terça-feira, 28 de junho de 2022

DUAS SÉRIES FODA - O SUCESSOR e ENTREVÍAS

Hoje quero indicar, para quem tem facilidade em acessar a Netflix, duas séries bem bacanas que foram muito do meu agrado. Ambas envolvem tráfico de drogas e facção, ambas são ambientadas na Espanha e trazem dois atores que eu não conhecia, mas são espetaculares a ponto de me fazer buscar por mais trabalhos deles: José Coronado e Luis Zahera.

A primeira se chama O SUCESSOR (VIVIR SIN PERMISO) e trata-se de um poderoso chefão do tráfico de drogas na Espanha que descobre que tem Alzheimer, luta para frear o quanto pode o avanço da doença, conquistar o amor da filha que nunca quis saber dele (fruto do verdadeiro amor que se foi), ao mesmo tempo em que faz de tudo para impedir que a máfia mexicana se instale naquele local e tome seus clientes.

José Coronado interpreta Nemo, o poderoso chefão Espanhol. Um ator sensacional, de deixar muitos globais e norte-americanos consagrados no chinelo. Acho que o ápice de sua atuação veio quando ele teve que se ajoelhar aos pés do chefão mexicano que exigiu isso para humilhá-lo sem dó (não vou entrar em detalhes). Ele é bem psicótico. Não poupa nem o próprio filho, de suas brutalidades. 

Mário (Álex González) e Nemo (José Coronado)

Vale ressaltar mais um ator brilhante que fez toda a diferença na trama, interpretando o boi sonso e ambíguo do Mário: Álex González. 

Nemo (José Coronado) e Luis Zahera (Ferro)

Ah! Já me ia me esquecendo: o Luis Ahera foi fundamental para o personagem Nemo enfrentar todas as adversidades que não foram poucas. Seu personagem se chama Ferro e é o motorista, capanga faz-tudo de Nemo, principalmente os serviços mais sujos. Olha, foi simplesmente emocionante a lealdade de Ferro para com Nemo, e só digo que outros atores nesses papeis não os teriam feito de forma tão absoluta. Nossos olhinhos chegaram a suar no fim.


A segunda série se chama ENTREVIAS (ENTREVÍAS) e ela tem uma pegada totalmente diferente. A ambientação não tem nada a ver com as imagens deslumbrantes das mansões, carrões top de linha, visual elegante, personagens carismáticos exalando romantismo e fofurice. Agora é exatamente o oposto: ambientes hostis, pobres, estabelecimentos com visual sóbrio, realista e até um tanto degradante. As moradias principais são "apertamentos" onde um ouve o que se passa no "apertamento" do outro. As ruas, o modo das pessoas interagirem naquele nicho. É tudo muito fubá, sabe? Meu companheiro quase me fez tirar a série por causa disso, mas como sou teimoso e gostei da dupla de atores, continuei vendo. Então ele deixou a questão visual de lado e se envolveu mais na história.  

Logo no começo, vemos José Coronado e Luis Zahera, totalmente diferentes: 

- Zahera interpreta Ezequiel: um policial veterano e corrupto que tem os dois pés fincados no narcotráfico espanhol. O rosto lambido de tão limpo e o cabelinho extremamente curto (de quando era o Ferro) deram lugar a uma farta cabeleira desgrenhada com uma barba horrorosa de mendigo. É sério! Ele parece o ALF, O ETEIMOSO! Nada de carrão e roupinha de grife sem uma amassado sequer. Agora o negócio é jeans batido e visual meio anos 80. 

- Coronado tirou a barba do Nemo. É o mesmo cabelo, o mesmo olhar, mas é incrível como o rosto totalmente limpo e os trejeitos carrancudos fizeram-no parecer outra pessoa, bem feiosa e arrogante, por sinal. Agora ele é Tirso: Capitão aposentado que leva uma vida medíocre e monótona em seu "apertamento", perto de seu negócio, uma casa de ferragens muito boa, com itens de qualidade, mas que sofre cada vez mais com a loja de variedades de produtos chineses que abriu há algum tempo, do outro lado da rua. O jeito mal-humorado e durão, que preza pela moral e bons costumes, haja o que houver, faz parte de sua personalidade o tempo inteiro, oriundo dos tempos de guerra.  

Tirso (José Coronado) e Ezequiel (Luis Zahera)

Há um encontro dos dois, logo no primeiro episódio, com direito a uma brincadeira, no primeiro diálogo, que só quem viu O SUCESSOR vai entender.

Ezequiel, sempre afobado, pergunta:

- Gozado, você se parece com alguém conhecido. A gente se conhece de algum lugar?

