quinta-feira, 28 de abril de 2022

BAGULHÃO, DE LUCIANO OTACIANO

BAGULHÃO é uma obra literária de autoria do LUCIANO OTACIANO que conheci em forma de ebook e no meu dispositivo Kindle do celular, ela constou ter 148 páginas as quais nem senti passarem, pois me surpreendi com o grau de envolvimento que tive com a leitura. 

Trata-se de uma trama de ficção focada na triste realidade brasileira: a imersão dos jovens no dia a dia sombrio das drogas que os lançam à criminalidade - algo que se naturalizou por pura incompetência de autoridades políticas e pelo desejo de alguns funcionários que só continuam esquentando suas cadeiras em um belo escritório, com ar-condicionado com seu carro top lá na garagem fresquinha, porque estão sendo sustentados com um determinado cargo que diz ter sido criado para combater a miséria e a violência das populações mais vulneráveis. A verdade é que, se esse quadro caótico acabar, algumas dessas pessoas não terão mais seus luxos e mimos.

Mas a história é concentrada nos jovens e suas ações que vão se tornando cada vez mais violentas e ultrajantes a ponto de sequestrarem trabalhador endinheirado 'de bem' que nunca fez nada de mal a ninguém e deceparem membros do corpo dos outros só porque sim. 

Meu pai, anos antes de morrer, passava seus dias ajudando um rapaz a conduzir seu bar de pingaiadas. E ele disse uma vez para a gente, quando ouviu minha mãe falar que tem dó dessa molecada que fica pelas esquinas consumindo e vendendo drogas, porque eles são vítimas da sociedade. Nesse momento ele falou que muitos deles traz uma camada enorme de ódio no coração e uma completa ausência de escrúpulos. Que se sensibilizar com esse tipo de gente é como acender vela para defunto ruim. Que o melhor a fazer era ignorá-los, deixá-los no canto deles e ficar de olhos bem atentos, caso perceba alguma proximidade. Olhando cada acontecimento mostrado pelo Luciano, lembro-me dessas convicções de meu pai. 

Também me lembro do quanto nossa família sofreu por causa de dois capetas viciados filhos da égua que foram criados conosco por causa de minha mãe, que sempre nos obrigou a engolir a família estúpida e abusadora a qual ela cresceu, e não tivemos outra forma de viver nossos dias, já que morávamos todos em um mesmo ambiente, todos sustentados pelo meu pai que, durante boa parte da vida, não soube fazer outra coisa a não ser trabalhar duro em troca de uma consideração pífia de minha mãe. 

Vocês devem pensar que minha mãe vai arder no mármore do inferno e que ela vai sofrer por causa da tal lei do retorno e tal... Eu te digo que ela está muito bem hoje, cada vez mais roleira e enrolando os filhos por puro egoísmo. Ainda mais agora que goza da liberdade plena e não tem mais o marido na cola para lhe colocar freios. Meu pai morreu na maior judiação, em um hospital mequetrefe do SUS onde médicos clinicam pacientes da forma que lhes é possível após se drogarem e treparem a noite inteira sem descanso. E o problema  não é o SUS, pois meu pai não teria tudo à disposição em um plano de convênio, teria um hospital particular com médicos igualmente mequetrefes e cobrando até o ar que se respira lá dentro. Então, ainda assim, devemos ser gratos pelo SUS. Convênio é uma ilusão. 

