segunda-feira, 31 de agosto de 2020

[Livros] Nosferatu - Joe Hill - Spoilers

No começo da história, acompanhei a pequena Victória McQueen e sua bicicleta Raleigh, que a transportava a um mundo imaginário através de uma ponte toda murada e coberta -- mais parecida com um estreito túnel, só que exposta ao ar livre. Essa ponte realmente existiu um dia, mas, com o tempo, passou a fazer parte apenas do imaginário da menina que era sensível demais para saber lidar com as brigas frequentes do relacionamento desgastado de seus pais.

Acontece que as viagens de Victória, ou Vic (como é chamada em quase toda a trama), um dia, a botou numa cilada e fez com que conhecesse pessoalmente um homem que era a lenda urbana em pessoa. Além de correr o risco de nunca mais voltar para casa, seus pais a viram toda machucada e decidiram que estava na hora de darem um fim àquele que vinha sendo o combustível de seus voos -- a Raleigh companheira de jornada desapareceu. Vic, tão atordoada na época, preocupou-se tanto em salvar a própria pele que só se lembrou da bicicleta certo tempo depois. Ficara muito triste em constatar que não mais teria por perto seu objeto de fuga. Outra foi comprada, mas houve resistência em aceitá-la.

Vic foi crescendo e muita coisa acontecendo. Seus pais se separaram e ela ficou com sua mãe na casa. O que já não era fácil tornou-se uma via sacra, especialmente pelo fato de não poder mais se refugiar nas suas jornadas.Um dia ela encontra sua Raleigh -- não era uma bike da mesma marca, não era uma bike igual à que tinha, mas era a própria Raleigh de quando era uma pirralha. A bicicleta, antes tão grande, agora tornara-se pequena. Ainda assim, Vic se atreveu a andar nela. E assim a moça se dispôs a encarar uma nova aventura imaginária que lhe foi um verdadeiro divisor de águas. De lá, ela não retornou para o ninho de João-de-barro em que vivia com sua mãe frustrada, mas ganhou um marido, um filho e um leque aberto de possibilidades.


Bom, pessoal! É com imenso prazer que venho falar deste livro que acabou me comovendo pela saga de Victória McQueen. Quando comecei a ler, vi que ele tinha 608 páginas. Gelei e me lembrei de um comercial antigo que promovia a Bíblia gravada em CD´s com a voz ímpar do Cid Moreira, onde a mulher se espantava com a quantidade de páginas da Bíblia tradicional e falava: "Olha o tamanho da grossura!". Pois é! Pensei exatamente a mesma coisa. 

Como ainda sou aquele tipo de leitor preguiçoso, tive a sensação de que quase escorreram duas lágrimas pelo meu rosto, como acontece a um garotinho quando é encaminhado, obrigatoriamente, a receber seu castigo. Porém, tive contato com pessoas estimadas que me estimularam dar uma chance à obra. O principal argumento era o autor ser filho de Stephen King e o trabalho ser contemporâneo. Para mim, que prometi conhecer trabalhos de bom reconhecimento ao longo deste ano, este título acabou representando um banquete, então, resolvi encarar. Afinal, o máximo que poderia acontecer era não me agradar. Então, com toda aquela história diante de mim, por que não conhecê-la? 

Declaro que não foi fácil percorrer toda a trajetória, mas consegui. Estive muito (mal) acostumado com tramas envolventes onde o foco eram os acontecimentos e suas evoluções mirabolantes repletas de reviravoltas. Tanto é que, muitas vezes, eu me lembro das tramas, mas não me lembro dos nomes dos personagens. Essa narrativa é totalmente diferente porque ela trabalha bastante a identidade desses personagens e tudo o que o autor deseja que saibamos de suas vidas. Ao mesmo tempo, as coisas vão acontecendo e é por isso que queremos ler mais. Quero dizer, "EU" quis ler mais, porque era comovente a vida de Vic e a maneira como as coisas aconteciam e como ela ia lidando com as situações ao mesmo tempo em que os outros reagiam à sua volta. É impossível descrever essa narrativa. Às vezes aborrecia, sim, porque eu não via nexo no porque de tamanha elaboração. Exemplos meramente ilustrativos: até Vic encontrar sua bicicleta e passar de novo pela ponte, a gente lê umas cinco páginas. Depois, até Vic entrar na Casa Sino e sair de lá, passam-se mais quinze. Não se atrevam a contar as páginas quando localizarem essas passagens. Isso foi um modo de dizer.

