terça-feira, 28 de junho de 2022

DUAS SÉRIES FODA - O SUCESSOR e ENTREVÍAS

Hoje quero indicar, para quem tem facilidade em acessar a Netflix, duas séries bem bacanas que foram muito do meu agrado. Ambas envolvem tráfico de drogas e facção, ambas são ambientadas na Espanha e trazem dois atores que eu não conhecia, mas são espetaculares a ponto de me fazer buscar por mais trabalhos deles: José Coronado e Luis Zahera.

A primeira se chama O SUCESSOR (VIVIR SIN PERMISO) e trata-se de um poderoso chefão do tráfico de drogas na Espanha que descobre que tem Alzheimer, luta para frear o quanto pode o avanço da doença, conquistar o amor da filha que nunca quis saber dele (fruto do verdadeiro amor que se foi), ao mesmo tempo em que faz de tudo para impedir que a máfia mexicana se instale naquele local e tome seus clientes.

José Coronado interpreta Nemo, o poderoso chefão Espanhol. Um ator sensacional, de deixar muitos globais e norte-americanos consagrados no chinelo. Acho que o ápice de sua atuação veio quando ele teve que se ajoelhar aos pés do chefão mexicano que exigiu isso para humilhá-lo sem dó (não vou entrar em detalhes). Ele é bem psicótico. Não poupa nem o próprio filho, de suas brutalidades. 

Mário (Álex González) e Nemo (José Coronado)

Vale ressaltar mais um ator brilhante que fez toda a diferença na trama, interpretando o boi sonso e ambíguo do Mário: Álex González. 

Nemo (José Coronado) e Luis Zahera (Ferro)

Ah! Já me ia me esquecendo: o Luis Ahera foi fundamental para o personagem Nemo enfrentar todas as adversidades que não foram poucas. Seu personagem se chama Ferro e é o motorista, capanga faz-tudo de Nemo, principalmente os serviços mais sujos. Olha, foi simplesmente emocionante a lealdade de Ferro para com Nemo, e só digo que outros atores nesses papeis não os teriam feito de forma tão absoluta. Nossos olhinhos chegaram a suar no fim.


A segunda série se chama ENTREVIAS (ENTREVÍAS) e ela tem uma pegada totalmente diferente. A ambientação não tem nada a ver com as imagens deslumbrantes das mansões, carrões top de linha, visual elegante, personagens carismáticos exalando romantismo e fofurice. Agora é exatamente o oposto: ambientes hostis, pobres, estabelecimentos com visual sóbrio, realista e até um tanto degradante. As moradias principais são "apertamentos" onde um ouve o que se passa no "apertamento" do outro. As ruas, o modo das pessoas interagirem naquele nicho. É tudo muito fubá, sabe? Meu companheiro quase me fez tirar a série por causa disso, mas como sou teimoso e gostei da dupla de atores, continuei vendo. Então ele deixou a questão visual de lado e se envolveu mais na história.  

Logo no começo, vemos José Coronado e Luis Zahera, totalmente diferentes: 

- Zahera interpreta Ezequiel: um policial veterano e corrupto que tem os dois pés fincados no narcotráfico espanhol. O rosto lambido de tão limpo e o cabelinho extremamente curto (de quando era o Ferro) deram lugar a uma farta cabeleira desgrenhada com uma barba horrorosa de mendigo. É sério! Ele parece o ALF, O ETEIMOSO! Nada de carrão e roupinha de grife sem uma amassado sequer. Agora o negócio é jeans batido e visual meio anos 80. 

- Coronado tirou a barba do Nemo. É o mesmo cabelo, o mesmo olhar, mas é incrível como o rosto totalmente limpo e os trejeitos carrancudos fizeram-no parecer outra pessoa, bem feiosa e arrogante, por sinal. Agora ele é Tirso: Capitão aposentado que leva uma vida medíocre e monótona em seu "apertamento", perto de seu negócio, uma casa de ferragens muito boa, com itens de qualidade, mas que sofre cada vez mais com a loja de variedades de produtos chineses que abriu há algum tempo, do outro lado da rua. O jeito mal-humorado e durão, que preza pela moral e bons costumes, haja o que houver, faz parte de sua personalidade o tempo inteiro, oriundo dos tempos de guerra.  

