sexta-feira, 10 de junho de 2022

COMENTANDO A HQ O LABORATÓRIO DO FRANJINHA

Quero voltar a compartilhar minhas experiências literárias com gibis. Por isso, escolhi uma leitura recente. É uma história protagonizada pelo núcleo do Xaveco. Isso mesmo. Se você é dinoffauro como eu, já deve ter ficado curioso. A turma da Mônica mudou muito ao longo dos tempos, e nós tornamo-nos objetos obsoletos e vivemos deslocados.

O LABORATÓRIO DO FRANJINHA

Roteiro: Greg Stella - Desenhos: Sidney L. Sallustre

Arte-final: Marcos Paulo - Letras: Danilo Batista

Xaveco chuta uma bola que acaba indo parar em cima do laboratório do Franjinha e quebra uma antena externa conhecida como "espinha de peixe", muito utilizada nos tempos em que não havia tv por assinatura, muito menos Internet. 

Por coincidência, o pai do Xaveco aparece logo depois, com seu cão chamado Ximbuca, ambos no maior pintão de maratonista. Quando Xaveco explica o que fez, o pai dele se prontifica em arrumar a antena. Xaveco não gosta da ideia, mas acaba cedendo à insistência do pai e, para ajudar, ele e Ximbuca resolveram ficar de olho para que, quando Franjinha aparecesse, pudessem distraí-lo com qualquer coisa, pois a ideia era que Franjinha nunca ficasse sabendo de nada.

Franjinha não tarda em aparecer, para desespero de Xaveco que tenta puxar papo, mas se vê subitamente sem assunto. A meu ver, arrumar uma simples antena, para um adulto, não deveria ser algo tão complicado, mas parece, pelo pouco que me situei da questão, que o pai do Xaveco possui a tendência de fazer uma coisa simples virar um problema. 

Sem ter como Xaveco entreter o Franjinha, o cão Ximbuca toma o protagonismo e avança contra o pequeno cientista, assustando-o, não pelo fato de ser um cão desesperado que acabara de pular para atacá-lo, mas porque o bicho é tão feio e tão esquisito (ainda mais com a roupa de maratonista) que Franjinha gritava achando que aquilo era um tipo de morcego.

Xaveco apanhou Ximbuca e o acalmou. Mas, enquanto conversava com Franjinha, o cão apanhou uma caixa de lego e montou uma rede de caçar borboletas ou apanhar peixe. Quando ele ia usá-la para capturar o Franjinha, Xaveco percebe e tira o Franjinha da mira do cão. Não contente, Ximbuca pega as peças de lego e monta uma pequenina cadeia. Aí, sim, consegue prender o Franjinha nela, com direito a engolir a chave que destrava a porta. E o Xaveco ainda fala que, para soltá-lo da cadeia, agora vão ter que esperar a vontade do Ximbuca de fazer cocô. Franjinha fica puto. 


Nisso, o laboratório inteiro explode e fica em ruínas. O susto foi tão grande, que Ximbuca acabou vomitando a chave, com isso, tornando possível tirar o Franjinha da cadeia de lego.

Ao virem de perto as ruínas, todos ficaram pesarosos. O pai do Xaveco promete construir um novo laboratório. Xaveco e Franjinha não se animaram com a ideia. Enquanto conversavam, Ximbuca tratou de ir colocando a mão na massa e, assim, logo apresentou a eles o laboratório novinho, todo construído de lego.


Ficou uma construção maravilhosa, toda colorida e até maior do que era o tradicional. Só não tinha a tal da antena instalada. O pai do Xaveco demonstrou a maior empolgação em providenciar esse detalhe, mas, por vias de segurança, vemos que no último quadrinho ele foi preso na cadeia de lego. Com isso, Franjinha, Xaveco e Ximbuca se encarregaram de arrumar um meio de instalarem uma antena.