Houve momentos em que quis xingar a Vic:

-- Poh, garota! Por que tenho que saber que a merda do teu olho esquerdo dói toda vez que atravessa a tal da ponte? Por que tenho que saber que os morcegos que habitam a ponte têm sempre a tua cara? Por que tenho que saber tão detalhadamente da sua amiga gaga? Vai te catar, Victória Pau no Toba!

E por fim, terminei a leitura com o coração apertado de emoção por causa dessas mesmas coisas que antes eu implicava e muito mais! 

Eu chamo essa história de "O CONFRONTO DA TRIUMPH COM O ROLLS ROYCE", já que ambos são a extensão da vida de seus respectivos donos:

- Charlie Manx usa seu Rolls Royce para capturar as criancinhas e sugar suas almas. Se você leu, deve se lembrar que o filho de Vic, Bruce Wayne (ideia do pai, que sempre foi fã de quadrinhos) já chegou mudado à Christmas Land. Manx foi se nutrindo da alma do garoto aos poucos, utilizando-se do carro (como se o próprio estivesse vivo) até restar pouca coisa da criança quando chegam à terra prometida, porque esse lugar aparentemente encantador é, na verdade, um depósito de restos infantis. Quando não havia mais nada de bom a ser sugado, as coitadinhas das crianças (só o bagaço) ficavam ali e ele partia à procura da próxima vítima.

- Victória McQueen e sua Triumph; afinal, a menina cresceu e virou mulher, tal como sua antiga Raleigh evoluiu para a Triumph, a moto tão capenga e caindo aos pedaços quanto a dona. E mesmo nesse estado, quando podia-se pensar em desistir, arrumava forças sei lá de onde e seguia em frente Sei lá de onde? A força do amor verdadeiro. A força do querer mais do que tudo na vida. 

Os morcegos com a cara de Vic viviam pendurados dentro da ponte. No último percurso, todos eles saíram junto com ela e Bruce Wayne. Não havia mais o que temer, já que as trevas de seu caminho se dissiparam. 

Fiquei muito mexido com a morte da gaga. Ela não merecia esse final. Foi tratada que nem um cão sarnento e morreu sendo fiel. Mas achei o máximo o jogo de palavras dela ter formado "T-R-I-U-M-P-H" um pouco antes de sua morte.

Pra terminar, na minha opinião, achei perfeita a conclusão dos fatos. Coube à mãe correr atrás do filho e resgatá-lo. Mas coube ao pai consolidar o feito dela e sacramentar que aquele pesadelo tinha realmente acabado (ao menos, para eles).


Fiquei sabendo que existe a série e que está sendo exibida na HBO. Não me vejo nenhum pouco tentado a procurar trailers. Sei que um dia irei assistir, mas será por pura curiosidade. Aquela mania de comparar o audiovisual com o livro. Acho que não terei, nem de perto, a mesma sensação.

Li também os agradecimentos do autor e percebi que houve uma equipe de várias pessoas engajadas nessa obra. Que ela passou por um processo interessante de lapidação. Ele cita a mãe homenageada na personagem Tabitha (a agente do FBI) e também faz menção ao pai, é claro! Mas é curioso saber que o processo de se bolar uma história e fazer dela o livro como conhecemos, lá naquelas terras, é bem diferente daqui. O cara não fez tudo solitariamente e soltou no mercado editorial. Existe um grupo bem específico para tratar disso.

Acredito que quem é fã de Stephen King catará algumas referências de suas obras ao longo da história, já que me lembrei do menininho de Cemitério Maldito quando, em algum momento, o autor descreveu uma criança pequena, loura de cabelos bem penteados, com macacão e camisa xadrez que falou: "Quero brincar com você". Também houve uma discreta menção, em outro ponto do livro, que me fez lembrar do hotel de "O Iluminado".