E esse negócio de lei do retorno, vejo na prática que é balela. Alguém pode dizer "mas você vai ver que no futuro ela vai sofrer". E eu digo: no futuro quando, se ela já está com 75 anos e tem saúde e disposição de maratonista da São Silvestre? O futuro, para ela, já chegou. E o que vier depois é o que acontece com todo mundo que fica idoso. O corpo envelhece e vem as mazelas as quais vão pegar todo mundo que tiver essa longevidade. Lei do retorno que vem quando a pessoa já está gagá e pintou e bordou durante 80 anos? Ora, faça-me o favor para si  mesmo e admita que essa teoria é só mais uma falácia que alguém desencadeou por aí e todo mundo resolveu abraçar a ideia, fazendo disso uma verdade, só que não é. Aliás, essa concepção é nova. Começaram a dar força maior sobre leis de retorno nos anos 90, quando estava se aproximando a virada do milênio, então a doutrina espírita ganhou uma notoriedade estupenda no Brasil e vieram embustes idolatrados pelo povo como Chico Xavier e João de Deus. Daí a gente vê, desde aquela época, os trastes que o povo elege como super confiáveis, um presente de Deus. E falando em Deus, agradeço todo santo dia pela minha mãe estar ótima, pois, se ela cair doente, vai sobrar para quem, já que meus irmãos, cada qual na sua safadeza, mais do que depressa, foram para bem longe, deixando-a perto de mim? Pois é! Eles que têm um bom carro, que tem boas condições não pensaram duas vezes em abandona-la aos cuidados do gay que sempre teve uma vida atormentada e nem sempre pode pegar um ônibus.

Voltando ao foco, o personagem que mais se destaca é o Bruninho, pois foi através dele que vi os fragmentos do convívio familiar real que ainda se faz presente, hoje em dia, em muitos lares daqui. Não faz muito tempo, o neto vagabundo de uma vizinha estrangulou a própria mãe trabalhadora até a morte. O marmanjo de quarenta e tantos anos perdeu o controle após ver que ela não ia mais financiar suas constantes cheiradas e idas ao motel com as gostosas. Na história, Luciano (o autor) teve a benevolência de fazer com que Bruninho saísse de casa e fosse morar na sede do Bagulhão. Eu só pensei: "Ufa! Ainda bem!", pois o perfil do pai e da mãe do Bruninho é exatamente igual ao dos vizinhos aqui. A melhor coisa foi Bruninho ter saído e cortado os vínculos. 

Bruninho deixou de ser a aposta da família em torná-lo um rapaz estudioso, bom trabalhador que arrumaria uma boa mulher, casar-se-ia com ela, faria filhos e continuaria o ciclo da boa e tradicional família. Ele tinha irmãos, mas, por ser o mais velho, havia aquela expectativa. Bruninho deixou de estudar porque encontrou amigos que também não gostavam da escola. Passou a mentir para os pais sobre ir às aulas e, convivendo com os garotos foi que conheceu as drogas. Primeiro a maconha. Sempre ela, considerada a anfitriã aparentemente acolhedora, bem-humorada e inofensiva para o ingresso nessa festa. A coisa foi evoluindo tanto que Bruninho chegou ao crack, emagrecendo horrores e apresentando sinais visíveis que todo viciado na pedra tem. 

Mas a questão não é focar no drama do Bruninho nem vê-lo se definhar. Não é nada disso. Luciano nos dá uma breve biografia dos demais integrantes da gangue do Bagulhão, e sua intenção é nos mostrar o que essa molecada faz, a rotina deles dentro da sede, regada a drogas, sexo e planejamento de crimes, e o quanto estavam passando dos limites, cegos pela ilusão do poder. É claro que vemos também a polícia querendo botar as mãos neles, mas sem muitas ferramentas e um tanto acomodada ao pífio que dispõem, até que surge um personagem emblemático, o tal do matador, contratado por terceiros que querem vingança. É interessante ver o jogo duplo entre a atuação dele no meio da polícia e da gangue. Mais um elemento real que o autor introduziu em sua ficção que me deixou viciado e querendo saber um pouco mais na outra página, depois um pouco mais, e só mais um  pouco na próxima, um pouquinho só na outra e, de repente, passaram-se 50, 60 páginas! 

Quem sabe, um dia, plataformas como Netflix, HBO Max ou Globoplay olhem para obras como esta e vejam o potencial que elas possuem para se tornarem um excelente filme ou minissérie. 

