quarta-feira, 1 de junho de 2022

MINICONTO - O SOFÁ

Rodrigo sentou-se naquele sofá.

Empolgado, dispôs-se a falar como se lembrava da primeira vez em que esteve ali, com ela, acomodados, um ao lado do outro. 

Ele doido de vontade de abraçá-la, receber um carinho dela em seu rosto, sentir a delicadeza daquela mãozinha no seu corpo. 

E ela, na inocência da alegria, apanhou o controle da tv e colocou na Netflix. Afinal, foi para isso que combinaram estar ali.

Após algum tempo, cerca de duas horas depois, aquele móvel virou testemunha do primeiro beijo apaixonado dos dois. Também de vários que vieram depois.

Rodrigo esfregou sua mão direita com delicadeza no tecido do sofá. Seus olhos se lubrificaram. Achou melhor se calar. Tinha se emocionado com as lembranças. 

Quem mandou amar tanto sem se preparar para os imprevistos da vida? 

O sofá estava ali, para fazer parte de mais momentos da sua história.

Então ele apanhou seu aparelho celular, abriu o aplicativo de mensagens e digitou para o seu melhor amigo:

"Sabe de alguém interessado em um sofá?"


6 comentários:

  1. O sofá que uso em minha batcaverna está comigo há uns dez anos. Já mandei reforma três vezes. Tenho um apego por ele. Acho que minha filha foi concebida sobre ele, aliás. Ela tb acha. Abraços!

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  2. Oi., Fabiano! Fico a imaginar se este sofá falasse hein. As vitórias dariam um calhamaço maravilhoso, não é mesmo? Muito bom o miniconto. Abraço!

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    1. Seria um sofá tagarela e indiscreto, talvez, ainda que bem fofinho, por acreditar na força do amor, da amizade e do carinho. Obrigado, querido Luciano.

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  3. Ratificando histórias e não vitórias como eu escrevi no comentário anterior.

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