Enfim, estou muito satisfeito de vir aqui e colocar todas estas palavras a vocês. Esse foi o primeiro livro que li, do Joe Hill, e o primeiro com seiscentas páginas. Um abraço! Tudo de bom a vocês!

terça-feira, 25 de agosto de 2020

[Poesia] A Caminhada - Pés No Chão


Um dia a caminhada ficou cansativa. E eu me irritava porque não entendia. Então tirei os sapatos e calcei tênis.

Andei bastante e chegou o momento em que os tênis começaram a me incomodar. Reclamei sobre o desgaste porque eu não queria que esse dia chegasse.

Preferi os chinelos. Até o dia em que nem mesmo eles me bastavam. Mesmo com toda sua liberdade. Eles se gastaram.

O jeito foi continuar descalço. E não foi tão mal como pensei tal contato. A planta do pé sem nenhuma proteção. Absorvendo os diferentes tipos de chão.

Um dia, com os pés repletos de calos, novamente a raiva veio ao meu encalço. Mais uma vez era preciso parar. Eu não entendia, porque eu queria era avançar.

Então fui obrigado a me sentar e à minha volta passei a observar. Fiquei horas olhando homens sem pés e sujeitos sem mãos. Para minha surpresa, satisfeitos como são.

Compreendi de uma vez por todas que de constante já basta vida - essa louca vida que a gente não entende, que nunca estaciona, sempre segue em frente.

Que descansar é um privilégio, para que possamos olhar ao redor. E depois continuar do jeito que achar melhor.

E que a questão não se resume a caminhar sem parar. É gostar de si mesmo e do que se tem. E a vontade de melhorar então vem. Não como uma adversária a nos desafiar. Mas aquela amiga que vem nos aconselhar.

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A Caminhada - Pés  No Chão
Autor: Fabiano Caldeira

domingo, 23 de agosto de 2020

EIS O MISTÉRIO [DOS MILHÕES] DA FÉ

Que a indústria da fé movimenta milhões, acredito que todos já sabemos. O que eu não esperava, no entanto, era ver o mesmo tipo de comportamento -- antes tão repudiado apontando a Igreja Universal e suas "irmãs" -- agora adotado pela Igreja Católica.

Josiane (interpretada por Agatha Moreira na novela A Dona do Pedaço),
a vilã que termina como uma missionária religiosa que mata

Segundo o jornal "O GLOBO", o Padre Robson -- tão conhecido pelo ofício sério e compenetrado na Rede Vida, à frente do Santuário do Divino Pai Eterno -- vem sendo investigado por acusações de desvio de renda. Se você ler a matéria, terá uma ideia melhor sobre o caso e também verá que a situação é muito grave, já que as cifras envolvem uma quantia de dinheiro que considero gigantesca.



O programa de TV "Fantástico" também se comprometeu a exibir maiores detalhes dando a entender a existência de um esquema que sabia como mascarar os indícios, a ponto de dificultar as investigações, já que, a priori, não havia provas diretas contra ninguém. Esse tipo de coisa não é para amadores. Realmente, não.

No vídeo abaixo, além de ler boa parte da matéria no site, compartilho o que penso disso tudo. É muito importante que os padres sejam carismáticos para conquistar os fieis à Igreja. Aliás, considero essencial que eles usem de carisma, pois a doutrina não deve ser tirana nem impositora. Porém, há uma linha tênue entre liberdade e libertinagem. E os padres de hoje estão sendo tudo, exatamente tudo, menos padres. 


Estamos em tempos muito difíceis por causa da COVID-19. Mais de cem mil pessoas morreram, muitas famílias mergulharam na tristeza e na desolação. E quando pensamos que teríamos uma palavra de acalanto, quando pensamos que agora, mais do que nunca, ouviríamos e assistiríamos os sacerdotes seriamente empenhados em fortalecer nossa fé utilizando-se da doutrina a qual pertencem, o que acontece? Alguns se recolhem, outros nutrem o ego com seu visual de cowboy e outros fazem tatuagem (nada contra a tatoo, mas vocês entenderam o contexto do que eu quis dizer, né?). 

