostra a capa da revista do Bolinha n° 57, em que ano foi publicada, por qual editora, quanto custou (a moeda vigente na época), quantas páginas possui e o título das historinhas. 

É isso o que o Guia dos Quadrinhos faz. Ele é um grande arquivo catalográfico das publicações. E esse arquivo só é mantido até hoje porque os próprios colecionadores, ou seja, o próprios leitores é que depositam as capas e todas as informações sobre as revistas que possuem. Nós, leitores, consideramos de extrema importância que haja sites como o Guia dos Quadrinhos, que preserva as memórias técnicas dos gibis. Seu conteúdo é histórico e informativo. E é mantido, Graças a Deus, pela colaboração dos leitores. Não prejudica em nada a Panini. Só faz bem!

Da minha parte, como leitor de quadrinhos há décadas, só tenho a lamentar essa atitude da Panini. Antes deste blog, tive o SOCIALIZANDO HQ e o BLOG DO URSO, ambos focados nos quadrinhos porque eu queria compartilhar o que sentia ao ler minhas revistas, o que eu achava delas e incentivar as pessoas a lerem também. 

Este blog também aborda quadrinhos, mas agora incentivo os livros e os e-books. Apresento, aqui, o que me atrai à leitura, o que leio ou gostaria de ler. Meus comentários são sinceros e espontâneos. Não sou alguém "plantado" para beneficiar esta ou aquela editora. Nada contra, mas não sou assim.

Lamento a atitude da Panini e me solidarizo com esse pessoal, em especial ao Guia dos Quadrinhos, pois já precisei (e precisarei) do site em muitas de minhas postagens. Não me importo com a logomarca porque entendo a importância do crédito ao serviço que desempenham. É da minha vontade que o Guia dos Quadrinhos permaneça firme e forte como o belo site informativo, útil e divertido que é.