domingo, 5 de junho de 2022

ALTAS HORAS DE DESVIO DE FOCO


Segundo alguns portais de notícias sobre TV e celebridades, a noite deste sábado, dia 4,  registrou aumento de 40% na audiência do programa "Walking Dead Altas Horas".

Cresceu 40% porque apresentou músicas e artistas que fizeram referência aos anos 80. Isso mostra a carência dos tempos atuais que tão pouco têm agregado de construtivo, a não ser esse joguete de discórdias e politicagem. 

Curioso que não vi nada referente à época dos grandes hits daquilo que chamam de cultura de periferia (rap e funk). Esqueceram-se de Pepe & Neném, Sampa Crew, Bonde do Tigrao, You Can Dance e aquele pessoal que cantava "eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci...". 

Até onde assisti (não vi tudo), esqueceram-se do sertanejo plastificado e superfaturado atual, né? Teve menção ao sertanejo antigo. Sem nenhuma dessas caras atuais, como Gustavo Lima, que anda tão em alta no momento. 

Um programa que costuma ser deveras agregador, misturando novo com antigo, estilo bom com cacofonia crônica, de repente excluiu uma galera que se projetou sob o viés da representatividade. 

Até parece que esse programa é  mesmo assim. Seginho já foi maravilhoso, isso em algum lugar do passado. 

Para a Rede Globo, hipocrisia pouca é  bobagem. Mas foi muito bom ver que todo mundo das antigas (que realmente vale a pena ser lembrado) está vivo, apesar de as faces e expressões não estarem tão condizentes sobre isso - caras repuxadas, maçãs enormes, olhos e bocas um tanto diferentes. Ok, o que importa é o grande talento que essa turma tem. Mas, gente...! Vou até me censurar aqui. 

Havia algo que não se encaixava. Um olhar? Uma respiração inadequada? Sei lá o que era... Talvez o esforço em convencer o telespectador com o passado artístico o qual tanto nos encanta, mas que não agregou substitutos à altura para os dias de hoje. Pelo contrário, a emissora fez de tudo para não levar nesse programa ninguém que fizesse o telespectador se lembrar do Gustavo Lima, da Daniela Mercury, da Anitta, de nada sobre o cenário atual desse pessoal que está sendo notícia.  

Fizeram de tudo para manter o foco ao máximo em um passado que a gente até chora porque não existe mais. Pois, junto com a música,  foi-se embora a repreensão que ajudava a colocar paz e senso de coletividade na sociedade, a autoridade e a segurança. 

Naquela época, os muros das casas eram baixos e, se você cismasse com alguém na frente da sua casa, a polícia vinha em 2 segundos dar uma coça na pessoa. Quer vagabundear perturbando o outro? Toma, FDP! 

Hoje, os muros têm quatro metros, grade, cerca elétrica ou de arame farpado, câmera, mas isso não quer dizer que estamos seguros, e ainda tem os FDP que passam a madrugada inteira com som alto na calçada e gritando palavrões, até 5 da manhã. Polícia? Nunca tem viatura disponível. Você que resolva do seu jeito. 

Esses programas da Globo, em parte, têm culpa no cartório.  E agora, com o escândalo em torno dos shows da galera que ganha horrores cantando esse novo sertanejo, a emissora fica caladissima. Mas o auditório do Serginho não servia para essa interatividade misturada sobre tudo e sobre todos? Não tinha, ali, um espaço para politizar os jovens? Jura que não teve sequer um "fala, garoto!" a respeito desse assunto? Alguém viu o programa todo, para me responder essa dúvida? 

Bom... Se o negócio era desviar total o foco para os anos 80, 90, parece que conseguiram. Só penso que esse programa está perdendo a oportunidade de somar com um conteúdo um pouco mais sério, reivindicador e realista. 

Eu não sei vocês, mas me enche o saco a artificialidade dele. Às vezes, o convidado mal começava a contar um fato e o Serginho já caía na gargalha. Ah, Tá!...  

10 comentários:

  1. "Seginho já foi maravilhoso, isso em algum lugar do passado. "

    Para mim, ele nunca teve graça. Nem um pouco de carisma. Ela apenas teve sorte de encabeçar um programa muito bem formatado pelo SBT, nunca época onde não tínhamos nada igual na TV aberta em rede nacional!

    Então estão voltando no tempo para ganhar audiência? Não dará certo no longo prazo. O tempo não volta. Aqueles tempos acabaram.

    Abraços!

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    1. Ah, ah, ah!
      Eu via um programa dele na Cultura. Era o Matéria Prima. Basicamente, o Prograna Livre. Acompanhei também o Programa Livre. Achava o máximo. Era uma época em que tínhamos ele e a MTV, revista ShowBizz... O tempo mudou muito. A fórmula dele está muito ruim. Ele deveria fazer algo próximo do que foi o Zero Um, do Thiago Leifer, sobre o mote mais tecnológico de se comunicar com os fãs via mensagens e ter um notebook ali e cenário nerd. Há tantos canais nerds no YouTube que, na verdade, em que ele poderia se inspirar para uma reformulação de seu programa para a Globo. Aquele "4 Coisas", por exemplo. Na verdade, Serginho está cansativo de ver, chato, agrada mas é fake.

