segunda-feira, 1 de agosto de 2022

O TREM DA ALEGRIA É O TREM DOS HORRORES

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Era uma noite com a cara de tantas outras onde tudo pode acontecer
Mas a realidade discordava ao ocultar de todo mundo o vindouro romper

Lá estava ele, na hora estipulada, pronto para a animação
Música festeira, corações eufóricos, festival de luzes em neon

O trem chegou. Um punhado de corações sonhadores nele embarcou
Pequenas almas em construção que só queriam seu momento de diversão

E lá se foi o trem, percorrendo ruas e avenidas
Engrossando, como ímã, o corredor extenso dos seguidores atraídos
Por aquele enxame ambulante de vida, de comemoração, de alegrias
Como abelhas operárias na colmeia, trabalhando pelo mel produzido

Seguidores, seguidores
Sobrava êxtase
Faltava valores

Seguiam pelo interesse, pela curiosidade, pela realidade apresentada
Como acontece na rede social, pelo encanto de alguma postagem inventada
Só que ali, entre eles, era real. Aquele canto, aquelas luzes, a massa concentrada
Era inânime, era sem igual, o fascínio da multidão aglomerada

Intensa distração camuflando a roleta russa por meio de informações coloridas
Todo mundo seguia imune pela ausência das balas deferidas
Já que existe somente uma na agulha, somente uma à procura da respectiva vítima

E no show da locomotiva dançante,
No pulsar de um determinado instante,
Almas empolgadas em suas fantasias
Coreografavam irreverências na forma de dancinhas

Os personagens e seus passinhos, naquela noite com cara de tantas outras,
Focados no movimento de seus corpinhos, dançavam na vontade louca
De extravasar a energia que tinham de sobra, que não lhes eram pouca 

O gatilho acionado foi então disparado 
Abraçou de supetão o colega animado
Que foi ao chão, teve o crânio esmagado 

O beijo da morte, que falta de sorte, foi consumado
E o trem da alegria, abarrotado de vida
Deixou todo mundo horrorizado
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Autor: Fabiano Caldeira

4 comentários:

  1. Cara, o que você tem contra finais felizes? rsrsrsrs Tirando o fato de que, claro, eles não existem.
    Gostei bastante desse.

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    1. Eu gosto de happy end. Acabou saindo assim, amigão. Não sei por quê.

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  2. Oi, Fabiano! Seus textos poéticos são maravilhosos. É um privilégio poder vir aqui em seu blogue é lê-los quando eu quiser. Abraço meu caro!

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    1. Gosto muito quando você vem. Mas venha somente quando quiser. Muito obrigado, Luciano.

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