Tirso, carrancudo, chato, arrogante, responde:

- Não sei. Tenho memória ruim.

A história gira em torno da neta de Tirso, a Irene, que é sempre chamada de chinezinha, mas é vietnamita, é a personificação da Pocahontas, da Disney, e foi adotada pela filha de Tirso, uma mulher que vive em boas condições, mas é infeliz, tão infeliz que um dia resolveu mandar a filha para um tipo de internato ou abrigo, mas o avô militar aposentado, a personificação do Rambo aposentado, super durão e convicto de que daria um jeito na rebeldia de Pocahontas, propôs à filha que deixasse a neta morar com ele, em seu "apertamento". 

O que ele não sabia era que sua querida netinha estava envolvida com um rapaz de uma turma de drogados em um local barra-pesada. Ele até que é o mais inofensivo do bando, mas Irene vai para o lado negro da força, para o avozinho extremamente autoritário pagar a língua.

Irene, por acaso, acaba sendo alvo de um pessoal mais poderoso que a turminha dos Zé Droguinhas. Ela fica com sequelas graves na mente. Tirso fica obstinado em fazer justiça com as próprias mãos.

A gente vai acompanhando Tirso ir penetrando, aos poucos, nesse mundo obscuro. Também vemos a facção agindo contra a polícia que, por sua vez, espera botar as mãos naquele que é considerado a cabeça de toda aquela organização, mas, no momento, ninguém tem menor ideia de quem se trata, pois quem fica muito em evidência para esse pessoal da polícia, conhecido por todos como o poderoso chefão, não é exatamente o tubarão-mor. Só que ele age como se fosse. E isso envolve matar, eliminar, exterminar qualquer um que lhe desperte a menor desconfiança. O próprio Ezequiel, que a gente ainda não entende qual é a dele (policial infiltrado na máfia ou mafioso infiltrado na polícia?) sofreu bastante nas mãos dele, em um episódio.

Para quem gosta, a fim de suavizar um pouco o clima denso e pesado, os diálogos são repletos de tiradas sarcásticas, uns com outros, que rendem boas risadas e não tiram o ar sério da coisa toda.

Irene (Nona Sobo)

Gosto muito da Netflix, apesar do preço salgado. Foi por ela que conheci produções icônicas como O POÇO, BREAKING BAD, DARK, ROUND 6, LA CASA DE PAPEL etc.

Fica aqui minha sugestão para quem gosta de tráfico, máfia, investigação, jogo de gato e rato com um pouco de drama e pitadas de sarcasmo. Você já viu essas duas séries? Um abraço.


terça-feira, 21 de junho de 2022

O CEMITÉRIO, MINHA EXPERIÊNCIA LITERÁRIA

Chegou o dia em que resolvi obter minha primeira experiência literária com Stephen King, e o livro que escolhi foi um clássico: O CEMITÉRIO.

Trata-se de uma família que se muda para um lugar chamado Ludlow, retratado na história por, basicamente, conter moradias não muito próximas, constituídas por um grande terreno. Essa família se mudou para uma casa à beira da estrada que possui uma mata à frente, inclusa na propriedade. Então o vizinho, um senhor chamado Jud que tem uma porção de histórias para contar, já que é veterano naquele lugar, em um dia de tédio, em vez de "bater uma" ou tentar a sorte com Norma, a esposa igualmente idosa que sofre de artrite reumatoide, ele resolve mostrar para a família Creed que a propriedade deles tem algo mais além daquela área verde: tem um cemitério onde a molecada das imediações costuma enterrar seus bichinhos de estimação. 

A família Creed é composta por Louis, que começou a trabalhar como médico em um hospital perto dali, a esposa Rachel assumiu o posto de dona do lar, a filha Eileen, curiosamente chamada de Ellie, uma criança curiosa na fase de querer saber os porquês da vida, o filho Gage (pouco maior que um bebê) e até um gato, mais conhecido como Church. 

O instante em que a família Do Ré Mi conheceu aquele cemitério de animais foi um divisor de águas em relação ao sossego que eles buscavam, pois Ellie ficou atormentada com a ideia da vida se acabar e perder quem ela mais amava, Rachel já tinha um trauma nada fácil de lidar por causa da morte da irmã, então coube a Louis segurar a batata quente do impacto causado sobre as duas e ainda ajudar a olhar do menino. Até hoje fico tentando pensar no que velho Jud tinha na cabeça quando resolveu levá-los a esse passeio. Às vezes penso que ele teve um pezinho de maldade. Outrora, acho que ele foi sem noção, talvez por causa da idade ou da realidade monótona.