E qual não é minha surpresa, agora, ao constatar que justo o Padre Robson, aparentemente são sério e dedicado à doutrina católica, de repente, surge como pivô de um esquema desses. Como afirmei no vídeo, eu não conheço muito do Padre Robson. Na verdade, o canal dele é o que menos procurei, mas todas as senhoras que conheço pessoalmente por aqui o assistem, o seguem e depositam suas doações como cães féis. E elas fazem isso com o maior prazer. Passei anos e anos ouvindo-as dizer como acham maravilhoso o Padre Robson e a Missa do Divino Pai Eterno. Como ele é sério. Como ele é compenetrado. Um exemplo a ser seguido. Gente! E agora?

Agora, espero que isso não abale a fé das pessoas. Essas senhorinhas nutrem uma paixão contida por padres assim. É verdade! Elas acham eles lindos, maravilhosos, um tesão. É como nutrir um fetiche. E se algum dia, qualquer um desses padres celebridades virem a pecar com o corpinho delas, as mesmas achar-se-ão privilegiadas. Afinal, um ser divino as escolheu. Pecou com elas, então elas são especiais aos olhos ele. É bizarro isso, eu sei. Mas o fetiche é bizarro mesmo. 

A questão não é bem essa: essas senhorinhas celestialmente taradas continuarão ao lado deles e os defenderão com unhas e dentes, como sempre fizeram. Continuarão doando, pois o gesto delas sempre foi por encanto e paixão. Nunca foi pelo fortalecimento da doutrina.  Eu tenho certeza que muitas delas adorariam uma intimidade com seus respectivos padres de adoração. Nem que fosse uma simples imagem com todo aquele potencial a qual elas guardariam com especial devoção.

A questão é sobre a devoção da parte de quem realmente foca na seriedade, na dedicação do sacerdote em seu ofício divino. E são muitos esses devotos. Pela dor ou pelo amor, eles existem e conduzem essa engrenagem. O que eles estão pensando neste momento? Com que olhar estão absorvendo essas informações? O que eles pensam fazer daqui para frente?

Eu acompanho o terço mariano produzido pela TV Aparecida. Quem o apresenta é o Padre Antonio Maria. Ele começa com uma palavra amiga em relação à doutrina católica, reza o terço, abençoa a água, abençoa a gente e termina o terço. Eu acho ele carismático e leva seu programa muito a sério. Ele sabe que, se eu assisto um programa de orações, é porque eu preciso dessas orações e não de gracinhas, brincadeirinhas, muitos menos de um padre psicólogo se autoanalisando para justificar, na maior da cara de madeira, suas iniquidades. Padre, seu doido! Eu não posso resolver tuas imperfeições. Estou te procurando para você apaziguar as minhas. Dá licença? É cada uma que parece duas!

Enfim, termino esta postagem pedindo a presença de deus na vida das pessoas. Muita Paz, muita Luz, Muita Proteção. Como diz o próprio Padre Antonio Maria ao começar o terço: 

"Senhor, eu creio, mas aumentai a minha fé" 

[Quadrinhos] Desfile das Tirinhas

Olá, pessoal! O Desfile das Tirinhas traz momentos de muita decisão. As imagens foram tiradas do Pinterest. Boa leitura a todos vocês. Divirtam-se!

CALVIN & HAROLDO - BILL WATTERSON

LINUS, CELLY & TRUFFLES - CHARLES SCHULZ


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

[Livros] O Presidente Negro - Polêmico Livro de Monteiro Lobato


Era meu desejo conhecer alguma obra de Monteiro Lobato construída especificamente ao público adulto, que não tivesse nada a ver com o Sítio do Pica-Pau Amarelo. Pesquisando, percebi que existem mais títulos do que imaginei e optei pelo "Presidente Negro" já ciente de que alguma coisa mexeria comigo.

A história
Ayrton trabalha em uma empresa de cobranças chama Sá, Pato & Cia. Não deu para entender bem sua função, mas parecia ser um tipo de faz-tudo, já que vivia transitando pelas ruas a mando da firma. Com muito esforço, adquiriu um carro e, todo faceiro, acabou se descuidando e cometendo um acidente onde ele mesmo foi a maior vítima. Amparado por um Professor Cientista, Ayrton descobre que ele criou uma geringonça capaz de lhes mostrar o futuro. O Professor e sua filha Jane comentam que já viram vários fatos interessantes em épocas distintas e que, por algum motivo, a máquina só mostrou até o ano de três mil trezentos e alguma coisa (desculpem não me lembrar do ano exato). Ela não mostrava nada além desse respectivo ano. O Professor e sua filha atribuíram isso como sendo uma espécie de limitação da máquina, mas, agora, penando bem, tem um quê velado de extinção da raça humana aí. Apesar de trazerem à tona curiosidades de vários tempos, em determinado momento a trama foca no ano de 2228., em algum lugar dos EUA, em plena época de disputa eleitoral para presidência. Então há um destaque para a grande novidade: um candidato negro. 

