segunda-feira, 13 de julho de 2020

[Miniconto]

A vida é como aquela peça de cerâmica ou de vidro (tanto faz) que a gente tanto precisa e sempre está à mão para ser utilizada. Quando ela se quebra, a gente junta os caquinhos em vez de jogar tudo fora, porque precisamos dela e juramos que tudo voltará a ser como antes, embora saibamos que não.

E sucessivamente vamos quebrando e recolocando os cacos, quebrando e recolocando... E nada se compara à pureza da peça original quando estava em seu pouco tempo de uso. A vida nova, quase virgem, é tão mais precisa e natural, porque não há os cacos quebrados. Ela está inteira, íntegra. Sem ter o que consertar.

É por isso que as crianças geralmente têm uma espontaneidade fora do comum ao expressar seus sentimentos. Um bom exemplo é o de uma vez, quando alguém perguntou ao menino o que era o amor. Sua resposta naturalmente veio com um brilho no olhar ao expressar que o amor é algo simples, prático e sereno.

-- É dar um pedaço do meu lanche -- ele disse -- mesmo sabendo que ela não está com fome. É sorrir para ela quando não tenho vontade. É estar junto dela porque... porque... porque sim!

--------------

Autor: Fabiano Caldeira


13 comentários:

  1. Olá, Fabiano!
    Seu conto me lembrou das conversas com pessoas mais velhas em que elas dizem que conforme os anos passam, o fardo torna-se mais pesado e o brilho nos olhos diminui. Acredito que é preciso muito jogo de cintura pra, ao longo dos anos, a gente "juntar os cacos" sem se machucar ou perder o ânimo.

    Sou nova por aqui. Se quiser dar uma olhadinha: https://latibuloinefavel.blogspot.com/

    Com carinho,
    Maju

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Maju! Em breve farei uma olhadinha sim. Assim que desocupar-me de algumas coisas aqui.
      Obrigado pela visita e a reflexão que considero bem essa mesmo, como você colocou.
      Um abraço. Boa semana, querida.

      Excluir
  2. Título do miniconto: Miniconto. Perfeito.
    Abraços!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Foi um deslize!!! Mas agora não sei se deixo assim ou arrumo um nome.

      Eu, F. 42 anos, Promíscuo e Pateta...

      Excluir
  3. Oi, Fabiano! Muito bom o conto, muito embora seja a primeira vez que vejo um escrito chamado de "Miniconto". A propósito uma das indelicadezas e ignorância de um ser adulto é, não ver o mundo como as crianças o veem, se os adultos ( maioria ) assim o fizesse, seria tão mais simples. Parabéns pelo conto, pois mostra-nos uma reflexão que às vezes esquecemos de refletí-la. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É, creio que foi mais uma reflexão mesmo. Obrigado, Luciano.

      Excluir
  4. Olá, Fabiano.
    Acredito que está mais para uma reflexão do que um miniconto hehe. E eu nos altos dos meus 39 anos sempre estou refletindo sobre essas coisas. É tanta coisa que vai quebrando ao longo da vida e nunca mais volta a ser como antes. E por vezes penso que queria volta no tempo. Mas dai lembro que sou o que sou hoje por tudo o que vivi e mudo de ideia hehe.

    Prefácio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, é mais uma reflexão. Acredito que estamos suscetíveis a erros e momentos infelizes. Alguns nos ensinam algo e outros apenas nos transmitem a expiação.

      Viver é correr riscos. Risco de errar, risco de defender algo e se arrepender depois, risco de fazer coisas que depois vimos que poderíamos não fazer, risco de nos desiludir, de nós decepcionar, de não achar mais graça nenhuma em nada.

      Hoje entendo um pouco meus avós que traziam seus olhares serenos e não transmitiam mais aquele impacto emotivo de se surpreenderem ou de algo tão bacana. Não é que eles não sintam. É a maneira de sentir, após várias décadas de vida, que se torna diferente.

      Excluir
  5. Olá Fabiano,
    Gostei, leva a reflexão...
    Tantas coisas que quebram e temos wue continuar vivendo, mesmo quando as trincas ainda estão aparentes...
    Abs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bem isso. A vida sempre segue em frente. Temos que seguir também, do jeito que for possível.

      Excluir
  6. Quando crianças vemos tudo com um olhar mais novo e natural de forma simples, conforme crecemos passamos a pensar demais e as vezes so viver já é o suficiente. Adultos esquecem de viver, ums são: trabalho, come, dormir; isso aos poucos destroi

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente. A gente vai crescendo e tendo nosso universo ampliado e um catálogo de coisas a buscar e fazer, Isso tudo mexe conosco e nem sempre é da forma ideal.
      Um abraço, amigo!

      Excluir