A gente vai acompanhando a interação da família em relação a essa questão da finitude da vida, a morte que um dia chega e, principalmente, como é que ela vem para uns e outros. Louis, a princípio, é quem proporciona lucidez de raciocínio à filha, socorre o emocional traumatizado da esposa e busca ser um super pai ao Gage. E ainda tem disposição para ir visitar Jud e Norma, ao final da noite, na moradia que fica do outro lado da rodovia.

Mas o perfil de homem exemplar trabalhador, marido atencioso e paizão do lar começa a ruir quando o gato Church vira pastel  na rodovia, então Jud mostra a Louis algo além daquele cemitério de animais: um lugar circundado pela lenda de ressuscitar os mortos. E esse lugar ficou sendo uma espécie de segredinho entre eles. A partir daí, as coisas só pioram. 

Bom, o balanço que tenho dessa experiência é que Stephen King me surpreendeu pela carga emocional, a pegada dramática. A escrita dele nesta história não traz reviravoltas mirabolantes, mas, sim, uma camada comportamental de como vive e reage aquele pessoal, à medida que as coisas vão acontecendo.

A morte do menino, mostrada no filme oitentista de uma forma impactante no tempo presente da situação, no livro é retratada em meio ao remorsos de Louis durante o processo do velório, e o autor não poupa a gente dos detalhes horrorosos da maneira como a criança se foi, ao mesmo tempo em que o pai experimenta uma gama de sensações enquanto se encarrega dos detalhes do funeral -- uma certa culpa misturada com a impotência e, ao mesmo tempo, uma autoafirmação de que tudo não passou de uma tragédia e que nada poderia ser feito, ao mesmo tempo em que teve que encarar o pai da esposa, um homem difícil que sempre o viu como alguém que não servia para a filha. 

E aí, no decorrer da trama, fui vendo o que foi se desenrolando e, aos poucos, fui pegando raiva de Louis. Primeiro, porque ele foi advertido desde que chegou àquele lugar, que a rodovia era perigosa. O que ele fez? Nada. Ao invés de se ocupar colocando uma cerca, pensando em uma maneira de o acesso à estrada não estar tão fácil, ele preferiu se ferrar para levar os corpos ao tal cemitério ressuscitador, porque o remorso e o desespero eram tamanhos, que o impediram de raciocinar direito. 

Mesmo no fim do livro, quando o amigo do hospital o flagra naquela situação, e o chama, e tenta fazer com que ele se conscientize daquela palhaçada toda... ah... dá muita raiva de Louis. 

Aí, você pode estar se perguntando? E o terror? E o horror? Não tem? Tem, mas a questão é a pegada da narrativa que trabalha muito mais as personalidades do que criar monstros e acontecimentos incríveis. King me fez mergulhar tanto no interior daquelas pessoas que, por exemplo, quando li a Rachel no meio de toda aquela dificuldade em não conseguir chegar em casa, lutando contra o sono, a exaustão, o tempo, intercalando com o momento de Louis no cemitério, algo dentro de mim só faltava gritar para ela largar mão daquilo tudo e voltar correndo para a casa dos pais. Eu não sabia em quem gostaria de dar uns tapas: nela ou no Louis. 

E apesar de estar nítido que o lugar possuía certo encantamento, uma presença maligna que circundava toda Ludlow e tomava conta da mente das pessoas, sem que elas se dessem conta (sim, pois esse foi o pano de fundo da trama toda; o sobrenatural), eu acho, sim, tudo culpa do Louis. Ele teve escolha. Durante o tempo todo se ferrando, ele poderia muito bem abrir os olhos e pensar na palhaçada do que estava fazendo. Cada obstáculo que surgiu o deixou mais obstinado em fazer. Então ele que se exploda! 

segunda-feira, 20 de junho de 2022

SABRINA, O RETRATO DA MULHER BRASILEIRA ATUAL

Neste final de semana o YouTube recomendou-me um vídeo inesperado onde o homem do canal fazia uma análise de uma entrevista dada por Sabrina Sato em outro meio de comunicação. Segundo o que vi no canal - e o que o homem comentou - Sabrina expôs que enjoou da rola do marido. Ela ainda explicou dizendo que é muito agitada e gosta do cenário urbano enquanto o maridão vem sendo tranquilo demais no esquema família, paz e sossego. 

Que Sabrina sempre teve um arzinho de menina sapeca, isso estava na cara, né, minha gente? Até cego via. E que bom que ela achou um homem aparentemente gente boa para formar família com ela e tecer muitos planos de uma vida a dois, felizes para sempre.