O que eu achei
Achei que leria os bastidores dessa disputa, conheceria a fundo cada um dos candidatos e suas peculiaridades em meio a essa rivalidade toda, mas tudo o que vi foi uma mulher derramando a conta-gotas todo um conceito de criação da raça superior e o isolamento (e até extermínio) daqueles que não se enquadram no tal parão. A palavra utilizada inúmeras vezes foi eugenia.
O autor também se utilizou da personagem para colocar o fim do feminismo como conhecemos hoje. E a isso, ele subestima tanto a mulher, que colocou algumas delas à frente de um outro segmento cuja base era adoração a uma criatura primitiva das águas a qual atribuía ser a verdadeira raiz da mulher, ou seja, a mulher evoluíra desse tipo de animal. E somente as mulheres vieram desse animal. Os homens, não! Aos homens se atribuía a tão conhecida evolução dos macacos. 

A questão que observei com cautela nem é a tal teoria da evolução, mas a forma como Monteiro Lobato se utilizou das mulheres colocando-as como fracas e bobas, ingênuas pretensiosas que sonhavam igualarem-se aos homens em inteligência e competência, mas logo caíam em si e se rendiam aos homens que tanto conheciam e lutaram contra. Ai, ai... 

E por não ver com tanta seriedade e importância a figura da mulher foi que se utilizou de Jane (a filha do Professor) para derramar todos os seus conceitos sobre supremacia (racial, sexual, social etc). Afinal, talvez ele temesse responder por algum tipo de processo se esse tal conteúdo viesse por meio de um personagem masculino, pois, em sua cabeça, teria outro peso um homem pregar superioridade, eugenia, exclusão das minorias etc. 

Entretanto, o foco maior era o tal choque das raças e a maneira visivelmente pejorativa de se referir aos negros em uma forma geral. Não bastava isso, ele tinha ainda que desclassificar os negros brasileiros ao enaltecer os norteamericanos. Mais uma vez, Jane atesta com toda convicção (de mulher insossa, preguiçosa e mimada, sustentada pelo seu pai até para odorizar com perfume francês suas flatulências) que a raça norteamericana era pura e genuína, convivendo apenas entre os seus, enquanto a raça negra brasileira se espalhava onde bem desejavam e se misturavam aos índios, aos brancos, aos amarelos e todo tipo de gente qual abrigava o Brasil. Pois é! Não bastava ter um olhar racista. Foi preciso também qualificar quem era mais negro, mais puro-sangue e detonar o próprio país em que vive.

É bom lembrar que nem tudo são pedras nessa ficção. Agora, vou abordar alguns pontos que considero positivos porque gostei de encontrá-los. Por exemplo:

- quando o Professor e Jane afirmaram que viram a população do Oriente Médio vivendo na Europa, cada vez mais. Hoje em dia, vemos a tão importante questão dos refugiados;  

- quando anunciaram que no futuro as ondas de rádio seriam mais úteis do que nunca, pois tornariam possíveis várias atividades importantes como envio de documentos, registros, correspondências em geral, até mesmo as imagens poderiam ser enviadas via rádio. A esse fenômeno chamavam de "teletransporte". E isso nada mais é do que a Internet;

- quando contaram que muita gente não saía mais para estudar e trabalhar. Isso era feito de dentro de casa. As empresas e seus respectivos locais de funcionamento continuavam existindo, porém, não se fazia tão necessária a presença das pessoas nesses lugares. Acredito que essa é uma referência ao home-office e toda essa situação atual a qual nos vemos fazendo tudo dentro de casa. Só saindo quando realmente necessário.