Essa HQ tem 15 páginas e abre a revista TURMA DA MÔNICA n° 15, terceira série de publicações pela Panini Comics do Brasil, referente ao mês de Maio de 2022. Em tempos de muita coisa sendo mudada nas historinhas por causa do politicamente correto e pela turminha estar cada vez mais focada em materiais educativos para as criancinhas e escolas, personagens que antes eram sem sal nem açúcar,  como o Xaveco, acabaram crescendo e ganhando maior destaque com historinhas divertidas. Ximbuca foi quem carregou a trama toda nas costas, pois a graça era ver aquela coisinha esquisita saracoteando lá e cá. Aliás,  deviam mudar logo o nome dessa revista para Xaveco e Denise. Não sei o que estão esperando.

16 comentários:

  1. Fabiano, tudo bem?
    O visual desta HQ está me remetendo aos cenários aconchegantes das histórias da TM publicadas em nossas infâncias e adolescências, além daquelas mais velhas que nós e que também enquanto infantojuvenis conhecemos por meio de republicações e através de sebos.
    Como chego a ser meio chato por ser um tanto detalhista, o que me causa um pouco de estranhamento é como Franjinha está espichado em relação à estatura do amigo mais novo e consequentemente mais baixo, parece estar da altura do nerd Zé Luís, acho que deu uma leve desarmonizada.
    Na fotografia da capa da revista consta três frases que creio ser títulos de outras tramas contidas nesta edição, o de letras vermelhas dá para associar com a aparência do cachorrinho da HQ de abertura, que bicho desgraçado de feio!
    Pena o carismático Xaveco não ter sido explorado desta maneira nos tempos sem censura.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade. Personagens como Franjinha, Titi e Jeremias estão maiores que Xaveco e os personagens principais. Sempre fico me perguntando quantos anos eles têm. Talvez uns 10?
      Ximbuca é muito esquisito mesmo. Fiquei sabendo há alguns anos que ele era cachorro do Xaveco. Xaveco agora tem pais separados. O pai aparece mais do que a mãe, pois ele gosta da Carmen da esquina. Bom... acho que ela é que gosta dele. Eu nunca vi os dois agindo como um par. Daí tem o Ximbuca, uma avó do xaveco também, que parece ter irmã gêmea. Eu não sei direito, mas existe um núcleo do Xaveco que foi feito, eu suponho, no início da era Panini. Quem deve saber melhor sobre isso é o Marcos do blog Arquivos Turma da Mônica.

      Excluir
    2. Titi, Jeremias e Franjinha são originalmente mais altos que Xaveco, Mônica, Cebolinha, etc por serem mais velhos que os de sete anos mais ou menos uns três anos. Na maioria dos quadros a diferença de altura entre os dois está desproporcional para o padrão estabelecido, mas isto ocorre também em HQs antigas, ainda garoto comecei a observar que às vezes saíam do padrão.
      Esqueceu de mencionar a irmã dele. Seria maneiro demais se a família do Xaveco fosse inventada nos 1970 com o mesmo nível de evidência que adquiriu a partir dos 2000. Quem sabe dizer com exatidão é o anfitrião do(s) Arquivos Turma da Mônica, parece que ele e o núcleo familiar ganham amplo destaque nos últimos três ou quatro anos do período Globo, fase em que os títulos quinzenais passam para mensais.
      Vale ressaltar que os desenhos de "O laboratório novo" são do inoxidável Sidney, profissional que gostaria muito de conhecer pessoalmente.

      Excluir
    3. Eu não sei se esses desenhos como a gente vê na revista, se a atribuição se deve ao desenhista ou ao arte-finalista. Na dúvida, prefiro pensar que o mérito é um pouco dos dois. Esqueci-me completamente da Xabéu, gatíssima, aliás.
      Não pensaram nisso nos anos antigos porque a graça era produzir hqs com as características marcantes dos personagens. É o mesmo que acontecia com o humor antigo que a gente via na TV. Antigamente não havia necessidade de família nenhuma, muito menos sobre um personagem como o Xaveco, que mais parecia um figurante de segundos.