Aí é que está: a questão é COMO se desenrola esse FELIZES PARA SEMPRE. 

Sabrina tem todo direito de fazer, dizer e viver como quiser. Ela é uma mulher benevolente, inteligente, envolvente, independente, todos os bons "entes" ela possui para uma vida plena. No entanto, costumamos ouvir por aí, não sei se é verdade, que para toda ação existe uma reação, ou seja, a Sabrina pode fazer e falar o que quiser e ninguém tem nada a ver com isso. Só acho  -- na minha humilde opinião de Zé Ninguém que gosta desse entretenimento nerd -- que não custava nada ela ter medido um pouco as palavras. Só um pouquinho. Porque, às vezes, a forma como você desencadeia uma ação tem diferença no impacto que ela causa. Não custava ter pensando um pouquinho na hora de expor o maridão, não custava ter sensibilidade e consideração. 

Sabemos que ela não é obrigada. Ela é uma mulher livre. Que bom! Agora, por outro lado, sabemos como o marido reagiu ao fato de ela ter declarado publicamente ter enjoado da rola dele? Bom, eu não sei. Alguém sabe? Diga aí! A pessoa faz o que quer, fala o que quer, daí o cônjuge demonstra uma reação ruim, e ela posa de vítima porque se sentiu reprimida por causa da animosidade dele, que foi exposto sem a menor delicadeza por ela. Alguém está entendo o que eu quero dizer? Você quer acabar com a dignidade de um homem, é só falar mal da rola dele. Ela "só" o humilhou no âmago. E nos dias de hoje, ele não pode nem reagir. Ai, se falar qualquer palavra que a desabone!

Mas existe um outro fator que é importante que todo o mundo pense sobre essa entrevista que ela deu. Que bom que isso deu certa repercussão, porque mostra exatamente como é o perfil da mulher brasileira atual, que não é de hoje que é desse jeito, mas parece que as pessoas, em especial os homens, não acordam, vivem em uma espécie de idealismo à moda antiga, achando que vão se casar com uma princesa que vai se contentar com qualquer coisa. Para eles, a princesa não fica entediada, dá duro o dia inteiro e ainda cuida da casa, ela acha maravilhoso fazer o sexo que ele lhe dá e não precisa ter taras e vontades específicas, basta satisfazê-lo. Essa mulher, meu caros, não existe mais há muito tempo! As mulheres são libertas e possuem desejos e vontades como os homens. Isso quer dizer que, se você gosta de dar uma comidinha fora, de vez em quando, ela também gosta, pois todo mundo come, sabia? Está aí, o maior exemplo do perfil da mulher brasileira atual, retratado em Sabrina: a mulher independente e livre para o que quiser, quando quiser e como quiser. Inclusive para escolher qual salsichão ela quer.

Veja que ela falou sobre enjoar da rola do marido e ser uma pessoa agitada e que não consegue viver nesse esqueminha de família de comercial de margarina, mas eu não percebi que ela deixou claro que deseja, de fato, se separar. Se isso aconteceu, eu não prestei atenção. Talvez, eu suponho, ela só quer ter a liberdade de mandar uma mensagem, de vez quando, para ele, dizendo: "Hoje vou ficar numa reunião até tarde. Beijos". Como os homens normalmente costumam fazer.

Curiosamente, dias atrás, uma mulher muito querida que conheço pessoalmente abriu o jogo e anunciou que se separou do marido. Para mim foi um choque, mas houve quem esteve esperando, sentadinho, por essa situação. Agora essa mulher (endinheiradíssima e independente - importante dizer isso) pode escolher um homem melhor para ela. Mas ela quer? Não. Mesmo o cara pintando e bordando, alugando apartamento, dando flores e perfumes para iludir as próximas tontas, afim de garantir sua boa foda com as tais moças de família, mesmo ele fazendo isso e jogando na cara dela que não fica sem uma chavasca nova, a mulher corneada espera  o marido em sua casa, sempre que ele quiser. Ele tem as chaves. É só entrar. E para ela, tudo bem. Acho que o desejo por ele até aumentou agora, pois ela fala em fazer harmonização facial, em frequentar clínica de estética. Ah! E não gostou quando a amiga fez um perfil dela em aplicativos de encontros. Foi lá e deletou. Resumo da ópera: esses é que têm valor. 

Depois, quando eu falo que não existe fidelidade de cama, a pessoa me olha torto. Mas é a mais pura verdade. A pessoa pode ter muitas qualidades, mas ela não é perfeita. E sexo não tem nada a ver com amor. E não adianta nada se estressar querendo controlar whatsapp, celular, facebook e o k7. Quando a pessoa resolve comer  fora, ela vai comer fora. E ponto final.