Parabéns ao Luciano que mais uma vez me enganou direitinho com uma escrita tão simples que acabou me pegando de jeito e me deixando bastante envolvido. Vou deixar um link para adquirir essa obra em ebook na Amazon. Aos interessados, é só clicar aqui

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foto de Somya Dinkar - Pexels 


sábado, 23 de abril de 2022

INVERNO POÉTICO - EBOOK GRATUITO HOJE

É com prazer que venho compartilhar meu mais novo ebook - INVERNO POÉTICO - que está gratuito hoje, 23 de Abril, na Amazon. 

São cerca de 50 páginas de prosas poéticas classificadas para maiores de dezoito anos porque são retratos em palavras do meu interior sentimental e intimista. 

Como eu me sinto, como eu vejo e o que eu espero de alguns momentos, o que posso ter vivenciado e o que não passa de mero devaneio, mas é apreciado. Esses textos, de certa maneira, são fragmentos de mim. 

E escolhi o inverno como tema, pois é a estação do ano que me faz bem, promove um acolhimento melhor aos meus sentimentos, alegra minha alma e meu coração. Afinal, como não ficar contente, em uma noite fria, com um pouco de chá, uma caneca de quentão, um chocolate e um lugarzinho acolhedor na coberta em frente a TV? 

Aos que se interessarem, desde já, deixo meu muito obrigado pelo carinho, seu tempo e sua preferência. Espero que alguns desses textos estejam em sintonia com o que há de bom no interior de vocês. Um grande abraço!

PEGUE SEU EBOOK AQUI

Uma curiosidade: essa foto foi tirada na cozinha daqui, onde essa mesa tem mil e uma utilidades. Além das refeições, ela me abriga por horas com meu notebook e vem sendo o suporte para as gravações dos meus vídeos. Meu companheiro também a utiliza para diversas tarefas, inclusive culinárias. Essa mesa tem histórias para contar, meus caros! 

Essa caneca eu adquiri do Carlos Eduardo Valente, ator e atualmente narrador de contos e textos em geral que são preparados para o seu canal no YouTube. O companheiro dele é quem customiza. Adquiri porque adoro canecas, então considero uma forma gostosa de ter um pouco do Carlos aqui, já que tenho lembranças de outros queridos através de outros objetos.

terça-feira, 12 de abril de 2022

PERDIDO NA FLORESTA DOS JAVALIS

Ontem eu estava sentindo seu perfume, abraçado em seu corpo gostoso, fazendo planos de um futuro vindouro.

Eu, você e sua barriga, que mais tarde se tornaria uma criança crescida e ouviria, nas tardes de domingo, uma a uma das minhas grandes caçadas vividas.

Hoje estou debaixo da mesma luz do luar. Mas, no lugar da maciez de sua pele, está a mata a me rodear.

Caule, terra e folhagem aonde quer que eu vá. Quando penso que encontrei uma saída, descubro que há um tanto a mais para caminhar.

E meus ouvidos, acostumados com o som de seu falar, agora se inquietam por causa dos sussurros e os ruídos estranhos, oriundos de todo lugar.

Esta noite não tenho travesseiro quente, nem seu carinho apaixonado, sequer um beijo ardente.

Esta noite tenho as copas das árvores tortas, preenchidas por um batalhão de corujas como hordas e uma turma de javalis que rapidamente estão se aproximando de mim.

Presa ou intruso? Perdi a minha arma! Se na proxima noite eu não estiver ao seu lado, para lhe sorrir, será porque não consegui mais sair daqui.

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PERDIDO NA FLORESTA DOS JAVALIS

Autor: Fabiano Caldeira 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

DESFILE DAS TIRINHAS

Olá,  pessoal! Mais um Desfile das Tirinhas para vocês.

Espero que gostem. Abraços a todos. 

GARFIELD - JIM DAVIS

HUGO/MURIEL - LAERTE

A CRASE - CUSTÓDIO

HAGAR, O TERRÍVEL - DIK & CHRIS BROWNE

MAFALDA - QUINO

SNOOPY - CHARLIE BROWN

CHICLETE COM BANANA - ANGELI