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  2. O Serginho Groisman só foi bom e teve algum tipo de autenticidade no citado Matéria Prima, transmitido pela TV Cultura, antes dele ir pro SBT chupar drops de hortelã.
    Gostei de algumas coisas de seu texto:
    "Talvez o esforço em convencer o telespectador com o passado artístico o qual tanto nos encanta, mas que não agregou substitutos à altura para os dias de hoje.";
    "Pois, junto com a música, foi-se embora a repreensão que ajudava a colocar paz e senso de coletividade na sociedade, a autoridade e a segurança. " (muito bom)

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    1. Fico feliz que tenha achado bom. Eu acho triste. Passamos uma geração inteira condenando (influenciados pela grande mídia) repreensões de todos os tipos, principalmente as que dizem respeito ao convívio no lar e crianças. E hoje vemos uma geração sem um pingo de modos, de vergonha na cara e que age como os senhores de suas casas e até das ruas. Daí o cabra mal sabe ler, só quer saber de ouvir música chiclete e beijar na boca, nas culpa o Estado pela merda em que vive, porque ele fala alto que tem direitos, mas não está nem aí para os deveres. E o pior é que seus pais apoiam ou lavam as mãos, porque, o que vejo aqui, é que muitos desses pais já vivem nessa realidade alienada, como as mães solteiras ou os pais que se sentem impotentes perante o sistema e acabam também achando cômodo o lavar de mãos.
      Se não fosse a repreensão, talvez hoje eu seria a Fabíola Rabiola, a travesti gorda e soropositiva que transitaria pelas ruas do cento com uns modeletes confeccionados pela mama Dona Shirlei, com dois metros de costas, mas uma fala famnhosa afeminada, eu lhe convenceria de que teria nascido num corpo errado, pois havia uma mulher dentro de mim. Ainda bem que eu nasci um pouco antes dessa onda virar moda.

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    2. De novo : eu não poderia dizer melhor que você sobre a atual geração de debiloides que superlotam as salas de aula.

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  3. Oi, Fabiano! Já gostei de assistir o programa Altas Horas apresentado pelo Serginho Groissman. Atualmente não consigo assistir esses programa de TV. Há muita diferença do programa que este apresentador dirigia em outras emissoras para o atual, sem contar o conteúdo inexistente nestes programas atuais. É lastimável. Ainda bem que tenho varios livros para ler em e-book e alguns mais em minha estante. Se a pessoa for depender destes programas de auditório da TV brasileira para se entreter, realmente estará lascada. Um abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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    1. O programa dele, ultimamente, não tem pauta nenhuma. Só faz uma mistureba de artistas, o que às vezes força demais a amizade, e ele tem um comportamento fake que denota que muito do que é falado ali, aparentemente de forma natural, na verdade foi ensaiado, pois o convidado nem começa a falar algo e ele já está caindo na risada. Como ele sabe se aquilo é tão engraçado assim? Só quem não tá prestando atenção é que não nota. Artificialidade demais e conteúdo de menos.

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  4. Olá, Fabiano.
    Nunca assisti a nenhum programa dele. Acho a Globo bem contraditória. Uma hora tudo nas novelas e programas é representatividade, outras ignoram tudo. Ora só mostram o que está na moda para bombar a audiência, outra querem se manter longe disso tudo. Esses dias atrás quase que obrigaram o povo a tirar a mascara na rua quando o governador falou que não precisava mais usar, essa semana já estão reprovando o povo que não estão usando. Vai entender o que realmente pensam e apoiam.

    Prefácio

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    1. "Esses dias atrás quase que obrigaram o povo a tirar a mascara na rua quando o governador falou que não precisava mais usar..." -- exatamente nisso que erram bastante. Praticamente obrigam o povo a ir por um lado, comprar apenas uma verdade como sendo a correta e se manifestar agressivamente contra outra. A Globo aberta não expõe de forma tão fácil de perceber, mas a Globonews tem vários programas onde os jornalistas ficam à vontade para comentarem. E muito do que é comentando é visivelmente a favor de toda essa lacração que existe por aí. Aliás, esses jornalistas chegam a criar alguns termos, na esperança que algum movimento comece a adotá-los em suas pautas. É horrível você assistir a um canal que na cara dura fica incitando o povo a se polarizar. Polarização é extremismo. É muita hipocrisia manifestarem-se contra os Talibãs da vida e ficarem 24 horas num canal de assinatura proclamando a verdade deles como absoluta. Só que a verdade absoluta deles muda com o vento. Isso que é o pior. Não passa de mero oportunismo. Aquela Natuza Nery, acho que é esse o nome dela, é uma das mais influenciadoras nesse quesito. Deve ter aprendido com a tal da Sheherazade que tomou chá de sumiço.

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  5. Agora pouco vi fotos de um senhor no meu Facebook. Se não me engano, era ou é professor universitário e a esposa se aposentou após sua jornada como funcionária importante da área da saúde. O cara é cheio do discurso, muito bom em História Geral. Como disse, cheio do discurso enaltecendo algumas posturas como direitos dos manos e tal. Ele pôs fotos curtindo a vida, felizão, com a esposa que não sai mais da Belgica. Parece que ele também está lá. O que eu tenho a ver com isso? Nada. Só acho que hipocrisia pouca é bobagem! Aqui, moram no lugar que o povo nem sabe onde é, de tão acessível às tais pessoas em situação de vulnerabilidade que tanto dizem amar.

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