E o bonitão, lá, que lide com a vontade da Sabrina em comer fora. rsrs...

terça-feira, 14 de junho de 2022

CHICO BENTO, O TÍMIDO

O TÍMIDO é uma historinha de apenas três páginas que reli dia desses, sob o clima do Dia dos Namorados. 
Chico diz a Zé da Roça o quanto gosta da Rosinha, mas tem dificuldade em se declarar para ela, por causa da timidez. Zé da Roça sugere que ele pratique os dizeres diante de um espantalho, fazendo de conta que ele é a Rosinha. 


Chico até brinca dizendo que assim é mais fácil que dormir. Então ele fala um monte de coisas bonitas para o espantalho, mas, quando chega no momento de encarar a Rosinha, ele  se embanana todo, fica constrangido e sai correndo, deixando  Rosinha sem entender a situação.


Zé da Roça brabo chama-o de covarde e vai embora. 
Chico, chateado, reencontra o espantalho para desabafar, mas começa a dizer as coisas que gostaria de falar para a Rosinha que, por sua vez, acabou flagrando o momento e foi embora, voltando logo, toda despenteada, desarrumada, vestindo um trapo qualquer e surpreendendo ele ao dizer:
"Agora quero vê ocê falá tudo aquilo pra mim, im veiz de falá com esse espantáio!"


Essa historinha está na revista MÔNICA n° 149, a primeira edição na História da dentuça a obter lombada quadrada e 84 páginas; antes eram 68, como as do Cebolinha. A capa, além de nos contar essa novidade, fazia uma referência à história de abertura que homenageava a estação da primavera, pois era o mês de Setembro de 1982, um ano em que Cascão e Chico Bento começaram suas próprias revistas (em Agosto), por isso era comum ver o Chico nas publicações da Mônica.


domingo, 12 de junho de 2022

RUBENS E ANA # 2 e 3

Conforme expliquei na postagem anterior de RUBENS E ANA, estas são as sequências que explicam os personagens. Rubens deixa claro que eles não são mais namorados e, ao mesmo tempo, acaba ficando com Ana. Fica a critério de cada um a interpretação da situação.

Feliz Dia dos namorados para quem tem sua forma de amor. 



sexta-feira, 10 de junho de 2022

COMENTANDO A HQ O LABORATÓRIO DO FRANJINHA

Quero voltar a compartilhar minhas experiências literárias com gibis. Por isso, escolhi uma leitura recente. É uma história protagonizada pelo núcleo do Xaveco. Isso mesmo. Se você é dinoffauro como eu, já deve ter ficado curioso. A turma da Mônica mudou muito ao longo dos tempos, e nós tornamo-nos objetos obsoletos e vivemos deslocados.

O LABORATÓRIO DO FRANJINHA

Roteiro: Greg Stella - Desenhos: Sidney L. Sallustre

Arte-final: Marcos Paulo - Letras: Danilo Batista

Xaveco chuta uma bola que acaba indo parar em cima do laboratório do Franjinha e quebra uma antena externa conhecida como "espinha de peixe", muito utilizada nos tempos em que não havia tv por assinatura, muito menos Internet. 

Por coincidência, o pai do Xaveco aparece logo depois, com seu cão chamado Ximbuca, ambos no maior pintão de maratonista. Quando Xaveco explica o que fez, o pai dele se prontifica em arrumar a antena. Xaveco não gosta da ideia, mas acaba cedendo à insistência do pai e, para ajudar, ele e Ximbuca resolveram ficar de olho para que, quando Franjinha aparecesse, pudessem distraí-lo com qualquer coisa, pois a ideia era que Franjinha nunca ficasse sabendo de nada.

Franjinha não tarda em aparecer, para desespero de Xaveco que tenta puxar papo, mas se vê subitamente sem assunto. A meu ver, arrumar uma simples antena, para um adulto, não deveria ser algo tão complicado, mas parece, pelo pouco que me situei da questão, que o pai do Xaveco possui a tendência de fazer uma coisa simples virar um problema. 

Sem ter como Xaveco entreter o Franjinha, o cão Ximbuca toma o protagonismo e avança contra o pequeno cientista, assustando-o, não pelo fato de ser um cão desesperado que acabara de pular para atacá-lo, mas porque o bicho é tão feio e tão esquisito (ainda mais com a roupa de maratonista) que Franjinha gritava achando que aquilo era um tipo de morcego.