Tirso (José Coronado) e Ezequiel (Luis Zahera)

Há um encontro dos dois, logo no primeiro episódio, com direito a uma brincadeira, no primeiro diálogo, que só quem viu O SUCESSOR vai entender.

Ezequiel, sempre afobado, pergunta:

- Gozado, você se parece com alguém conhecido. A gente se conhece de algum lugar?

Tirso, carrancudo, chato, arrogante, responde:

- Não sei. Tenho memória ruim.

A história gira em torno da neta de Tirso, a Irene, que é sempre chamada de chinezinha, mas é vietnamita, é a personificação da Pocahontas, da Disney, e foi adotada pela filha de Tirso, uma mulher que vive em boas condições, mas é infeliz, tão infeliz que um dia resolveu mandar a filha para um tipo de internato ou abrigo, mas o avô militar aposentado, a personificação do Rambo aposentado, super durão e convicto de que daria um jeito na rebeldia de Pocahontas, propôs à filha que deixasse a neta morar com ele, em seu "apertamento". 

O que ele não sabia era que sua querida netinha estava envolvida com um rapaz de uma turma de drogados em um local barra-pesada. Ele até que é o mais inofensivo do bando, mas Irene vai para o lado negro da força, para o avozinho extremamente autoritário pagar a língua.

Irene, por acaso, acaba sendo alvo de um pessoal mais poderoso que a turminha dos Zé Droguinhas. Ela fica com sequelas graves na mente. Tirso fica obstinado em fazer justiça com as próprias mãos.

A gente vai acompanhando Tirso ir penetrando, aos poucos, nesse mundo obscuro. Também vemos a facção agindo contra a polícia que, por sua vez, espera botar as mãos naquele que é considerado a cabeça de toda aquela organização, mas, no momento, ninguém tem menor ideia de quem se trata, pois quem fica muito em evidência para esse pessoal da polícia, conhecido por todos como o poderoso chefão, não é exatamente o tubarão-mor. Só que ele age como se fosse. E isso envolve matar, eliminar, exterminar qualquer um que lhe desperte a menor desconfiança. O próprio Ezequiel, que a gente ainda não entende qual é a dele (policial infiltrado na máfia ou mafioso infiltrado na polícia?) sofreu bastante nas mãos dele, em um episódio.

Para quem gosta, a fim de suavizar um pouco o clima denso e pesado, os diálogos são repletos de tiradas sarcásticas, uns com outros, que rendem boas risadas e não tiram o ar sério da coisa toda.

Irene (Nona Sobo)

Gosto muito da Netflix, apesar do preço salgado. Foi por ela que conheci produções icônicas como O POÇO, BREAKING BAD, DARK, ROUND 6, LA CASA DE PAPEL etc.

Fica aqui minha sugestão para quem gosta de tráfico, máfia, investigação, jogo de gato e rato com um pouco de drama e pitadas de sarcasmo. Você já viu essas duas séries? Um abraço.


4 comentários:

  1. Cara, esse José Coronado é bom pra caralho!!! Se puder, assista a Um Contratempo e ao Homem das Mil Caras.
    Estou com essa série já separada na minha lista, será a próxima que irei assistir. No momento, estou me dedicando a rever vários filmes do Almodovar, principalmente os da década de 90.

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    1. Ah, eu verei, sim. Foi muito bom você me dar a dica. Pedro Almodovar, eu me lembro de dois filmes, um bem antigo, com o Antônio Banderas, e outro chamado Tudo Sobre Minha Mãe.

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  2. Olá, Fabiano.
    A trama de O Sucessor tem umas pintadas de novela mexicana, me parece.
    Não ando por dentro de séries, mas os filmes espanhóis andaram me surpreendendo uma época pela boa qualidade, assim como os argentinos. Parece que só o Brasil não aprende a fazer cinema.
    Vi minha esposa assistindo a Entrevias e gostando. Talvez eu dê uma chance a ambos os programas.
    A Irene é uma coisinha linda...
    Abraços!

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    1. Sim, O Sucessor tem essa pinta mesmo. Entrevias, apesar de ser dos mesmos desenvolvedores, é uma pegada diferente e acredito que você gostará mais dela. A Irene rouba a cena mesmo. Não acho ela bonita, mas ela consegue atrair a atenção facilmente. Excelente atriz nessa série.

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