sexta-feira, 22 de julho de 2022

PERDIDO NA MERDA POLÍTICA

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
"Vinicius de Moraes"

Por mais que eu tente, não consigo me adequar a perfil político nenhum. E isso vem sendo um saco! Dá vontade até de votar mesmo na merda do Bolsonaro -- como esse homem gosta de expor que é um merda! É impressionante! E ainda fica esperando que líderes de outras nações lhe batam palmas após discurso! Ah, gente! Saiu até aquela aguinha de canto de olho, de tanto rir!

E não faz muito tempo, assisti um cara defender o aborto. Ele comanda um canal grande para homossexuais no YouTube. Fala bonito, carismático, bem apessoado, tem muitos atributos que conquista quem assiste. Nesse vídeo, ele incita a comunidade gay a usar o apoio pelo aborto como escudo. Isso mesmo! Segundo ele, os próximos a perderem os direitos, nos EUA, seremos nós, homossexuais. E ele profetiza que esse direito é o da legalização do casamento entre as pessoas  do mesmo sexo. Sua teoria é que, defendendo o aborto, isso se torne uma barreira para que ninguém se sinta motivado a investir, depois, contra os homossexuais. 

Na minha opinião, se alguém quiser de verdade, vai partir, de qualquer maneira, para cima das questões homossexuais. Porque a homossexualidade sempre esteve na mira das pessoas que não a encaram como algo natural. E eu simplesmente não me sinto bem em cooperar com a morte de fetos para garantir minha certidão de casamento. Mas parece que eu não deveria pensar assim. Deveria pensar como o cara do vídeo: "as pessoas vão continuar abortando, só que a rica terá condições de pagar e ter médico de confiança e conforto enquanto as pobres irão para os carniceiros e podem morrer lá". Bom, o ideal é que ninguém vá abortar em lugar nenhum. Se a rica pode, ela que arque. Se as pobres não podem, um motivo a mais para colocarem a cabeça no lugar e deixarem o juízo imperar. Não vou apoiar algo usando o argumento "ele vai continuar acontecendo", porque, senão, vou apoiar também o narcotráfico que me renderia até um bom dinheiro e um pouco de ostentação, pois, mesmo sendo crime, ele continua acontecendo. 

Vejo as mulheres querendo ocupar cadeiras importantes na política sob o pretexto de fazer valer seus direitos. Isso seria algo nobre e bastante merecido, vez que a mulher teve que aguentar um papel de submissão que lhe é histórico, até pouco tempo. Não sou ninguém para questionar o direito de valorização delas. É mais do que merecido. O perigo é que as mulheres possuam certos privilégios e ALGUMAS façam deles escudos para se tornarem soberanas também no mundo sujo e sombrio da corrupção e do poder paralelo, já que não se poderá sequer olhar torto para uma delas, então como investigá-la se não poderá ter dúvidas sobre sua conduta? Aliás, já faz tempo que há mulheres em atividades criminosas, justamente porque elas possuem a facilidade de parecerem inofensivas, ou inocentes, ou vítimas de seus namorados ou maridos... Então, apesar da ideia ser maravilhosa, um país inteiro comandado por aquelas que poderiam ser nossas mães, esposas, avós, o que pode acontecer, na realidade, são mulheres mal-intencionadas, poderosamente corruptas e psicopatas assumirem o comando, usufruindo de uma gama de privilégios de gênero como escudo.

Então é isso. Estou vendo um mundo que não gosto. Eu me sinto cada vez mais perdido. Às vezes me pergunto se os suicidas, na verdade, não são os mais corajosos. Deveríamos ter esse direito, sabe, de querer morrer. Nem precisaríamos dar cabo de forma brutal. Iríamos numa clínica e diríamos: "Cansei deste mundo. Manda ver na medicação intravenosa. Quero dormir e não acordar nunca mais". O SUS, tão maravilhoso que é, poderia receber recursos para isso. Eu não sei, mas... penso que eu não seria o único nessa fila.

6 comentários:

  1. Oi, Fabiano! Muito bom o texto. Com certeza haverá mulheres usufruindo de o fato de ser mulher e usará sim privilégios em prol de status e soberania no mundo sujo e corrupto político brasileiro. Você ainda dúvida? Infelizmente acontecerá de fato. A política em si é algo muito complexo, por mais que o indivíduo seja homem ou mulher tenha uma boa índole e haja com pretensão de executar o certo, cedo ou tarde acabará por se corromper neste mundo sujo, hipócrita e desleal que é o campo político no Brasil, infelizmente é a realidade. Gostei bastante do texto. Você Como sempre trazendo para nós assuntos pertinentes e importantes, apesar de muitos não enxergarem, ou melhor fingir que não enxergam com real clareza os fatos. Um abraço meu caro?