      Excluir
    4. Mas até que as famílias dos principais são bastante importantes nas HQs antigas, são até fundamentais, não acha? Difícil imaginar Chico Bento nesses tempos sem Dona Cotinha e Seu Bento. Cebolinha, então, nem se fala, acho que é o primeiro núcleo familiar da TM a ter destaque. Sem contar os desesperos que às vezes os pobres pais sofrem com falta de higiene e apetite insaciável.
      Curiosamente, Xaveco em seu secundarismo visceral até que tem relevante destaque nas décadas de 1970 e 1980. Vai que eu seja suspeito para tal afirmação, é que em minha fase infantojuvenil gostava muito dele, porém, analisando imparcialmente, de fato consigo identificar no personagem dos velhos tempos uma certa expressividade comportamental e principalmente visual. Parece que por mais dichavado fosse, mais destaque angariava de maneira discreta, é a conclusão que chego ao analisá-lo em HQs antigas.

      Excluir
    5. Olha, talvez você tenha razão. Eu é que nunca achei tão necessária a questão das famílias se tornarem tão importantes para os personagens crianças. Sempre vi a presença deles como algo apenas de uma HQ ou outra.
      Sinceramente, nunca sentido graça nenhuma no Xaveco. A partir do momento em que começaram a trabalhar mais ele, comecei a gostar mais. Como fiquei muito tempo sem ler turma da Mônica, para mim, isso parecia coisa da era Panini. Arrisco dizer pra você que, hoje em dia, gosto mais do Xaveco do que do Cascão. Gosto mais da Denise do que da Mônica. Aliás, vejo que a Mônica não faz a menor diferença nessa turma aí.

      Excluir
    6. Entendo, Fabiano. Para muitos leitores veteranos o Xaveco das antigas soa como um Zé (N)ninguém, e é compreensível que soe assim, eu é que muito cedo me atraí pela "expressiva inexpressividade" dele.
      Denise não conseguiu me seduzir, com sua origem constantemente metamórfica visualmente, até que finalmente deram um basta nessa bobeira sem o menor propósito e deram-lhe uma aparência definitiva. Acho que detém um humor forçado, muito apelona, mas sei que caiu nas graças do público e compreendo que seja assim, pois a linguagem de hoje em dia é outra.
      A Mônica atual não puxa mais o bonde, tornou-se desnecessária, consegue ser tão ou mais estática que Cascão, o que é profundamente lamentável. Fato é, que no início deste século, ela já se encontra claramente desorientada.

      Excluir
    7. Tem toda razão em relação à Denise, mas eu gosto dela porque acho sua personalidade até coerente para o contraste dos personagens de antes e os que vieram depois. Dos personagens que vieram depois, poucos me agradam. Não vejo graça nenhuma em Nimbus e do Do Contra, menos ainda em Marcelinho, Marina e Carminha Fru-fru. Dos personagens com deficiência, gosto do Humberto e do Luca. Os demais não me seduzem, pois só servem mesmo para os empreendimentos institucionais. Milena me agradou bastante. Veio com uma família cheia de personalidade. Mas estão tornando-a mais uma personagem secundária qualquer. Uma pena.

      Excluir
    8. A Turma da Mônica dos anos 1990 é muito interessante, sem dúvida continua muito rica nesses dez anos, mas, é nessa década que esse movimento de personagens retraídos surge, até considero 1991 como o discretíssimo pontapé inicial para o que denomino como falência criativa, é o ano em que Denise foi criada, e ela, ainda na fase de constante metamorfose visual, é a primeira personagem com essa pegada comportamental de criança de condomínio fechado, daí surge a tal Carminha no ano seguinte, que a princípio, parecia que não vingaria. O negócio fica mais evidente com as reluzentes estreias de Nimbus, Marina, Mônicão e Do Contra, infelizmente, de forma subliminar esses seis personagens foram alicerce para sustentar e reforçar em muito os comportamentos histéricos dos personagens consagrados do Bairro do Limoeiro, e em diferentes graus, tal anomalia se espraia para os demais núcleos e passa ser regra nas HQs publicadas nas décadas seguintes, e ainda fomentaram que mais personagens do tipo fossem criados.
      Bom, é minha visão particular, subjetiva, mas é assim que interpreto parte deste fenômeno que até hoje impacta negativamente os personagens do segmento mais antigo da MSP.