Considerando esses pontos introduzidos em um livro publicado pela primeira vez em 1926, dou, sim, o braço a torcer de que há um quê visionário nesta obra e a considero interessante por se revelar tão rica em conteúdo, quase um século depois, sendo lamentável que esse mesmo conteúdo deveras interessante não me deixou tão feliz assim. 

Foi difícil encontrar o "tom" certo para falar deste livro, por isso demorei para fazer a postagem, pois achei muito perigoso tudo o que absorvi. Sim. Achei esse livro muito perigoso! Por outro lado, não quero tacar pedras e ficar na turminha dos que andam policiando a literatura de ficção. Esse pessoal que adora ficar postando o que nós, escritores, não devemos escrever: 

"Mimimi... Não pode escrever que a coisa tá preta..."

"Mimimi...O lado negro da força não pode mais!" 

"Mimimi... Não pode escrever o termo LGBTQI+WYZETC errado..."

"Mimimi... Esse personagem tem que ter representatividade assim ou assado..."

Que-ri-dos! Eu sou um escritor, moro em um país livre e escrevo o que eu quiser! Estou do lado de vocês quando exigem os direitos. Sim. Temos que ter nossos direitos. Só que vocês estão fazendo isso errado. Nós, escritores, somos inofensivos. Nós somos negros,  nós somos brancos, nós somos índios, nós somos orientais, nós somos todo o mundo e somos tudo o mais. Prezamos nossa liberdade de escrever, de contar nossas histórias. Não nos censurem! Não nos imponham normas, regras, conceitos, pois estarão sendo ditadores e isso, francamente, não resolverá o que desejam. 

"We don't need no education
We don't need no thought control"
The Wall - Pink Floyd

"Liberdade! Liberdade! 
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!"
Hino à Proclamação da República
Letra de Medeiros e Albuquerque
Música de Leopoldo Miguez


sábado, 15 de agosto de 2020

[Quadrinhos] Desfile das Tirinhas

Olá,  meu caros! O Desfile das Tirinhas de hoje está bem folgado. Mafalda ficou até indignada com as coisas como são.

As tirinhas do Garfield e do Snoopy foram retiradas do site Special Dog. As da Mafalda, do Pinterest.

Boa leitura, bom divertimento e bom fim de emana a todos.

GARFIELD - JIM DAVIS

 SNOOPY - CHARLES SCHULZ 

MAFALDA - QUINO

[Poesia] Soneto do Amor


Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma…Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas…
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua…, – unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois… – abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada…
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

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SONETO DO AMOR
Autor: José Régio


sábado, 8 de agosto de 2020

[Quadrinhos] Desfile das Tirinhas

Olá, pessoal! O Desfile das Tirinhas já chega mostrando que as relações humanas dão trabalho, mas fazem parte do nosso dia a dia. É importante nos relacionarmos com pessoas, ainda que sejam momentos chatos e duros. Essas coisas fazem parte da vida e nos estimula a sermos melhores. As imagens foram tiradas do Pinterest. Boa diversão a todos vocês!

DIBERT - SCOTT ADAMS

 SNOOPY - CHARLES SCHULZ

RECRUTA ZERO - MORT WALKER

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

[Poesia] Quanto Custou Tua Live?

Quanto custou tua Live, poeta perdido? Antes artista querido, revolucionário dos tempos do militarismo, agora um homem vendido.

Quanto custou tua Live e todo esse teatro à  simpatia? Esse sorriso fino, essa sua postura  elegante. O intérprete da boa vontade. Um repertório que um dia lhe foi verdade.

Quanto custou tua Live e quanto tempo ela durou? Porque, você  sabe, deve ser difícil manter-se honroso e o tempo todo cuidadoso de manter tua máscara no rosto.

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Autor: Fabiano Caldeira

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

[Quadrinhos] Pé na Estrada - Edição de Luxo - Oferta

Tenho que compartilhar com vocês a oferta que pode ser encontrada no site da Amazon deste incrível encadernado de luxo da Disney. "Pé na Estrada" é uma HQ bem bacana  dentre tantas que a Panini Comics tem lançado sob o selo "Graphic Disney".

De R$49,90 (quarenta e nove reais e noventa centavos) por apenas R$ 9,90 (nove reais e noventa centavos). 