Xaveco apanhou Ximbuca e o acalmou. Mas, enquanto conversava com Franjinha, o cão apanhou uma caixa de lego e montou uma rede de caçar borboletas ou apanhar peixe. Quando ele ia usá-la para capturar o Franjinha, Xaveco percebe e tira o Franjinha da mira do cão. Não contente, Ximbuca pega as peças de lego e monta uma pequenina cadeia. Aí, sim, consegue prender o Franjinha nela, com direito a engolir a chave que destrava a porta. E o Xaveco ainda fala que, para soltá-lo da cadeia, agora vão ter que esperar a vontade do Ximbuca de fazer cocô. Franjinha fica puto. 


Nisso, o laboratório inteiro explode e fica em ruínas. O susto foi tão grande, que Ximbuca acabou vomitando a chave, com isso, tornando possível tirar o Franjinha da cadeia de lego.

Ao virem de perto as ruínas, todos ficaram pesarosos. O pai do Xaveco promete construir um novo laboratório. Xaveco e Franjinha não se animaram com a ideia. Enquanto conversavam, Ximbuca tratou de ir colocando a mão na massa e, assim, logo apresentou a eles o laboratório novinho, todo construído de lego.


Ficou uma construção maravilhosa, toda colorida e até maior do que era o tradicional. Só não tinha a tal da antena instalada. O pai do Xaveco demonstrou a maior empolgação em providenciar esse detalhe, mas, por vias de segurança, vemos que no último quadrinho ele foi preso na cadeia de lego. Com isso, Franjinha, Xaveco e Ximbuca se encarregaram de arrumar um meio de instalarem uma antena.

Essa HQ tem 15 páginas e abre a revista TURMA DA MÔNICA n° 15, terceira série de publicações pela Panini Comics do Brasil, referente ao mês de Maio de 2022. Em tempos de muita coisa sendo mudada nas historinhas por causa do politicamente correto e pela turminha estar cada vez mais focada em materiais educativos para as criancinhas e escolas, personagens que antes eram sem sal nem açúcar,  como o Xaveco, acabaram crescendo e ganhando maior destaque com historinhas divertidas. Ximbuca foi quem carregou a trama toda nas costas, pois a graça era ver aquela coisinha esquisita saracoteando lá e cá. Aliás,  deviam mudar logo o nome dessa revista para Xaveco e Denise. Não sei o que estão esperando.

terça-feira, 7 de junho de 2022

RUBENS E ANA

Rubens e Ana é um casal que criei em Janeiro deste ano. Esta ilustração conta como o início, como se fosse uma espécie de página 1 da trajetória que mostra os ex-namorados em situações do dia a dia. A partir da segunda página, o leitor já vê Rubens conversando com Ana sobre a situação deles como ex-namorados. As duas primeiras situações foram postadas no Twitter que comportava os quadrinhos d´Os Barbados. Talvez, creio que tenha sido por isso que não teve quase nenhuma curtida e ninguém se motivou a retuitar. Entendi como o feedback que mostrou que o casal hétero não agradou a galera acostumada com os barbados gays. Também poderia ser a falta de sexo explícito nas duas páginas, pois, era habitual nos quadrinhos d´Os Barbados mostrar o pau de algum deles, seja deitado, conversando ou literalmente se amando. Na terceira página, feita de propósito, Rubens e Ana aparecem se amando e o quadrinho é explícito. Mas não coloquei no Twitter, pois ele não existia mais. Excluí aquela conta após me expor demais. Primeiro, coloquei meu membro (obvio que sem mostrar muito de mim) e ganhei muitos admiradores, virei o crush de muitos. Depois, posicionei a intenção de votar em Bolsonaro e reprimi uma leitora vaca que queria lacrar em cima de um livro físico, promovendo censura, e o que ganhei de volta não foi nada bom. Como não me permito mais me desgastar emocionalmente na Internet por causa de rede social, mandei tudo às favas.

Bom... Eis o início de Rubens e Ana. Estou postando porque irei colocar, logo, mais três páginas sequenciais. Sempre tem quem vê aqui e gosta. Um abraço. Boa semana a todos. 



domingo, 5 de junho de 2022

ALTAS HORAS DE DESVIO DE FOCO


Segundo alguns portais de notícias sobre TV e celebridades, a noite deste sábado, dia 4,  registrou aumento de 40% na audiência do programa "Walking Dead Altas Horas".

Cresceu 40% porque apresentou músicas e artistas que fizeram referência aos anos 80. Isso mostra a carência dos tempos atuais que tão pouco têm agregado de construtivo, a não ser esse joguete de discórdias e politicagem. 