      Excluir
    9. Concordo com você. A turma da Mônica possuía menos personagens, só que havia mais graciosidade. Daí começaram a querer aumentar a turma e deu nisso. Talvez a juventude hoje não pense assim, pois já vieram em uma época em que pouca importância se dá a essa arte de entretenimento literário. A maioria desse pessoal que ganha dinheiro com quadrinhos, tipo loja on line, possui clientes marmanjos, barbados, muitas vezes até à beira da terceira idade. O percentual do pessoal com menos de 30 anos que busca por essas revistas antigas é pequeno, eu suponho. Os jovenzinhos de hoje, suponho, não possuem motivos para colocarem os mesmos apontamentos que a gente. Quem nasceu em 2000, hoje teria 22 anos e já nasceu na era em que is quadrinhos da turminha, mesmo na Globo, estavam ficando chatos. Já havia Internet tocando conta e distraindo todo mundo. Eles não podem sentir o que sentíamos em nossas épocas, anos 70, 80, 90. Quando veem essas hqs, começam a questionar e apontar absurdos como se fossem defeitos, falhas.

      Excluir
    10. Sua análise é muito boa, Fabiano. Às vezes tento me colocar no lugar de quem tem metade de minha atual idade e isso inclui também o lugar da moçada ainda mais nova, é um exercício mental extremamente difícil de ser feito, não consigo realizá-lo, mas tento. A moçada de hoje em dia vem rompendo com muito do que foi estabelecido no século XX, claro que não é 100% e nem se aproxima disso, o que também nem seria salutar se caso ocorresse, e digo sem partidarismo algum, é que pelo pouco de experiência que já adquiri sei que radicalismos são muito mais nocivos do que positivos. Mas, que eles vêm rompendo com muita coisa, com determinados conceitos que julgamos importantes, não tenho dúvida, é um fato inexorável, e é natural que nos cause algum grau de estranhamento e ao mesmo tempo temos também que encarar com normalidade, pois historicamente e biologicamente é assim que a humanidade funciona enquanto espécie e enquanto sociedade. Agora, que a juventude atual apresenta uma fragilidade emocional muito mais acentuada do que a nossa geração apresentou na mesma faixa etária, disto, eu não tenho dúvida.

      Excluir
    11. Eu vejo que, aos poucos, vamos ocupando os lugares de nossos avós, onde nós, quando jovens, amávamos as virtudes e ignorávamos a experiência de vida deles, porque os julgávamos ultrapassados e que o nosso presente não tinha nada a ver com o que foi o presente deles. Acredito que está havendo algo semelhante conosco, inclusive nossa resistência ou espanto em aceitar e lidar com determinadas coisas. Achávamos que éramos os antenados e os modernos em nossa era jovial. Agora pensamos que a juventude de hoje é que está perdida e não sabe de nada, mas será que não somos nós que deixamos de ficar antenados e não descobrimos isso?

      Excluir
    12. Sabe que acho possível as duas coisas acontecendo concomitantemente? Acho que nossa geração está cada vez mais ultrapassada, e digo isto sem o menor pesar, entendo que o que vem acontecendo conosco é um processo natural, assim como acho que a juventude de hoje em dia está consideravelmente desnorteada. Claro que não ouso me considerar o dono da razão, portanto, é a leitura que tenho atualmente em relação ao atual conflito de gerações.

      Excluir
    13. Rolou redundância na última frase, "atualmente" e "atual", releve, Fabiano!

      Excluir