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    1. Fico muito satisfeito, Luciano, com a afinidade que demonstra ter em relação ao que escrevi. E suas palavras mostram a vida como ela vem sendo no Brasil. As pessoas não veem um monte de coisas, ou fingem que não veem, pois, afinal, não vale muito a pena arriscarem-se por uma mudança e ainda correr o risco de virarem estatística. E nesse sistema, o privilegiado é, de fato, o Sr. Cor-Rupto, velho conhecido, ainda que se apresente com corpo novo e identidade fresca. O Sr. Dir-Reito, se quiser fazer algo, que lute, pois não facilitarão para ele. Eu não tenho dúvida nenhuma sobre a questão da mulher na política. Na verdade, é bem isso que muitos e muitas querem. Mulheres como a cabeça para o serviço que antes eram deles, pois elas terão cada vez mais privilégios. E essa historinha que vi como marketing de uma candidata, de que mulher é mais honesta, me dá até vontade de rir. Tem uns tontos que acredita nesse povo. Kkkkk...
      Um abraço, Luciano.

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  2. Você comentou lá no Marreta que, embora muito diferentes, nós temos muito em comum. E esse seu excelente texto é um grande exemplo desses pontos em comum que temos.
    Também sou contra legalizar o fetocídio generalizado sob o pretexto de que ele continuará a acontecer de qualquer maneira. Parece que a melhor maneira de combater o crime, hoje em dia, por parte da esquerda, é legalizá-lo. Aí ele deixa de ser crime.
    Muito boa suas frases : "E eu simplesmente não me sinto bem em cooperar com a morte de fetos para garantir minha certidão de casamento." e "Se as pobres não podem, um motivo a mais para colocarem a cabeça no lugar e deixarem o juízo imperar." Elas que aprendam a fechar as pernas ao invés de jogar a culpa de suas irresponsabilidades para cima da sociedade.
    Também concordo que certas alas de certas minorias não queiram igualdade e sim privilégios, não querem, como pregam por aí, serem vistos e tratados como pessoas "normais", mas sim com distinção, sim receberem tratamento de fidalgos. Vivo essa opressão das "minorias oprimidinhas" todos os dias, em salas que um dia já foram de aula.
    Como disse : um belo texto.

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    1. Fico feliz que agora tenha compreendido o que comentei no Blog do Marreta. Eu entendo aqueles que lutam dentro da causa. Digo que entendo, não que apoio. Agora... um movimento de pessoas - cujos pais adorariam te-las abortado, se pudessem -- ficar fazendo vídeo no YouTube para mobilizar uma massa a favor do aborto, é uma coisa que não compreendo. Até entendi a pegada da quebra dos direitos, a tal da jurisprudência e a forte influência que as medidas dos EUA têm, sim, no Brasil. Entendi aonde querem chegar. E só lamento terem que usar fetos como escudo, já que o fato de existir o movimento LGBTQIAXYZ..., por si só, não vem sendo o suficiente. Essas representações do arco-íris que conseguiram suas cadeiras políticas, além de cada vez mais gordas, viajadas e perfumadas, elas estão fazendo o quê, afinal, para que infelizmente haja essa necessidade de apoiar o aborto? É uma pena ver gays apoiando a morte de fetos.

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    2. Como eu disse, percebo que dentro de cada minoria, a maioria só quer mesmo ter uma vida normal, ter os mesmos direitos que qualquer outro, e esses legitimam os movimentos. Porém, dentro de cada minoria, há uma minoria em busca de privilégios, de serem vistos como seres especiais e intocáveis, de quem nada pode ser dito. Essa minoria, seja de feministas, de negros ou de homossexuais, transforma a sua etnia, sexualidade etc em seus ganha-pães, em suas profissões. Em muitos casos, ser gay virou item do currículo do cara; haja vista esses que você citou, que se elegem às custas de sua sexualidade. Esses, inclusive, acabam muitas vezes depondo contra a luta e a causa que dizem defender. Pois um comportamento abusado e extremado de um gay, por exemplo, pode e vai ser usado contra todos os outros gays, que repito, só querem mesmo uma vida normal.
      E eu tenho um amigo (um gay "normal", casado etc) que diz há muito tempo que não existe isso de causa coletiva, que toda causa é pessoal, mas geralmente o coletivo é usado com bucha de canhão por esses autodeclarados porta-estandartes das minorias.

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    3. "...que toda causa é pessoal" - quando abandonei pela segunda vez o conselho da diversidade municipal, tive esse mesmo pensamento e não gosto de pensar assim, mas é uma realidade para mim. Eu achava que ninguém mais pensava assim e que eu deveria, de alguma forma, corrigir essa linha de pensamento, mas, ainda hoje, não consegui.

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