Curioso que não vi nada referente à época dos grandes hits daquilo que chamam de cultura de periferia (rap e funk). Esqueceram-se de Pepe & Neném, Sampa Crew, Bonde do Tigrao, You Can Dance e aquele pessoal que cantava "eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci...". 

Até onde assisti (não vi tudo), esqueceram-se do sertanejo plastificado e superfaturado atual, né? Teve menção ao sertanejo antigo. Sem nenhuma dessas caras atuais, como Gustavo Lima, que anda tão em alta no momento. 

Um programa que costuma ser deveras agregador, misturando novo com antigo, estilo bom com cacofonia crônica, de repente excluiu uma galera que se projetou sob o viés da representatividade. 

Até parece que esse programa é  mesmo assim. Seginho já foi maravilhoso, isso em algum lugar do passado. 

Para a Rede Globo, hipocrisia pouca é  bobagem. Mas foi muito bom ver que todo mundo das antigas (que realmente vale a pena ser lembrado) está vivo, apesar de as faces e expressões não estarem tão condizentes sobre isso - caras repuxadas, maçãs enormes, olhos e bocas um tanto diferentes. Ok, o que importa é o grande talento que essa turma tem. Mas, gente...! Vou até me censurar aqui. 

Havia algo que não se encaixava. Um olhar? Uma respiração inadequada? Sei lá o que era... Talvez o esforço em convencer o telespectador com o passado artístico o qual tanto nos encanta, mas que não agregou substitutos à altura para os dias de hoje. Pelo contrário, a emissora fez de tudo para não levar nesse programa ninguém que fizesse o telespectador se lembrar do Gustavo Lima, da Daniela Mercury, da Anitta, de nada sobre o cenário atual desse pessoal que está sendo notícia.  

Fizeram de tudo para manter o foco ao máximo em um passado que a gente até chora porque não existe mais. Pois, junto com a música,  foi-se embora a repreensão que ajudava a colocar paz e senso de coletividade na sociedade, a autoridade e a segurança. 

Naquela época, os muros das casas eram baixos e, se você cismasse com alguém na frente da sua casa, a polícia vinha em 2 segundos dar uma coça na pessoa. Quer vagabundear perturbando o outro? Toma, FDP! 

Hoje, os muros têm quatro metros, grade, cerca elétrica ou de arame farpado, câmera, mas isso não quer dizer que estamos seguros, e ainda tem os FDP que passam a madrugada inteira com som alto na calçada e gritando palavrões, até 5 da manhã. Polícia? Nunca tem viatura disponível. Você que resolva do seu jeito. 

Esses programas da Globo, em parte, têm culpa no cartório.  E agora, com o escândalo em torno dos shows da galera que ganha horrores cantando esse novo sertanejo, a emissora fica caladissima. Mas o auditório do Serginho não servia para essa interatividade misturada sobre tudo e sobre todos? Não tinha, ali, um espaço para politizar os jovens? Jura que não teve sequer um "fala, garoto!" a respeito desse assunto? Alguém viu o programa todo, para me responder essa dúvida? 

Bom... Se o negócio era desviar total o foco para os anos 80, 90, parece que conseguiram. Só penso que esse programa está perdendo a oportunidade de somar com um conteúdo um pouco mais sério, reivindicador e realista. 

Eu não sei vocês, mas me enche o saco a artificialidade dele. Às vezes, o convidado mal começava a contar um fato e o Serginho já caía na gargalha. Ah, Tá!...  

sábado, 4 de junho de 2022

ROXETTE VIVE! NOVO SINGLE

Foi lançado ontem, 3 de Junho de 2022 o single THE LONELIEST GIRL IN THE WORLD (A GAROTA MAIS SOLITÁRIA NO MUNDO). O primeiro trabalho de um novo álbum que leva  o nome ROXETTE, apesar de já não contar mais com a banda desde o falecimento de Marie Fredriksson em 09 de Dezembro e 2019, por conta de um câncer. Desde então, Per Gessle, o parceiro vocalista, guitarrista, compositor e produtor leva o nome consigo, pois é inegável a associação e penso que ele tem mais do que direito. Assim como Marie, a carreira é a sua grande paixão e motivação de viver. Por que não manter Roxette se, aonde quer que vá, as pessoas sempre associam? Ele até tentou, mas não conseguiu o mesmo êxito sem a marca. Quando viam seu nome, tinha que explicar, "sou o vocalista do grupo Roxette" -- ROXETTE era como a senha para poder ser aceito no clube. Então teve a ideia de adotar o nome PG ROXETTE, que significa Per Gessle Roxette. 