Importante: Há um cálculo de frente que a pessoa verá na hora da compra. No meu caso, com o frete, o preço vai para R$ 16,90. Já não é aquele valor tão atrativo, mas, tratando-se de uma edição de luxo (capa dura, tamanho 32,2cm x 21,1cm) que deve ter lá suas 80 páginas, considero justo. 

Quem quiser aproveitar, eis o momento! Ótimo para presentear! EU ACEITO!


Sinopse: Estados Unidos, década de 1950. Aspirante a escritor, Mickey aceita a tarefa de transportar duas bobinas de impressão de um lado a outro do país. Na viagem, ele conhece Pateta, um libertário de bem com a vida e cheio de jogo de cintura para encarar qualquer contratempo. E problema é o que não vai faltar na longa jornada desses amigos improváveis, pois tem gente muito mal-intencionada atrás deles! A Panini Brasil lança mais uma coleção de HQs Disney, agora enfocando o trabalho autoral de quadrinhistas contemporâneos, em volumes recheados de atrações extras, como esboços e comentários de bastidores.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

[Poesia] Da Natureza De Mim

Este ser 
Tem a noção  de que o tempo importa. E por saber que cada minuto não  volta, deseja viver sua plenitude com dias de paz e alegria. Um calor da alma, a leveza da beleza que um dia foi total e aos poucos se desgasta. Está aí meu amigo mais sincero, o espelho, que me lembra deste fato, sem desespero.

O tempo passa
Há  quem sonha ser uma estrela brilhante no céu. Outros, eterna memória registrada nas lembranças de fãs.  Há quem não vê  limites em busca do brio a fórceps. Outros, contentam-se com sua própria pequenez a iluminar apenas onde está. 

Escolhi
Concentrar-me na essência de mim. No que para uns é  desgostoso. O Sol que não ofusca. Mais um na multidão formada de tantos eus - que como eu - formam um todo repleto do anonimato.  

A mim, não há problema nenhum ser alguém assim, tão comum.

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Autor: Fabiano Caldeira

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

[Livros] Os Senhores De Ur - A Resenha

Olá, pessoal! Hoje quero falar sobre um livro bem interessante que se chama: "OS SENHORES DE UR", escrito por Ricardo Quartim e publicado pela Red Dragon Editora.


O leitor vai conhecendo a origem de Urano que, quando recém-nascido, foi adotado por Celeste e Gabriel e cresceu com toda aquela ditadura (literalmente, batendo à porta e mostrando sua força) e o cenário de revolução à democracia brasileira. Urano cresce até demais - 2m13cm - e seu corpo avantajado em músculos também traz os olhos da cor violeta. E é na fase adulta, nessa época contemporânea a qual estamos inseridos, que ele descobre uns fatos surreais sobre sua existência. 

A trama traz vários acontecimentos estranhos e trágicos. Desde as primeiras páginas, onde testemunhamos o nascimento de Urano, seu sofrimento entre tantos desafios tenebrosos só vão aumentando. É uma coisa atrás da outra. Um mar de catástrofes e situações adversas as quais não desejo nem ao meu pior inimigo. Fala sério! Cheguei ao ponto de ter pena do personagem, porque são mais de 260 páginas de narração onde tudo em sua vida se resume a perdas, dificuldades e provação em cima de provação. 

O leitor pode se preparar, pois "OS SENHORES DE UR" não poupa nenhum pouco seu protagonista. A gente vai avançando na trama e vem aquele sentimento de agonia com uma voz em nosso íntimo, prestes a gritar:

-- VAI, URANO! VAI!

Eis um livro cheio de aventura e repleto de criatividade. Há várias ilustrações de um time fera de artistas desse ramo de desenhos fantásticos, o que dá um toque todo especial à obra.

Aos leitores que gostam do gênero fantasia com heroísmo, ação, aventura, suspense, sacrifícios, drama, amor e emoção, "OS SENHORES DE UR" é um prato cheio. Uma história que daria um excelente filme ou série da Netflix.

sábado, 1 de agosto de 2020

[Quadrinhos] Desfile das Tirinhas

Olá, pessoal! Às  vezes é assim: a gente reage para a vida ou a vida é  quem reage para a gente. As imagens foram retiradas do Pinterest. Bom final de semana a todos!

GARFIELD - JIM DAVIS

MAFALDA - QUINO