Durante esse tempo, veio colhendo os frutos de empreitadas boas, como o material engavetado de HELP!, produzido nos anos 90, e a bela versão de NOTHING ELSE MATTERS, homenageando a banda METALLICA. Essa versão contou com o vocal de Helena - uma cantora que sempre esteve meio que no 'puxadinho' de Roxette, fazendo os fãs da Marie olharem-na com desconfiança e incômodo, como aquela visita indesejável. Sempre gostei de Helena, desde a primeira vez. Acho que a suavidade dela não substitui, mas soma. Mas só agora, sem Marie, os fãs vêm aceitando mais a ideia e olhando ela como aquela boa e velha amiga. Que nem quando morre a mulher e o cara passa a ter mais amizade com aquela amiga, sabe? Mas agora não é malvisto. A gente deixa. rsrs... Só para esclarecer, Per e Marie não eram casados um com o outro, nem namorados, cada um tem sua própria família. A questão é que Roxette se apresentava no mundo como um grupo, uma banda, mas passamos a reconhecê-los como uma dupla. Então Helena, Vicky (e outra que não me lembro o nome) eram algo à parte.

Neste novo single há um B-side chamado SUNFLOWER, justamente com Helena protagonizando. Per já falou que não tem intenção de incluir essa faixa no novo álbum, previsto para Setembro. Espero que ele mude de ideia, pois essa música é maravilhosa (pode até ofuscar o single, já que Roxette é reconhecido por baladas) e acaba de ter a aceitação de muitos fãs, algo meio que inesperado, pois é a Helena, né? A gente faz de conta que a Marie mandou ela tomar conta do Per agora. rsrs...

Roxette ainda mantém fãs em muitos lugares. Principalmente na Europa, a marca é forte. O novo single (THE LONELIEST GIRL IN THE WORLD) acaba de emplacar na Billboard, que não faço a menor ideia do que seja, mas parece algo importante. Mas a gente tá querendo SUNFLOWER, Per! É!

O single e o B-side estão no Spotify e no Youtube Music (credito que nas outras plataformas também). Até quem não é assinante consegue ouvir na íntegra. Já ouvi umas 100 vezes e não sou assinante. Eu adoraria comprar o novo álbum físico (já tem o single físico na Europa) mas desanima só imaginar o preço. Também, não tenho onde tocar. Fica a pergunta, se farão encarte com fotos e letras das músicas. Acredito que sim.

Per fez questão de anunciar que este álbum terá uma sonoridade que lembrará os primeiros (e melhores) anos de estouro da banda. De fato, o novo Single lembra o que Roxette tinha de melhor, acabou me pegando de jeito e tem causado engajamento nos fãs, o que é ótimo.

Pois é, Seu Zé! O mundo gira, a vida continua e a gente vai seguindo em frente, do jeito que der, pois a vida não dá uma paradinha ali, no canto, esperando a gente ter vontade de seguir com ela.

Foi neste link que vi o clipe do single e ouvi a B-side:

https://pgroxette.lnk.to/TLGITW

Minha vontade é que o pessoal que curte Spotify e similares faça como eu: ouça THE LONELIEST GIRL IN THE WORLD no modo repeat. É importante que músicas boas atinjam boas métricas. Não vamos deixar a garota mais solitária do mundo na mão.



quarta-feira, 1 de junho de 2022

SÓ VEM, JUNHO!





MINICONTO - O SOFÁ

Rodrigo sentou-se naquele sofá.

Empolgado, dispôs-se a falar como se lembrava da primeira vez em que esteve ali, com ela, acomodados, um ao lado do outro. 

Ele doido de vontade de abraçá-la, receber um carinho dela em seu rosto, sentir a delicadeza daquela mãozinha no seu corpo. 

E ela, na inocência da alegria, apanhou o controle da tv e colocou na Netflix. Afinal, foi para isso que combinaram estar ali.

Após algum tempo, cerca de duas horas depois, aquele móvel virou testemunha do primeiro beijo apaixonado dos dois. Também de vários que vieram depois.

Rodrigo esfregou sua mão direita com delicadeza no tecido do sofá. Seus olhos se lubrificaram. Achou melhor se calar. Tinha se emocionado com as lembranças. 

Quem mandou amar tanto sem se preparar para os imprevistos da vida? 

O sofá estava ali, para fazer parte de mais momentos da sua história.

Então ele apanhou seu aparelho celular, abriu o aplicativo de mensagens e digitou para o seu melhor amigo:

"Sabe de alguém interessado em um sofá?"